| //Excerto de SLOTERDIJK, Peter. [No mesmo barco : ensaio sobre a hiperpolítica.->http://93.174.95.29/main/7A753B109652A60117CFBE94504F393C] Tr. Claudia Cavalcanti. São Paulo: Estação Liberdade, 1999, 14-17// | //Excerto de SLOTERDIJK, Peter. No mesmo barco : ensaio sobre a hiperpolítica. Tr. Claudia Cavalcanti. São Paulo: Estação Liberdade, 1999, 14-17// |
| Como já esclarece um lacônico exame de documentos antigos de caráter crítico e político existem bons motivos para a tese de que, pelo menos desde a Idade Axial ((Conceito emprestado de Karl Jaspers. (N.E.))), as pessoas estão sentadas sobre uma bomba-relógio: a saber, sobre o conceito inclusivo de espécie, cuja força explosiva se descarregou durante os últimos dois ou três mil anos de reações em cadeia, melhor conhecidas como história mundial, história das missões, imperialismo. O conceito de humanidade oculta um paradoxo ativo que pode ser levado à fórmula: pertencer-se com aqueles com os quais não se pertence. (Pode-se conceber essa frase também temporalmente: quanto mais tempo acumularmos experiências com quem pertencemos, tanto mais clara aparecerá a evidência de que não temos qualquer capacidade de pertença.) De acordo com seus efeitos essa frase contém ao mesmo tempo um evangelho e uma notícia aterradora. A história das ideias políticas pode ser lida como uma série de tentativas para atenuar o paradoxo político da espécie. Por isso, na politologia clássica trata-se sempre da repressão dos dramas que devem eclodir caso os horizontes de pertença de grupos e povos se expandirem a dimensões imperiais e, para além disso, do mundo e da espécie em geral. | Como já esclarece um lacônico exame de documentos antigos de caráter crítico e político existem bons motivos para a tese de que, pelo menos desde a Idade Axial ((Conceito emprestado de Karl Jaspers. (N.E.))), as pessoas estão sentadas sobre uma bomba-relógio: a saber, sobre o conceito inclusivo de espécie, cuja força explosiva se descarregou durante os últimos dois ou três mil anos de reações em cadeia, melhor conhecidas como história mundial, história das missões, imperialismo. O conceito de humanidade oculta um paradoxo ativo que pode ser levado à fórmula: pertencer-se com aqueles com os quais não se pertence. (Pode-se conceber essa frase também temporalmente: quanto mais tempo acumularmos experiências com quem pertencemos, tanto mais clara aparecerá a evidência de que não temos qualquer capacidade de pertença.) De acordo com seus efeitos essa frase contém ao mesmo tempo um evangelho e uma notícia aterradora. A história das ideias políticas pode ser lida como uma série de tentativas para atenuar o paradoxo político da espécie. Por isso, na politologia clássica trata-se sempre da repressão dos dramas que devem eclodir caso os horizontes de pertença de grupos e povos se expandirem a dimensões imperiais e, para além disso, do mundo e da espécie em geral. |