estudos:severino:liberdade-e-fundamento
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| + | ====== 69. Liberdade e fundamento ====== | ||
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| + | ESHM | ||
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| + | * Determinação originária da liberdade como liberdade para o fundamento e caracterização do fundar | ||
| + | * A liberdade é determinada como liberdade para o fundamento, de modo que o sentido próprio da liberdade não se define primariamente por uma faculdade indiferente de escolher, mas por uma pertença originária ao âmbito em que algo como fundamento se torna possível. | ||
| + | * O vínculo originário entre liberdade e fundamento é nomeado como o fundar, das Gründen, e esse nome já indica que liberdade e fundamento não são dois termos independentes ligados por uma relação posterior, mas momentos cooriginários de um único acontecimento. | ||
| + | * No fundar, a liberdade funda e, ao mesmo tempo, é fundada, de modo que o ato de fundar não é unidirecional, | ||
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| + | * Tripla articulação do fundar como estabelecer, | ||
| + | * O fundar apresenta-se segundo três sentidos inseparáveis, | ||
| + | * Esses três sentidos não representam operações independentes que se somariam exteriormente, | ||
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| + | * Fundar como estabelecer e sua identificação com o projeto do plano do mundo | ||
| + | * Fundar como estabelecer coincide com o projeto do plano do mundo, Entwurf des Umwillen, no qual um mundo é deixado reinar como horizonte dentro do qual o ente pode manifestar-se. | ||
| + | * A transcendência, | ||
| + | * Contudo, esse projetar, enquanto expressão da transcendentalidade do antecipar-se, | ||
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| + | * A determinação do projeto pela não potência e a implicação do já-ser do ente | ||
| + | * O projetar é descrito como fundação ontológica simples, no sentido de oferecer ocasião para que o ente entre em um mundo e, assim, se manifeste, sem que por isso o projetar produza o ente ou exerça domínio sobre ele. | ||
| + | * O projetar remete ao ente que, independente do projeto no seu ato de ser, é capaz de ser desvelado, e essa manifestabilidade do ente é consequência direta do caráter não potente do projeto em relação ao ente. | ||
| + | * A atualidade do manifestar implica que o ente possua potência ativa de poder ser manifestado, | ||
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| + | * O já-ser do ente como condição necessária do projetar e o sentido transcendental do encontrar-se | ||
| + | * O já-ser do ente não sobrevém ao projetar como elemento acessório, pois o projetar só é o que é ao implicar necessariamente algo como um já-ser do ente. | ||
| + | * Se o projetar é não potência, Ohnmacht, então ele é necessariamente determinado pelo já-ser do ente, não no sentido de depender do fato empírico de um ente presente, mas no sentido de implicar transcendentalmente a necessidade de um já-ser como tal. | ||
| + | * Essa determinação do projetar é nomeada como o encontrar-se, | ||
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| + | * A captura transcendental do projetar pelo ente e a tonalidade de acordo | ||
| + | * O projetar sofre uma captura transcendental por parte do ente com o qual ele se acorda, de modo que o projetante é atravessado por uma tonalidade determinada pelo ente que transcende. | ||
| + | * A transcendência, | ||
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| + | * Ser-lançado como ser tomado pelo já-ser do ente e fundar como tomar-base | ||
| + | * Ser tomado transcendentalmente pelo já-ser do ente coincide com o ser-lançado do Dasein, entendido como ser lançado a projetar, isto é, como já-ser-em-um-mundo, | ||
| + | * O encontrar-se em meio ao ente exprime o fundar como tomar-base, Bodennehmen, | ||
| + | * Fundar e fundar-se constituem, em um ato unitário, a transcendência, | ||
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| + | * Duas fundações cooriginárias e sua relação com a unidade originária | ||
| + | * Nos dois modos de fundar atuam, respectivamente, | ||
| + | * A transcendência, | ||
| + | * O tomar-base, embora não exprima um contato fático com o ente, exprime a transcendentalidade desse vínculo ao implicar de direito o já-ser do ente, implicação exigida pela essência mesma do projetar não potente. | ||
| + | * A reflexão sobre essa implicação transcendental do ente no seu ato de ser, isto é, sobre o já-ser independentemente do manifestar, constitui a inferência do ato de ser do ente e, por isso, a fundação ôntica da unidade originária, | ||
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| + | * Cooriginariedade temporal das fundações e constituição do ser-no-mundo | ||
| + | * A cooriginariedade das duas fundações é possível como cooriginariedade das ekstases temporais da temporalidade, | ||
| + | * O articular-se da transcendência segundo a portata dessas duas fundações é o próprio constituir-se do ser-no-mundo do Dasein, pois o mundo é fundado apenas na medida em que o fundar se funda em meio ao ente. | ||
| + | * O ato fundante que estabelece o mundo projeta um horizonte que funciona como fundamento ontológico do manifestar do ente, mas esse projetar só se efetiva tomando base no já-ser do ente, que funciona como fundamento ôntico do mesmo manifestar. | ||
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| + | * Projeto do mundo como auto-projeção no poder-ser e caracterização da superpotência | ||
| + | * Transcender projetando um mundo significa projetar-se no próprio poder-ser, Seinkönnen, | ||
| + | * O poder-ser é nomeado como superpotência ontológica, | ||
| + | * Esse ultrapassar-se não designa simples intensificação psicológica, | ||
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| + | * Limitação da potência pela não potência e distinção entre fundação ontológica e fundação ôntica | ||
| + | * O poder-ser, enquanto possibilização ontológica do vínculo ao ente, é simultaneamente, | ||
| + | * Essa limitação exprime a ruptura de uma circularidade entre consciência como possibilização ontológica e potência como possibilização ôntica, estabelecendo a alteridade entre fundação ontológica e fundação ôntica. | ||
| + | * A fundação como estabelecer pertence ao Dasein, ao passo que a fundação como tomar-base se desloca para o lado do ente no seu ato de ser, de modo que a potência onticamente decisiva é cedida ao ente e, complementarmente, | ||
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| + | * A estrutura de ser potente e ser privado como atestação da finitude da liberdade | ||
| + | * A retirada de possibilidades, | ||
| + | * A transcendência, | ||
| + | * Ser potente apenas como não potência atesta a finitude da liberdade humana, e essa finitude é expressa como impotente superpotência, | ||
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| + | * Fundar como motivar e sua relação com intencionalidade, | ||
| + | * O terceiro sentido do fundar, motivar, é situado no plano em que o manifestar do ente em si mesmo, na unidade originária, | ||
| + | * A intencionalidade, | ||
| + | * A transcendência é inferida na medida em que é requerida para explicar o dado, e por isso a sua estrutura deve mostrar como torna possível algo como dado, isto é, como unidade intencional. | ||
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| + | * Não identidade imediata entre intencionalidade e transcendência e necessidade do immanentizar-se | ||
| + | * A identidade entre intencionalidade e transcendência não é estabelecida de modo direto, pois a intencionalidade é tornada possível pela transcendência como immanentizar-se da transcendentalidade. | ||
| + | * O immanentizar-se, | ||
| + | * A necessidade da transcendência é afirmada porque o dado, enquanto devir efetivo de manifestação, | ||
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| + | * Unidade de estabelecer e tomar-base como possibilização transcendental da intencionalidade e sentido do motivar | ||
| + | * Fundar como estabelecer é possibilidade ontológica do manifestar do ente, mas não constitui por si um relacionamento com o ente, assim como fundar como tomar-base, em sua portata transcendental, | ||
| + | * Contudo, ambos, em unidade, constituem a possibilização transcendental da intencionalidade, | ||
| + | * A unidade estrutural da fundação ontológica e da fundação ôntica, enquanto torna possível a unidade originária na sua característica essencial de identidade intencional entre manifestante e manifestado, | ||
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| + | * Possibilização da intencionalidade como exigência dupla: capacidade de manifestar e potência do ente a ser manifestado | ||
| + | * Para que algo como intencionalidade se constitua, exige-se de um lado a capacidade transcendental de manifestar o ente, isto é, o projetar um mundo como projeto do ser. | ||
| + | * Exige-se de outro lado o ente na sua capacidade e potência de ser manifestado, | ||
| + | * A fundação ôntica é caracterizada como obtida por reflexão sobre a não potência do projetar e sobre sua implicação transcendental com o já-ser do ente, de modo que a transcendentalidade aqui não se limita ao lado subjetivo, mas inclui a inferência do ato de ser do ente implicado. | ||
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| + | * Motivação como possibilização da verdade ôntica e identificação com a verdade ontológica | ||
| + | * O fundar como motivar é identificado com a possibilização da verdade ôntica, na medida em que possibiliza a unidade originária em que o ente se manifesta e pode ser intencionado. | ||
| + | * Possibilizar a verdade ôntica é, por sua vez, verdade ontológica, | ||
| + | * Segue que a unidade de estabelecer e tomar-base, enquanto motivar, constitui a própria verdade ontológica, | ||
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| + | * Unidade do transcender no trinomio do fundar e sua função como condição ontológica subjetiva da unidade originária | ||
| + | * A transcendência, | ||
| + | * Esse trinomio constitui o único ato do transcender na cooriginariedade dos seus momentos essenciais, de modo que a unidade não é buscada depois, mas é o modo próprio em que esses momentos são desde sempre coimplicados. | ||
| + | * A transcendência, | ||
| + | * No movimento de immanentização, | ||
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