estudos:salanskis:1997-58-60-realizacao-hermeneutica:start
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| + | ====== Realização hermenêutica ====== | ||
| + | JMS1997: | ||
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| + | Do ponto de vista da nossa reflexão sobre Heidegger, a Ciência e o pensamento, duas observações são naturais. | ||
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| + | Por um lado, a identificação da origem da hermenêutica como uma prescrição deveria ter aproximado a ideia que Heidegger tinha dela da ciência formal: esta, na altura em que ele escrevia, abraçava cada vez com menos reserva uma modalidade axiomática, | ||
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| + | Por outro lado, e do mesmo modo, ao encarar a realização hermenêutica como “fala da palavra”, no contexto daquilo a que se chamou a sua viragem linguística, | ||
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| + | Algumas pistas sugerem uma resposta a esta questão, tal como à que foi colocada na primeira das nossas observações. | ||
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| + | Em Was heisst denken , por exemplo, Heidegger explica que temos de conseguir traduzir a palavra de Parménides χρὴ τὸ λέγειν τε νοεῖν τ' ἐὸν ἔμμεναι 'para grego' | ||
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| + | É claro que o que é dito é precisamente a palavra da duplicidade. O texto caracteriza-a como algo que deve ser “visto” e não algo que deve ser “ouvido” primeiro, de acordo com uma concepção “presentativa” e não “obrigatória” do sentido, da qual Heidegger nunca quis sair. Todo o sentido será dito primeiro para ser propriamente “visto”. Mas Heidegger também quer que este ver seja um ouvir. É mesmo porque o “sentido” da palavra da duplicidade é o de um pedido, porque o anúncio da hermenêutica é a assunção do pedido que emana da duplicidade, | ||
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| + | No entanto, Heidegger faz tudo para que o “ver” assim comprometido com o “ouvir” nunca descambe naquilo que acompanha necessariamente todo o ouvir, uma vez que o discurso de quem ouve nunca está discursivamente isolado (não há um ouvir solipsista): | ||
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| + | Podemos ler a impossibilidade de restituir o olhar a partir da nomeação como um obstáculo levantado contra a abordagem formal, talvez conscientemente, | ||
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| + | O elemento conceitual que emerge da exploração desta primeira pista é a insistência de Heidegger na singularidade da relação hermenêutica, | ||
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| + | Segundo indício: em //De uma conversa sobre a linguagem// , Heidegger regressa ao uso da palavra Bezug para qualificar a “relação” do homem à duplicidade, | ||
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| + | Isto é tudo para o lado negativo. E a interpretação correta do Bezug vem um pouco mais adiante: | ||
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| + | Aqui, o ponto de vista da Logística sobre a relação, por estranho que pareça, é reduzido a um ponto de vista comercial. | ||
