estudos:sloterdijk:homem-natureza
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| + | ====== HOMEM E NATUREZA ====== | ||
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| + | * «Intercâmbio orgânico entre o homem e a natureza» | ||
| + | * Em uma passagem decisiva de O capital (1867), Karl Marx define o trabalho humano como um processo que ocorre entre o ser humano e a natureza, no qual, por meio da própria ação, o ser humano media, regula e controla o intercâmbio orgânico entre si e a natureza, contrapondo-se à materialidade natural como uma dentre as potências da natureza e acionando as forças naturais de sua corporeidade — braços e pernas, mãos e cabeça — para apropriar-se dos materiais da natureza, de modo que o trabalho aparece como uma operação mediadora e governante do intercâmbio entre vida humana e mundo natural. | ||
| + | * Em perspectiva histórica, é justificável ler tais formulações como preâmbulo de uma antropologia energética generalizada, | ||
| + | * O que Marx não enfatiza expressamente é que o encontro entre “força” e “matéria” não se desencadeia apenas pela ativação dos membros e faculdades corporais, porque, desde a pré-história, | ||
| + | * Somente com a inclusão do fogo no campo do manipulável humano tornou-se possível assimilar os materiais da natureza às necessidades humanas em sentido estrito, razão pela qual, já nas primeiras “sociedades”, | ||
| + | * O poder assimilativo do fogo manifesta-se de modo privilegiado na manipulação do alimento, pois torna as presas da caça comestíveis e, sem a alquimia do calor, não ocorreria a transformação do grão cru em pão; além disso, o fogo controlado constitui a primeira incógnita da fórmula “força muscular + x”, que descreve o intercâmbio orgânico por meio do trabalho, funcionando como energia diferencial que institui a distinção originária entre cru e cozido e, ainda, separa o metal do bloco mineral, possibilitando ao martelo do ferreiro forjar o ferro incandescente em lâminas. | ||
| + | * Os termos “força” e “matéria” remetem aos conceitos abstratos de dynamis e hyle do pensamento grego antigo, sendo que, em Homero, hyle designava sem ambiguidades a madeira, os bosques e as florestas, ao passo que, em Aristóteles, | ||
| + | * O regime metabólico das culturas humanas mais antigas permaneceu por longo tempo — durante muitos milênios — determinado por horizontes geográficos reduzidos e por conversões de massas relativamente desprezíveis, | ||
| + | * Ao mesmo tempo, seria inadequado atribuir genericamente aos ancestrais dos humanos atuais uma consciência das relações ecossistêmicas ou um senso de conservação de “recursos”, | ||
| + | * A rocha formada por ossos de cavalos fossilizados testemunharia uma época inteira dominada por uma “economia” arcaica do desperdício, | ||
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