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estudos:severino:principio-identidade

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-====== . POSSIBILIDADE ONTOLÓGICA DO PRINCÍPIO DA IDENTIDADE ======+====== 71. POSSIBILIDADE ONTOLÓGICA DO PRINCÍPIO DA IDENTIDADE ======
  
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 Que a investigação ontológica visa apenas enunciar a possibilidade da necessidade dos princípios ónticos, fica claro pela própria forma como é tratada a derivação ontológica do princípio da identidade. Em Vom Wesen des Grundes, afirma-se que o próprio princípio da identidade se baseia ontologicamente na temporalização da transcendência. O “caráter transcendental” do princípio da identidade é a própria possibilização ontológica do princípio. Em geral, deve-se dizer que à estrutura óntica pela qual o princípio da identidade determina a necessidade do princípio da razão suficiente, sobrepõe-se a estrutura ontológica que, na transcendência, enucleia algo como possibilização da estrutura óntica. Essa possibilização é dada, em um primeiro sentido, pelo fato de que a transcendência é o horizonte de toda manifestação do ente em si mesmo. Mas há um segundo sentido que especifica a articulação do ser em seu fundamento ontológico. A transcendência constitui algo como uma “mesmidade” (Selbigkeit). O projeto do mundo determina o ser em si mesmo (Selbst) por parte do Dasein. A identidade do Dasein é a própria constituição do horizonte ontológico como identidade necessária. Se esse horizonte é a capacidade transcendental de tornar o ente manifesto, é necessário que o horizonte seja ele mesmo, seja em uma mesmidade, como um termo estável em relação ao qual o ente, manifestando-se, possa ser ele mesmo. O parágrafo  de Kant und das Problem der Metaphysik, que deixamos em aberto na época (cf. parágrafo ), fornece considerações interessantes a esse respeito. O “eu”, próprio da identidade do horizonte, é o puro correlato de toda identidade do que se manifesta; o horizonte “está” e “permanece” em seu ser em si mesmo, necessariamente inferido em seu ser em si mesmo, sem o qual não se teria o termo de referência (o correlato) em relação ao qual o ente pode se manifestar como aquele ente que ele é. Mas o horizonte ontológico é a própria temporalização da temporalidade que, como sentido do cuidado, constitui a essência da subjetividade do Dasein. É, portanto, o tempo em seu significado transcendental (no significado empírico, ele evidentemente não poderia valer como raiz do princípio da identidade) que constitui a identidade transcendental que, como puro correlato, é a possibilização da constituição da necessidade do princípio da identidade. A hipseidade transcendental, constituída pela temporalização da temporalidade, é, em seu caráter de fundamento, a estrutura ontológica que possibilita a estrutura óntica consistente na derivação da necessidade do princípio da razão suficiente a partir do princípio da identidade. Evidentemente, tal possibilização não afeta a validade e a necessidade dos dois princípios, mas sim os insere na vida histórica concreta do homem. Que a investigação ontológica visa apenas enunciar a possibilidade da necessidade dos princípios ónticos, fica claro pela própria forma como é tratada a derivação ontológica do princípio da identidade. Em Vom Wesen des Grundes, afirma-se que o próprio princípio da identidade se baseia ontologicamente na temporalização da transcendência. O “caráter transcendental” do princípio da identidade é a própria possibilização ontológica do princípio. Em geral, deve-se dizer que à estrutura óntica pela qual o princípio da identidade determina a necessidade do princípio da razão suficiente, sobrepõe-se a estrutura ontológica que, na transcendência, enucleia algo como possibilização da estrutura óntica. Essa possibilização é dada, em um primeiro sentido, pelo fato de que a transcendência é o horizonte de toda manifestação do ente em si mesmo. Mas há um segundo sentido que especifica a articulação do ser em seu fundamento ontológico. A transcendência constitui algo como uma “mesmidade” (Selbigkeit). O projeto do mundo determina o ser em si mesmo (Selbst) por parte do Dasein. A identidade do Dasein é a própria constituição do horizonte ontológico como identidade necessária. Se esse horizonte é a capacidade transcendental de tornar o ente manifesto, é necessário que o horizonte seja ele mesmo, seja em uma mesmidade, como um termo estável em relação ao qual o ente, manifestando-se, possa ser ele mesmo. O parágrafo  de Kant und das Problem der Metaphysik, que deixamos em aberto na época (cf. parágrafo ), fornece considerações interessantes a esse respeito. O “eu”, próprio da identidade do horizonte, é o puro correlato de toda identidade do que se manifesta; o horizonte “está” e “permanece” em seu ser em si mesmo, necessariamente inferido em seu ser em si mesmo, sem o qual não se teria o termo de referência (o correlato) em relação ao qual o ente pode se manifestar como aquele ente que ele é. Mas o horizonte ontológico é a própria temporalização da temporalidade que, como sentido do cuidado, constitui a essência da subjetividade do Dasein. É, portanto, o tempo em seu significado transcendental (no significado empírico, ele evidentemente não poderia valer como raiz do princípio da identidade) que constitui a identidade transcendental que, como puro correlato, é a possibilização da constituição da necessidade do princípio da identidade. A hipseidade transcendental, constituída pela temporalização da temporalidade, é, em seu caráter de fundamento, a estrutura ontológica que possibilita a estrutura óntica consistente na derivação da necessidade do princípio da razão suficiente a partir do princípio da identidade. Evidentemente, tal possibilização não afeta a validade e a necessidade dos dois princípios, mas sim os insere na vida histórica concreta do homem.
  
-Este capítulo esclareceu o valor fundacional da transcendência. A presença do fundamento metodológico (verdade óntica), do fundamento ontológico e do fundamento óntico (o já necessariamente implicado pela não potência da onticidade) revelou-se claramente. O capítulo seguinte tem a tarefa de esclarecer o valor provisório do ato fundacional da transcendência, na unidade de seu triplo fundamento.+
estudos/severino/principio-identidade.1769536284.txt.gz · Last modified: by mccastro