estudos:sloterdijk:crc-361-365-poder-medico
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| + | ====== PODER MÉDICO ====== | ||
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| + | ==== CRÍTICA DA RAZÃO CÍNICA ==== | ||
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| + | === O CINISMO MÉDICO === | ||
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| + | //Excerto de SLOTERDIJK, Peter. [Crítica da Razão Cínica. Rio de Janeiro: Estação Liberdade, 2012, p. 361-365]// | ||
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| + | Todo poder parte do corpo, dissemos acima. Como é que isso se faz valer no caso do poder da medicina? Três respostas são aqui possíveis: | ||
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| + | 1. O trabalho do médico baseia-se em sua ligação com as tendências naturais da vida para a autointegração e para a resistência à dor. Ele tem, portanto, dois aliados ao seu lado, a vontade de viver e os remédios medicinais. Se souber lidar com os dois, então tem o direito de se tomar como alguém com vocação para ajudar. O poder da medicina se legitima e ratifica na efetividade de sugestionamentos vitais (o que quer que isso possa ser) e de medidas práticas de auxílio (remédio, intervenção, | ||
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| + | 2. A vontade de viver, um agente importante em toda cura, sente-se ameaçada no caso de adoecimentos “sérios” causados pela descrença. Onde quer que a tendência vital lute com a tendência para a morte, o doente necessita de um aliado, em cuja conjuração sem reservas com a vida ele possa acreditar. Assim, o doente projeta as forças de autorregeneração do corpo para o médico, que sabe erigir e fortalecer essas forças melhor do que o doente o conseguiria, | ||
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| + | 3. O poder do médico atingiu o seu ápice no corpo do príncipe. Se o rei adoecia, então quem passava a governar de facto por um instante o “corpo do poder” era o seu médico particular. A capacidade de curar príncipes pela primeira vez elevou a medicina totalmente ao nível da medicina aristocrática. A medicina dominante é, por isso, a medicina dos governantes. Quem cura os poderosos torna-se ele mesmo um portador central do poder. Nas antigas teocracias e reinados clericais, essa conexão ainda se efetivava de maneira mais imediata por força da união pessoal entre o governante e o curador. Mais tarde, aquele que cura o governante passou a se diferenciar do príncipe, e isso certamente na mesma medida em que a medicina se transformou em uma arte com um cerne técnico empírico, que podia ser diferenciado da manipulação mágica. A palavra alemã Arzt (médico) vem, de acordo com o dicionário Duden, da assunção da palavra grega para o médico aristocrático arch-iatros, | ||
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| + | //VEJA TAMBÉM: | ||
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| + | [[art7]] | ||
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| + | [[art10]]// | ||
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