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estudos:schalow:schalow-fsib-subjetividade-do-sujeito

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 +====== Subjetividade do sujeito (FSIB) ======
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 +//Data: 2025-06-11 06:00//
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 +FSIB
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 +O questionamento heideggeriano da tecnologia caminha lado a lado com uma crítica à subjetividade do sujeito. A vontade de dominação e controle exige a interposição do homem como sujeito no centro dos entes; através dessa centralidade do sujeito, a humanidade encontra em sua própria capacidade de representar os entes como objetos um padrão para determinar seu valor (utilidade, sobrevivência, conveniência). Ironicamente, quanto mais abrangente se torna essa tendência à objetificação, mais "subjetivamente" os entes aparecem em termos dos desejos e necessidades flutuantes da sociedade. O antropologismo e o humanismo tornam-se então extensões naturais do fim e consumação da metafísica.
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 +Mas será que uma crítica à subjetividade do sujeito, à sua interposição no centro dos entes, leva ao abandono do próprio conceito de identidade? Ou antes redescobrimos o si-mesmo, por assim dizer, deslocado dessa posição central? A resposta seria então redefinida em termos daquilo em relação ao qual aparece o mais exterior, o ser como tal na dinâmica de seu ocultar-revelar, em vez de através da fixidez da mesmidade como coincidência de sua própria identidade.
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 +Na medida em que essa transformação ocorre, ela toma sua referência de um desenvolvimento que acontece através do próprio ser, e não apenas de um fim que o sujeito posiciona como valioso. Ao fazer uma de suas observações mais explícitas sobre a "virada", Heidegger afirma em sua "Carta" ao Padre Richardson: "O homem aqui não é objeto de qualquer antropologia. O homem vem à questão aqui na perspectiva mais profunda e ampla, verdadeiramente fundamental: o homem em sua relação com o ser — isto é, na virada; o ser (Seyn) e sua verdade em relação ao homem."
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 +A virada explicita o que já está acontecendo com a analítica existencial do Dasein, ou seja, reexaminar e deslocar o eixo da identidade do eu para incluir sua participação no desvelamento. Como ser, o eu humano depende do desvelamento. Portanto, é sempre em relação ao ser como desocultamento que o eu pode encontrar sua identidade. É como se, em sua busca por identidade, o eu se voltasse para cá e para lá, sem direção, mas sempre no dilema de procurar uma. Paradoxalmente, quanto mais voluntariosa se torna essa busca, mais o indivíduo se enreda na teia da decadência, como testemunha a fuga do eu para a adição.
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 +Uma bússola de direção só pode ser dada através da relação de reciprocidade com a qual o eu se relaciona com o ser. Uma direção é assim concedida, em vez de imposta, de acordo com o "para onde" (worauf) do surgimento do eu na abertura, o êxtase de seu movimento de vir a ser ele mesmo. O eu se torna então participante da dinâmica do surgir, do vir à presença que, como Heidegger enfatiza em sua palestra de 1942 sobre Aristóteles, transpõe o ser humano para seu lugar na natureza.
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 +Mas como entender essa "direção"? Obviamente, a direção não pode ser simplesmente linear, o que implicaria o foco orientado para objetivos da tecnologia. Um exemplo possível vem da enteléquia dos animais, na qual a essência se realiza através de um processo de crescimento e maturação. Porém, essa direção para frente é modificada por um movimento para trás ou retorno às origens quando, por exemplo, através do ato de reprodução, um animal adulto transmite seus genes à prole.
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 +O vir à presença do ser humano é distinto, na medida em que explicita o contramovimento do ausentar-se, no qual a tensão desses contrários cria uma abertura que inclui os vetores do desvelamento do mundo (transcendência) bem como uma afinidade com a terra. E como presença-ausência é outro nome para temporalização, o eu encontra sua direção em harmonia com o ritmo que a temporalidade realiza, como ilustrado, por exemplo, na frase bíblica "para tudo há uma estação".
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 +Como David Wood afirma: "Na medida em que as coisas carregam e incorporam ritmos, pulsos de desenvolvimento temporal, elas formam parte de um campo múltiplo e estratificado no qual esses ritmos interagem, interpenetram, interferem uns com os outros, tornam-se localmente coordenados e assim por diante." A temporalidade determina a oportunidade do momento, não segundo um modelo linear de conveniência, mas em termos de um movimento elíptico no qual qualquer avanço depende de um retorno às (suas) origens.
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 +Assim, é pensando o modo como tal temporalidade governa a gênese do eu, e não o contrário, que se pode abordar a possibilidade da identidade fora do modelo tecnológico de subjetividade. Encontramos primeiro esse novo experimento de repensar a possibilidade da identidade em Contribuições à Filosofia (GA65).
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