| Para ele , o modelo de toda a estranheza [^?Unheimlichkeit], a estranheza da referência, é o do Ser em relação ao ente. O Ser, enquanto acontecimento, dádiva, significado, é “absolutamente outro” que cada ente, embora esteja oculto nele — a nossa relação com o Ser é necessariamente obscurecida pela nossa relação com o ente. A compreensão da estranheza é, pois, antes de mais, essencialmente, a compreensão da “[diferença ontológica->diferenca-ontologica]” entre o Ser e o ente. Mas desta diferença propriamente dita a autenticidade só é acessível no elemento da transcendência: este novo termo técnico do heideggerianismo designa o “sair-de-si” que o [[lx>Dasein]] fundamentalmente é. Para Heidegger, o problema filosófico husserliano, que é também o problema de uma certa epistemologia (como pode o [[lx>sujeito]], no encerramento da sua experiência e da sua linguagem, alcançar, conhecer o mundo exterior, o em-si fora de si mesmo) é um falso problema: o “sujeito” já saiu sempre de si mesmo, já é sempre [[lx>ser-no-mundo]], e é isto que Heidegger quer recordar-nos ao falar de Dasein em vez de sujeito. Finalmente, para completar esta apresentação sumária do pensamento de Heidegger, a transcendência, o ser-fora-de-si do Dasein, é essencialmente temporalização [^?Zeitlichkeit]: o “sair-de-si” é modulado em três [[lx>ek-stases]], correspondentes às três dimensões classicamente atribuídas ao tempo: | Para ele , o modelo de toda a estranheza [^?Unheimlichkeit], a estranheza da referência, é o do Ser em relação ao ente. O Ser, enquanto acontecimento, dádiva, significado, é “absolutamente outro” que cada ente, embora esteja oculto nele — a nossa relação com o Ser é necessariamente obscurecida pela nossa relação com o ente. A compreensão da estranheza é, pois, antes de mais, essencialmente, a compreensão da “diferença ontológica” entre o Ser e o ente. Mas desta diferença propriamente dita a autenticidade só é acessível no elemento da transcendência: este novo termo técnico do heideggerianismo designa o “sair-de-si” que o [[lx>Dasein]] fundamentalmente é. Para Heidegger, o problema filosófico husserliano, que é também o problema de uma certa epistemologia (como pode o [[lx>sujeito]], no encerramento da sua experiência e da sua linguagem, alcançar, conhecer o mundo exterior, o em-si fora de si mesmo) é um falso problema: o “sujeito” já saiu sempre de si mesmo, já é sempre [[lx>ser-no-mundo]], e é isto que Heidegger quer recordar-nos ao falar de Dasein em vez de sujeito. Finalmente, para completar esta apresentação sumária do pensamento de Heidegger, a transcendência, o ser-fora-de-si do Dasein, é essencialmente temporalização [^?Zeitlichkeit]: o “sair-de-si” é modulado em três [[lx>ek-stases]], correspondentes às três dimensões classicamente atribuídas ao tempo: |
| <quote>“O tempo é em si mesmo, como futuro, como ter sido e como presente, extático. O Dasein, como futuro, é extático na direção do seu poder-ser, como passado, na direção do seu ter sido, como presentificação, na direção de um outro ente.” [GA24:321]</quote> | <quote>“O tempo é em si mesmo, como futuro, como ter sido e como presente, extático. O Dasein, como futuro, é extático na direção do seu poder-ser, como passado, na direção do seu ter sido, como presentificação, na direção de um outro ente.” [GA24:321]</quote> |