estudos:severino:existencia-transcendencia
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| + | ====== 66. Existência e transcendência ====== | ||
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| + | * Determinação formal da transcendência como ultrapassamento e relação direcional | ||
| + | * Transcendência é determinada formalmente como ultrapassamento, | ||
| + | * Essa determinação formal não designa ainda um conteúdo particular, mas fixa a forma estrutural segundo a qual a transcendência opera como passagem e referência, | ||
| + | * A transcendência é reconduzida, | ||
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| + | * Transcendência como raiz da diferença ontológica e como essência do Dasein | ||
| + | * Enquanto raiz da diferença ontológica, | ||
| + | * A transcendência é afirmada como essência do Dasein, e por isso é igualmente designada como essência do sujeito e estrutura fundamental da subjetividade. | ||
| + | * A subjetividade não é tomada como um dado que depois transcende, mas como aquilo que é enquanto transcendência, | ||
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| + | * Transcendência como possibilização ontológica da relação sujeito-objeto | ||
| + | * A transcendência, | ||
| + | * Com isso, a transcendência não se acrescenta a uma subjetividade já pronta, mas constitui o campo ontológico no qual algo como sujeito e algo como objeto podem emergir como tais. | ||
| + | * O sujeito não é definido como instância que, em um segundo momento, supera a imediaticidade do ente presente, mas como o próprio modo originário em que essa superação se dá, isto é, como transcendência. | ||
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| + | * Rejeição da figura de barreira ou abismo entre sujeito e objeto e determinação da transcendência como ecstaticidade essencial | ||
| + | * A transcendência não é interpretada como ultrapassamento de uma barreira, Schranke, que confinaria o sujeito em um em si, nem como travessia de um abismo, Kluft, posto entre sujeito e objeto. | ||
| + | * O núcleo é deslocado para a ecstaticidade essencial, isto é, para um ser fora de si que constitui transcendentalmente a abertura na qual o manifestar pode dar-se ao manifestado. | ||
| + | * A abertura do horizonte extático da transcendência coincide com o constituir-se transcendental desse ser fora de si, em cujo fundamento o manifestar ilumina o manifestado em si mesmo. | ||
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| + | * Reinterpretação do objeto como aquilo que é ultrapassado e não como termo para o qual se vai | ||
| + | * O ente que está de frente, o objeto, das vergegenständlichte Seiende, não é aquilo para o qual o ultrapassamento procede, woraufzu. | ||
| + | * O objeto é aquilo que é ultrapassado, | ||
| + | * O que é ultrapassado é todo o ente, incluindo o ente cuja essência é existência, | ||
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| + | * Transcendência como mediação da imediaticidade do ente | ||
| + | * A transcendência é caracterizada como mediação da imediaticidade do ente, pois o ente só pode manifestar-se se sua imediaticidade se puser como tal. | ||
| + | * Para que a imediaticidade se ponha como imediaticidade, | ||
| + | * Essa estrutura é possível apenas por um ato que manifesta o imediato em si mesmo, e esse ato não pertence ao ente enquanto ente, mas a um ente particular que é o que é precisamente em virtude desse ato manifestante. | ||
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| + | * O ente como ultrapassado enquanto imediato e a orientação do transcender para o outro de si | ||
| + | * O ente é ultrapassado enquanto imediato, o que significa que o transcender não se dirige ao ente em oposição como se este fosse o alvo, mas funda o manifestar do ente ao mediar sua imediaticidade. | ||
| + | * Por isso, a transcendência, | ||
| + | * Nesse dobrar-se constitui-se a dimensão do mediado, isto é, o campo em que algo pode aparecer como determinado e articulado, em vez de permanecer mero imediato não tematizado. | ||
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| + | * Bipartição da zona do mediado e constituição do mesmo do Dasein | ||
| + | * A dimensão do mediado biparte-se porque o dobrar-se, enquanto ato manifestante do Dasein, alcança de um lado o próprio Dasein e de outro o restante ente. | ||
| + | * No primeiro caso, o Dasein, ao ultrapassar, | ||
| + | * No segundo caso, a mediação alcança o ente que não é o Dasein, indicando que o campo do mediado inclui tanto a auto-referência do Dasein quanto sua abertura ao outro ente. | ||
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| + | * Condição da relação ao ente: existir como mesmo e possibilização ontológica da alteridade | ||
| + | * O Dasein só pode relacionar-se consigo e com o ente na medida em que existe como um mesmo, de modo que a relação ao ente pressupõe a instauração dessa identidade. | ||
| + | * A transcendência torna ontologicamente possível a alteridade implicada no pôr-se do mesmo, pois o mesmo exclui de si aquilo que é outro de si. | ||
| + | * A alteridade não surge como fato empírico externo, mas como implicação estrutural do pôr-se do mesmo, cuja possibilidade depende da transcendência. | ||
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| + | * Mediação, Gegen-stand e objetivação como modo do pôr-se do ente | ||
| + | * A mediação é possibilitada pela transcendência do Dasein, na qual o ente é ultrapassado em sua imediaticidade, | ||
| + | * O pôr-se do ente como Gegen-stand exige que o estar, Stehen, do ente seja referido a algo relativamente ao qual esse estar possa aparecer como um Gegen, isto é, como um contra, um diante. | ||
| + | * Assim, o ato de ser, Stehen, do ente pode pôr-se como objetivação, | ||
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| + | * Finitude radical do transcender e estrutura do Lassen como não potência sobre o Stehen | ||
| + | * A objetivação, | ||
| + | * O transcender é caracterizado como deixar-ser, no sentido em que aquilo que se põe como Gegen só pode aparecer relativamente a um Lassen que não exerce potência sobre o Stehen. | ||
| + | * Ao mesmo tempo, o pôr-se do Stehen como Gegen-stehen constitui a própria mediação da imediaticidade do Stehen, o que fixa a unidade estrutural entre mediação e deixar-ser. | ||
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| + | * Transcender como transcendência do ente em totalidade e fundamentação demonstrativa do problema da transcendência | ||
| + | * O transcender transcende o ente em uma totalidade, de modo que o ente transcendido como totalidade configura-se como unidade originária do manifestar do ente. | ||
| + | * A investigação sobre a estruturação da transcendência é reconduzida à necessidade de explicar o primeiro certo, isto é, a unidade originária do dado: dado o dado, exige-se que a transcendência se estruture de certo modo para que o dado seja como é dado. | ||
| + | * Por isso, a investigação da transcendência não é tomada como análise fenomenológica imediatamente válida por si, mas como investigação fundada em necessidade demonstrativa, | ||
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| + | * Mundo como termo essencial da transcendência e determinação da transcendência como ser-no-mundo | ||
| + | * Se a imediaticidade da totalidade do ente é o que é ultrapassado, | ||
| + | * O mundo, enquanto termo essencial da transcendência, | ||
| + | * Ser-no-mundo não é então um predicado adicionado a um sujeito previamente constituído, | ||
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| + | * Portata ontológica do ser-no-mundo e distinção em relação ao existir de fato do Dasein | ||
| + | * Se a transcendência constitui a essência da subjetividade do Dasein e se ser-no-mundo é a determinação mesma da transcendência, | ||
| + | * O Dasein é contingente e, portanto, o existir de fato não pode ser considerado como essencial, do mesmo modo que o encontrar-se de fato não é exclusivo do Dasein, mas pertence a todo ente. | ||
| + | * Ser-no-mundo possui portata ontológica que diz respeito à essência do Dasein independentemente do existir efetivo, e esse existir efetivo é possível apenas porque o Dasein, em sua essência, é ser-no-mundo. | ||
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| + | * O encontrar-se de fato entre os entes como possibilitado pela transcendentalidade do ser-no-mundo | ||
| + | * O encontrar-se entre os demais entes é ontologicamente possibilitado pela transcendentalidade do ser-no-mundo. | ||
| + | * O encontrar-se de fato é possível sobre o fundamento da não potência, isto é, da nulidade, do ser-no-mundo, | ||
| + | * Assim, o ser-no-mundo é afirmado como condição ontológica de possibilidade do estar de fato no mundo, e não como descrição empírica desse estar. | ||
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