estudos:sloterdijk:sloterdijk-crc-359-361-crise-da-medicina
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Both sides previous revisionPrevious revision | |||
| estudos:sloterdijk:sloterdijk-crc-359-361-crise-da-medicina [25/01/2026 04:39] – mccastro | estudos:sloterdijk:sloterdijk-crc-359-361-crise-da-medicina [11/02/2026 03:42] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== Crise da Medicina (CRC: | ||
| + | |||
| + | //Data: 2020-06-03 06:26// | ||
| + | |||
| + | ==== CRÍTICA DA RAZÃO CÍNICA ==== | ||
| + | |||
| + | === CINICISMO MÉDICO === | ||
| + | |||
| + | //Excerto de SLOTERDIJK, Peter. [Crítica da Razão Cínica. Tr. Casanova, Soethe, Rego, Cardozo & Hiendlmayer. Rio de Janeiro: Estação Liberdade, 2012, p. 359-361]// | ||
| + | |||
| + | Em todas as culturas, há sempre grupos de homens que são conduzidos por suas tarefas profissionais a desenvolver diversos tipos de realismo na lida com corpos que estão morrendo ou que foram mortos: o soldado, o carrasco, o padre. Na práxis médica, contudo, constrói-se o mais minucioso realismo em relação à morte: uma consciência da morte que conhece tecnicamente de maneira mais íntima do que qualquer outra consciência a fragilidade do corpo e traz à tona o transcurso orientado para a morte de nosso organismo, quer esse transcurso seja denominado saúde, doença ou envelhecimento. Ancorado de modo semelhantemente artesanal em sua rotina, só o açougueiro possui um conhecimento comparável do lado material de nossa morte. O materialismo da medicina é capaz de intimidar até mesmo o materialismo filosófico. O cadáver seria, por isso, o mestre propriamente escolado de um materialismo integral. Como leigos, para estar à altura do realismo da medicina em relação à morte, seria preciso adicionar uma grande porção de sarcasmo, de humor negro e de maldade romântica, e não se poderia experimentar nenhum horror diante de uma necropsia filosófica. Com filamentos nervosos abertos, expor-se ao choque da abertura de um cadáver: é isso que acontece em meio à [359] experiência da morte “nua e crua”. A visão anatômica, “mais cínica” do que qualquer outra, conhece uma segunda nudez de nosso corpo, quando por meio do corte cirúrgico os órgãos expostos se apresentam com uma “última” nudez desavergonhada. O cadáver também conhece desde sempre o desejo de dar um show: exposição cadavérica, | ||
| + | |||
| + | Uma parte da crise atual da medicina advém do fato de ela ter abandonado a sua antiga ligação funcional com o sacerdócio e, desde então, ter entrado em uma relação sinuosa e ambígua com a morte. Na “luta entre vida e morte”, padres e médicos foram se colocando em posições opostas. Só o padre pode, sem se tornar um cínico, se colocar do lado da morte com um olhar kynicamente livre para o efetivamente real; e isso porque a morte nas religiões e cosmologias vivas é considerada como um prêmio óbvio da vida e como uma fase das grandes ordenações, | ||
| + | |||
| + | ---- | ||
| + | |||
| + | //VEJA TAMBÉM: | ||
| + | |||
| + | [[art8]] | ||
| + | |||
| + | [[art9]] | ||
| + | |||
| + | [[art10]]// | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
estudos/sloterdijk/sloterdijk-crc-359-361-crise-da-medicina.txt · Last modified: by 127.0.0.1
