estudos:solomon:1990-pretensao-transcendental
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| + | ====== Pretensão Transcendental ====== | ||
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| + | ==== Continental philosophy since 1750 ==== | ||
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| + | === The rise and fall of the self === | ||
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| + | O pano de fundo da pretensão transcendental abrange todo o conjunto da história, da filosofia e da religião ocidentais. É curioso e lamentável que a história da filosofia moderna seja tão frequentemente narrada como o desdobramento de um pequeno número de problemas especializados em epistemologia e metafísica, | ||
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| + | O desenvolvimento da filosofia europeia na segunda metade do século XVIII, particularmente na Alemanha, constitui uma aventura cultural, intelectual e psicológica fascinante, com frequência narrada em termos áridos de invenção técnica filosófica. Mas os filósofos do Iluminismo e de seu rescaldo romântico não eram todos acadêmicos profissionais, | ||
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| + | O tema central dessa história é, portanto, a ascensão e queda de um conceito extraordinário do eu. O eu em questão não é um eu comum, nem uma personalidade individual, tampouco uma das muitas personalidades heroicas ou pseudo-heroicas do início do século XIX. O eu que se torna protagonista na filosofia europeia moderna é o eu transcendental, | ||
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| + | Neste livro, apresentar-se-á a história da pretensão transcendental com olhar crítico, consciente (em retrospecto) dos perigos práticos e políticos de uma perspectiva tão universalmente projetiva e autoglorificante. É essencial, portanto, esclarecer também quão plausível, e em muitos aspectos inevitável, | ||
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| + | Dificilmente se poderia dizer que Descartes “descobriu” a subjetividade (ainda que Heidegger observe que os gregos, em contraste, jamais tiveram uma “experiência” desse tipo). Agostinho, escrevendo mil e trezentos anos antes, descrevera seu “eu interior” de maneira bastante minuciosa, coroando sua análise com aquela percepção precocemente cartesiana: “Penso, logo existo.” O que Descartes realizou, particularmente em suas Meditações de 1641, foi estabelecer a centralidade da mente humana e formular os problemas que ocupariam a filosofia nos trezentos anos seguintes. Sua guinada para a subjetividade envolveu ao menos três teses radicais distintas: (1) seu método da dúvida, a insistência em que toda crença seja considerada culpada (falsa) até ser provada inocente (verdadeira); | ||
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| + | As duas primeiras teses constituem o núcleo problemático do que comumente se denomina “cartesianismo”, | ||
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| + | É com Kant que as pretensões filosóficas acerca do eu atingem novas e notáveis proporções. O eu torna-se não apenas o foco da atenção, mas todo o objeto da filosofia. O eu não é apenas outra entidade no mundo, mas, em certo sentido, cria o mundo; e o eu reflexivo não apenas conhece a si mesmo, mas, ao conhecer-se, | ||
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| + | A pretensão transcendental é a suposição infundada de que há universalidade e necessidade nos modos fundamentais da experiência humana. Não se trata de mero provincialismo, | ||
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| + | //SOLOMON, Robert C. Continental philosophy since 1750: the rise and fall of the self. Repr ed. Oxford: Oxford Univ. Pr, 1990.// | ||
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