User Tools

Site Tools


estudos:severino:verdade

Differences

This shows you the differences between two versions of the page.

Link to this comparison view

estudos:severino:verdade [27/01/2026 12:39] – created mccastroestudos:severino:verdade [09/02/2026 20:16] (current) – external edit 127.0.0.1
Line 1: Line 1:
 +====== 65. Verdade ôntica e verdade ontológica ======
 +
 +ESHM
 +
 +  * Delimitação do problema central de Vom Wesen des Grundes a partir da questão da verdade
 +    * O problema autêntico do ensaio consiste em delimitar o horizonte dentro do qual algo como princípio de causalidade pode ser legitimamente posto.
 +    * Esse horizonte não é externo ao princípio, mas constitui sua própria condição ontológica de possibilidade.
 +    * A investigação do fundamento é alcançada a partir do problema da verdade, que fornece o acesso originário à questão do Grund.
 +
 +  * A interpretação metodológica da adaequatio e seu caráter derivado
 +    * A adaequatio intellectus et rei, entendida como verdade das proposições verdadeiras, define o juízo verdadeiro como uma relação com algo com o qual ele concorda com base em um fundamento.
 +    * Essa concepção pressupõe uma alteridade originária entre intellectus e res, assegurando a verdade por meio de uma concordância fundada na coisa.
 +    * Tal estrutura revela uma posição metodológica infundada, pois exige um fundamento exterior para aquilo que pretende explicar.
 +
 +  * A adaequatio como unidade originária e não como relação fundada
 +    * No seu significado fundado, a adaequatio não necessita de um fundamento externo.
 +    * Ela mesma se põe como fundamento, enquanto unidade originária do manifestar e do manifestado.
 +    * Nesse sentido, a adaequatio originária funda inclusive a possibilidade da concepção metodologicamente infundada da adaequatio proposicional.
 +
 +  * O caráter não originário da predicação
 +    * O simples nexo de concordância entre juízo e ente não é suficiente para tornar o ente manifesto.
 +    * A predicação apenas explicita algo que já se encontra manifesto em si mesmo.
 +    * O ente é manifesto antes de toda proposição verdadeira, sendo a predicação fundada nesse manifestar prévio.
 +
 +  * A manifestação pré-predicativa do ente como fundamento da verdade proposicional
 +    * O manifestar originário do ente não possui caráter predicativo.
 +    * Esse manifestar constitui o pressuposto e o fundamento de toda predicação possível.
 +    * A verdade da proposição funda-se, assim, em uma verdade mais originária que não é proposicional.
 +
 +  * A Unverborgenheit como fundamento da verdade proposicional
 +    * A verdade proposicional funda-se na verdade mais originária da Unverborgenheit do ente.
 +    * Essa verdade originária é a unidade do manifestar e do manifestado, do intellectus e da res.
 +    * Tal unidade constitui aquilo que se denomina verdade ôntica.
 +
 +  * Identidade entre verdade ôntica e fundamento metodológico
 +    * Se a verdade ôntica é o fundamento de toda predicação, e se a predicação exprime a atitude metodológica infundada da adaequatio, então a verdade ôntica coincide com o fundamento metodológico.
 +    * A verdade ôntica é o solo a partir do qual toda concordância proposicional pode ocorrer.
 +    * Essa identidade mostra que o fundamento metodológico não é lógico-formal, mas onticamente fundado.
 +
 +  * A necessidade de uma estrutura possibilitante do manifestar
 +    * O ente só se manifesta se subsiste a possibilidade ativa de manifestá-lo.
 +    * Excluída inicialmente uma posição ontotética do manifestar, permanece a exigência de uma estrutura capaz de manifestar o ente como ente.
 +    * Essa estrutura não pode ser outra senão o puro manifestar enquanto tal.
 +
 +  * O pensamento como capacidade essencial de manifestar o ente
 +    * Para que o puro manifestar possa tornar presente o ente, deve possuir previamente uma compreensão que lhe permita manifestá-lo como ente.
 +    * Não é o manifestar efetivo que gera a capacidade de manifestar, mas o inverso.
 +    * O pensamento é, em sua essência, a capacidade de manifestar o ente.
 +
 +  * A compreensão do ser como condição do manifestar do ente
 +    * Heidegger exprime essa estrutura afirmando que o manifestar do ente exige a compreensão do ser do ente.
 +    * O manifestar do ser torna possível o manifestar do ente.
 +    * Surge assim a identidade entre o puro pensamento e o manifestar do ser.
 +
 +  * Distinção entre ser ontológico e ser ôntico
 +    * O manifestar do ser não corresponde ao conceito tradicional de ser como propriedade transcendente do ente.
 +    * Trata-se de uma manifestação ontológica, distinta do conceito ôntico de ser.
 +    * Essa manifestação ontológica é transcendental apenas enquanto o pensamento é essencialmente manifestação do ente.
 +
 +  * O ser como possibilidade transcendental em sentido ontológico
 +    * Em sentido ôntico, o ser é o ato de ser de cada ente possível.
 +    * Em sentido ontológico, o ser é a capacidade essencial do pensamento de manifestar o ente.
 +    * Esse sentido ontológico do ser é aquilo que Heidegger denomina verdade ontológica.
 +
 +  * O problema do ser como problema da estrutura do pensamento
 +    * O problema do ser como ser consiste em determinar a estrutura da capacidade essencial do pensamento.
 +    * Essa estrutura é caracterizada como abertura e transcendência.
 +    * Ainda que essa capacidade seja inferida como necessária, sua determinação plena permanece problemática.
 +
 +  * A compreensão do ser como condição ontológica subjetiva
 +    * O conceito de compreensão do ser coincide com o conceito de condição ontológica subjetiva da unidade originária.
 +    * Compreensão do ser e ser se implicam circularmente.
 +    * Ambos exprimem o puro manifestar como capacidade transcendental de manifestar o ente.
 +
 +  * A verdade ontológica como verdade do ser do ente
 +    * O manifestar do ser é sempre verdade do ser do ente.
 +    * Ele não pertence ao dado imediato, mas é inferido como condição do próprio dado.
 +    * A Unverborgenheit do ser designa o abrir-se do horizonte ontológico como condição transcendental do ente.
 +
 +  * A inferência do ser a partir do ente
 +    * O ser é posto apenas na medida em que é necessário para explicar o manifestar do ente.
 +    * O porsi do ser é sempre verdade do ser do ente.
 +    * A verdade ontológica é condição necessária para que o ente se constitua como verdade ôntica.
 +
 +  * Reciprocidade entre manifestar do ente e manifestar do ser
 +    * O manifestar do ente implica necessariamente o manifestar do ser.
 +    * Essa implicação decorre do fato de que o manifestar do ente exige uma capacidade transcendental.
 +    * Essa capacidade é o próprio abrir-se do horizonte ontológico do ser.
 +
 +  * Identidade estrutural entre verdade ôntica e verdade ontológica
 +    * Verdade ôntica e verdade ontológica referem-se respectivamente ao ente no seu ser e ao ser do ente.
 +    * Ambas constituem uma única estrutura unitária.
 +    * Essa unidade só é possível mediante a abertura simultânea da diferença ontológica.
 +
 +  * A diferença ontológica como condição da verdade
 +    * A distinção entre ser e ente é denominada diferença ontológica.
 +    * A verdade, em sua essência ontico-ontológica, só é possível se essa diferença se abre em um único ato.
 +    * A diferença ontológica não separa, mas articula ser e ente.
 +
 +  * O Dasein como fundamento da diferença ontológica
 +    * O fundamento da diferença ontológica é o Dasein.
 +    * Existir significa para o Dasein relacionar-se com o ente compreendendo o ser.
 +    * Esse compreender funda a possibilidade do deixar-ser o ente.
 +
 +  * O deixar-ser como estrutura da verdade
 +    * O deixar-ser o ente não é um ato de poder, mas de não-poder.
 +    * O deixar-ser e o manifestar do ente são estruturalmente idênticos.
 +    * Ambos se fundam na abertura transcendental do Dasein.
 +
 +  * A transcendência do Dasein como fundamento da distinção
 +    * O poder distinguir verdade ôntica e verdade ontológica reside na existência do Dasein.
 +    * Essa distinção é possível pela mediação do imediato, que permite o deixar-ser.
 +    * A transcendência do Dasein é o modo próprio dessa mediação.
 +
 +  * Intencionalidade, transcendência e finitude
 +    * A relação intencional ao ente coincide com o manifestá-lo deixando-o ser.
 +    * A intencionalidade, característica da verdade ôntica, é possível apenas com base na transcendência.
 +    * A transcendência possibilita ontologicamente a intencionalidade.
 +
 +  * A finitude do horizonte ontológico
 +    * A intencionalidade exprime a finitude do horizonte ontológico.
 +    * Compreender o ser significa não exercer poder sobre o ente.
 +    * A finitude é, assim, constitutiva da verdade.
 +
 +  * A articulação final entre verdade e fundamento
 +    * A adaequatio reconduz à verdade ôntica como fundamento da concordância.
 +    * A verdade ôntica reconduz à verdade ontológica como fundamento da intencionalidade.
 +    * O fundamento metodológico e o fundamento ontológico articulam-se a partir da transcendência.
 +
 +  * A transcendência como raiz possibilitante
 +    * A transcendência é a raiz que possibilita ambos os fundamentos.
 +    * Ela não é algo além de sua função possibilitante, mas coincide inteiramente com ela.
 +    * Esclarecer a transcendência significa esclarecer o próprio problema do fundamento.
 +
 +{{tag>Severino}}