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| estudos:schurmann:schurmann-me-28-45-que-significa-ser-virgem-pp1-3 [15/01/2026 20:13] – created - external edit 127.0.0.1 | estudos:schurmann:schurmann-me-28-45-que-significa-ser-virgem-pp1-3 [17/01/2026 13:27] (current) – mccastro |
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| //Resumo de SCHÜRMANN, Reiner. Maitre Eckhart ou la joie errante. Paris: Denoël, 1972, p. 28-48 | //Resumo de SCHÜRMANN, Reiner. Maitre Eckhart ou la joie errante. Paris: Denoël, 1972, p. 28-48 |
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| Comentário sobre o [Sermão II->43] §§1-3// | Comentário sobre o Sermão II §§1-3// |
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| **//Que significa ‘ser virgem’? ([§1->43#P1])**// | **//Que significa ‘ser virgem’? (§1)**// |
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| O título e sua tradução: Tradução problemática do latim para o alemão, por ser relaxada (intravit por "subia" adiciona uma nuance, fora do texto); "Jesus" se torna "Nosso Senhor Jesus Cristo"; o ativo da versão latina, excepit, se torna passivo, "foi recebido"; a menção da domus está omissa da tradução, e de modo errôneo: mulier quaedam, Martha nomine não significa "uma virgem que era mulher" (virgem se refere à mulher ou a Marta?); a equivalência entre "Marta" e "mulher" - mais precisamente "mestra da casa" - pode estar se referindo a exegese tradicional; nos sermões de Eckhart a aproximação entre nomes bíblicos e conceitos filosóficos são frequentes (segundo Eckhart: em interpretando a Escritura importa sempre fazer eclodir o sentido oculto sob a letra" (Prólogo do Liber porabolarum Genesis). | O título e sua tradução: Tradução problemática do latim para o alemão, por ser relaxada (intravit por "subia" adiciona uma nuance, fora do texto); "Jesus" se torna "Nosso Senhor Jesus Cristo"; o ativo da versão latina, excepit, se torna passivo, "foi recebido"; a menção da domus está omissa da tradução, e de modo errôneo: mulier quaedam, Martha nomine não significa "uma virgem que era mulher" (virgem se refere à mulher ou a Marta?); a equivalência entre "Marta" e "mulher" - mais precisamente "mestra da casa" - pode estar se referindo a exegese tradicional; nos sermões de Eckhart a aproximação entre nomes bíblicos e conceitos filosóficos são frequentes (segundo Eckhart: em interpretando a Escritura importa sempre fazer eclodir o sentido oculto sob a letra" (Prólogo do Liber porabolarum Genesis). |
| **//Um novo comércio com as coisas (§§2-3)**// | **//Um novo comércio com as coisas (§§2-3)**// |
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| O desapego ou a "não identificação" ([segundo->43#P2] e [terceiro->43#P3] parágrafos do [SERMÃO II de Eckhart->43]). | O desapego ou a "não identificação" (segundo e terceiro parágrafos do SERMÃO II de Eckhart). |
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| O termo-chave do [segundo parágrafo->43#P2] é eigenschaft, apego, podendo significar também propriedade. Se apegar às imagens, como a uma propriedade, deixa o espírito estupefato e cria obstáculo à recepção. | O termo-chave do segundo parágrafo é eigenschaft, apego, podendo significar também propriedade. Se apegar às imagens, como a uma propriedade, deixa o espírito estupefato e cria obstáculo à recepção. |
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| Logo a oratória de Eckhart faz lembrar o "Hino à caridade" (agape; 1Co 13:1-13) em São Paulo, levando de imediato a seu ponto principal: eis quão grande deve ser o Desapego daquele que quer ser livre e liberado como era em sua preexistência e como é em seu intelecto (nous). Qualquer que seja minha ciência, posso me tornar "virgem", pois todo meu saber não impediria a acolhida de Jesus em mim senão na medida que possua esta ciência com avidez. O apego fere a liberdade. Vê-se: o que cria obstáculo ao espírito e se opõe à virgindade espiritual, não são as representações como tais, mas o apego às representações. | Logo a oratória de Eckhart faz lembrar o "Hino à caridade" (agape; 1Co 13:1-13) em São Paulo, levando de imediato a seu ponto principal: eis quão grande deve ser o Desapego daquele que quer ser livre e liberado como era em sua preexistência e como é em seu intelecto (nous). Qualquer que seja minha ciência, posso me tornar "virgem", pois todo meu saber não impediria a acolhida de Jesus em mim senão na medida que possua esta ciência com avidez. O apego fere a liberdade. Vê-se: o que cria obstáculo ao espírito e se opõe à virgindade espiritual, não são as representações como tais, mas o apego às representações. |
| Uma única coisa importa: relaxar a empresa exercida sobre as coisas, e se despossuir. Deixar aí todo apego e receber em troca a Serenidade — atingida isto serei livre como era quando não era. A via de Mestre Eckhart é a via do Desapego. | Uma única coisa importa: relaxar a empresa exercida sobre as coisas, e se despossuir. Deixar aí todo apego e receber em troca a Serenidade — atingida isto serei livre como era quando não era. A via de Mestre Eckhart é a via do Desapego. |
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| [Esse mesmo parágrafo->43#P3] estabeleceu um elo entre o que Eckhart chama o apego, e a temporalidade. O homem apegado às coisas está disposto entre um antes e um depois, habita a duração, enquanto que o desapego é uma questão de «este atual agora» (que dizem "gegenwertigen nû"). O homem desapegado habita o instante. Depois é uma questão de «o que faço ou não faço», isto é das obras. As obras são colocadas em paralelo com as representações intelectuais: para umas e para outras pode-se considerar como a uma propriedade. Ter uma cultura, empreender obras: uma e outra fazem obstáculo tanto quanto esta cultura e essas obras são adquiridas ou executadas na duração, isto é projetadas, realizadas, possuídas. O «antes» de uma obra é seu projeto (mais adiante se encontrará a expressão «obras premeditadas»), o «depois», sua recompensa. Projeto e recompensa são marcas de propriedade e não podem ser conformes à «vontade muito amada de Deus». A duração é o modo de temporalidade correspondente ao apego. | Esse mesmo parágrafo estabeleceu um elo entre o que Eckhart chama o apego, e a temporalidade. O homem apegado às coisas está disposto entre um antes e um depois, habita a duração, enquanto que o desapego é uma questão de «este atual agora» (que dizem "gegenwertigen nû"). O homem desapegado habita o instante. Depois é uma questão de «o que faço ou não faço», isto é das obras. As obras são colocadas em paralelo com as representações intelectuais: para umas e para outras pode-se considerar como a uma propriedade. Ter uma cultura, empreender obras: uma e outra fazem obstáculo tanto quanto esta cultura e essas obras são adquiridas ou executadas na duração, isto é projetadas, realizadas, possuídas. O «antes» de uma obra é seu projeto (mais adiante se encontrará a expressão «obras premeditadas»), o «depois», sua recompensa. Projeto e recompensa são marcas de propriedade e não podem ser conformes à «vontade muito amada de Deus». A duração é o modo de temporalidade correspondente ao apego. |
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| A temporalidade do desapego, o instante, aniquila o projeto tanto quanto a recompensa. Não é senão ele próprio. Qualquer que seja minha ciência e quaisquer que sejam minhas obras, se nesse instante atual onde me entrego eu disponho como se não dispusesse disso, se sou livre e acessível à seu olhar como se estivesse na origem, então sou verdadeiramente desapegado. É em «esse agora» sempre novo que sobrevém e se verifica o desprendimento. | A temporalidade do desapego, o instante, aniquila o projeto tanto quanto a recompensa. Não é senão ele próprio. Qualquer que seja minha ciência e quaisquer que sejam minhas obras, se nesse instante atual onde me entrego eu disponho como se não dispusesse disso, se sou livre e acessível à seu olhar como se estivesse na origem, então sou verdadeiramente desapegado. É em «esse agora» sempre novo que sobrevém e se verifica o desprendimento. |
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