estudos:schurmann:1996-12-14-nossa-adicao-fantasmatica:start
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Both sides previous revisionPrevious revision | |||
| estudos:schurmann:1996-12-14-nossa-adicao-fantasmatica:start [16/01/2026 06:12] – mccastro | estudos:schurmann:1996-12-14-nossa-adicao-fantasmatica:start [Unknown date] (current) – removed - external edit (Unknown date) 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| - | ====== Schürmann (1996: | ||
| - | |||
| - | < | ||
| - | |||
| - | Subtrair o fantasma para que apenas essa montanha, essa nuvem, permaneça, parece que não podemos. Nas análises que se seguem, tomo Nietzsche literalmente: | ||
| - | |||
| - | Essas análises são principalmente históricas. Elas retomam um debate que já tem mais de um século, relativo a eras e aos limites que as separam. Mas, em vez de construir eras e suas transições — momentos da mente objetiva, constelações de ser veladas e reveladas, dispositivos epistêmicos de conhecimento-poder... — achei que seria útil ler as línguas que a filosofia ocidental tem falado desde seu nascimento. Na melhor das hipóteses, os filósofos tentaram não se deixar levar pelas modas passageiras do senso comum; mas nenhum pensamento jamais resistiu a ser levado por sua linguagem. Longe de dominar a linguagem, o conceito vive dela. Ele nasce das palavras. Será que cada um dos principais idiomas de nossa história não instituiu sua própria realidade fantasmática? | ||
| - | |||
| - | A modéstia da leitura, entretanto, é acompanhada por uma ambição inevitável. Se você quiser obter respostas relevantes da tradição, terá de submetê-la a perguntas difíceis. Nas análises que se seguem, tentarei descobrir quais regimes as últimas instâncias impuseram em suas respectivas eras linguísticas. Os fantasmas se apresentam como uma realidade diferente. “Ali, aquela montanha! Ali, aquela nuvem! Basta subtrair o fantasma dela...”, e o ‘real’ desaparecerá imediatamente. Não é assim que achamos que devemos seguir em frente? O conflito entre uma determinada formação geológica e a posição comum sob a qual classificamos todos os picos do mundo é mantido e ativado pela linguagem cotidiana. Nossa linguagem cotidiana não nos engana naturalmente quando chamamos o Matterhorn e o Everest de “montanhas”? | ||
| - | |||
| - | Entre o singular dado e sua representação comum, o conflito é, na melhor das hipóteses, declarado em estratégias de raciocínio. É aí, em vez de na gramática da vida cotidiana, que vou buscá-lo. As leituras que farei mostrarão como o “acréscimo humano” que não podemos deixar de fazer difere do dado que não podemos não deixar. A filosofia, se for a profissão do conceito, exacerba o impulso em direção ao fantasma que toda frase comum apresenta como real. O que será necessário para deixar sóbrios os falsos sóbrios que somos assim que formulamos uma afirmação? | ||
| - | |||
| - | ---- | ||
| - | |||
| - | *PS: SCHÜRMANN, Reiner. Des hégémonies brisées. Mauvezin: Ed. Trans-Europ-Repress, | ||
| - | |||
| - | {{indexmenu> | ||
