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| + | ====== NOÇÃO ANÔMALA DE MUNDO DE SCHELER ====== | ||
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| + | Ao aludir ao caráter distintivo de uma disposição, | ||
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| + | Nesse caminho, Heidegger desenvolve sua visão de transcendência como o evento pelo qual o Dasein ultrapassa o ser-na-totalidade em direção ao próprio mundo. O mundo emerge como o aspecto dinamicamente unificador que reúne todas as possibilidades do Dasein para que possam ser descarregadas em situações específicas. Como tal, o mundo surge com a elevação do Dasein em direção ao que governa a administração de todas as possibilidades – a atuação do cuidado (Sorge) – como um lançar adiante “aquilo em favor de” (das Umwillen) de tal forma que se diz que o eu “projeta o mundo”. Heidegger mostra assim que o mundo não pode mais ser apreendido simplesmente como um agregado de entes ou mesmo como um complexo instrumental da maneira que Arendt critica; esse fenômeno deve, em vez disso, ser visto como cultivador do espaço de envolvimento humano através do qual as preocupações práticas mais básicas (mesmo aquelas especulações dirigidas aos mais altos princípios do conhecimento) se tornam possíveis pela primeira vez. Assim, Heidegger aponta para uma conjunção mais original entre teoria e práxis do que Scheler sequer imaginou. Para Heidegger, o desdobramento desse espaço através do projeto do mundo implica “liberdade”, | ||
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| + | Colocando de uma forma que alinha a análise da transcendência de Heidegger com a discussão de Scheler, é à medida que o homem atravessa o intervalo entre sua situação e o horizonte que se afasta do mundo que ele pode refazer o caminho ao longo do qual os entes emergem. Enquanto Scheler, de forma bastante oblíqua, colocou a questão dos fundamentos ao discernir o “lugar do homem na natureza (der Kosmos)” único, Heidegger indica que é realmente a maneira pela qual a finitude humana é parte integrante do desvelamento do mundo que leva o homem a abordar como os entes se originam. Consequentemente, | ||
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| + | Aqui reside o fruto da percepção que, como vimos pela primeira vez no final do Capítulo 1, permitiu a Heidegger superar a postura ôntica da antropologia filosófica de Scheler. Essencial para esse avanço é a capacidade de Heidegger de extrair a preocupação ontológica mais profunda latente em uma apreensão de fundamentos, | ||
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| + | O prefiguramento da retomada de Kant por Heidegger, como vimos, ocorre primeiro em sua defesa da noção de respeito de Kant em oposição às objeções de Scheler. Ao descobrir como essa retomada se torna vital para o desenvolvimento do projeto de Heidegger, chegamos à parte final desta discussão, a necessidade de recuperar a fenomenologia por meio de uma crítica histórica mais profunda da metafísica. Essa crítica decorre do que mais nitidamente contrasta com a orientação racionalista ao juízo, sinalizando cada vez mais decisivamente um retorno às raízes pré-predicativas e factuais do significado e da experiência, | ||
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