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| + | ====== Husserl e Heidegger ====== | ||
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| + | //Data: 2022-02-06 19:44// | ||
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| + | ==== Heidegger. Um mestre da Alemanha entre o bem e o mal. ==== | ||
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| + | === Capítulo V === | ||
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| + | Quando Edmund Husserl foi a Freiburg em 1916, a fama da fenomenologia ainda não saíra do campo da filosofia especializada. Mas poucos anos depois, nos primeiros anos do pós-guerra, | ||
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| + | O que o grupo de Stefan George Kreis fora na arte, era, quanto ao estilo de grupo, o movimento fenomenológico na filosofia. Os dois círculos queriam rigor, disciplina e pureza [Strenge, Zucht und Reinheit]. | ||
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| + | “Vamos à questão!” [Zu den Sachen! - Ir às coisas] — era a divisa dos fenomenólogos. Mas o que era a questão [die Sache - a coisa]? | ||
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| + | Era considerada oculta e perdida na floresta dos preconceitos, | ||
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| + | “Perdi inteiramente”, | ||
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| + | O que lhe rouba a fala é a evidência muda, inesgotável, | ||
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| + | Os fenomenólogos partilhavam com Hofmannsthal a certeza de que antes de tudo era preciso reaprender o verdadeiro alfabeto da percepção [Wahrnehmung]. Era preciso antes de mais nada esquecer tudo o que até ali fora dito e reencontrar a linguagem da realidade [Wirklichkeit]. Para os primeiros fenomenólogos porém devia ser reconquistada antes de tudo a realidade da consciência [Bewußtseinswirklichkeit] e, só através dela, também a realidade externa [äußere Wirklichkeit]. | ||
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| + | Os fenomenólogos eram modestos de maneira imodesta, pois acusavam os filósofos em torno de construírem seus sistemas sem fundamento. A consciência [Bewußtsein] não estava suficientemente reconhecida, | ||
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| + | Husserl foi o iniciador do movimento. Exortava seus alunos a serem rigorosos: “Não devemos nos considerar bons demais para trabalhar nos fundamentos” costumava dizer. Os alunos deviam considerar uma honra serem operários “nas vinhas do Senhor” [Weinberg des Herrn], e não se definia que “Senhor” era aquele. Pensemos no espírito da humildade e da ascese, da honestidade e da pureza — que nos fenomenólogos por vezes também era chamada “castidade” [Keuschheit] e não pode mais ser considerado acaso que alguns dos fenomenólogos mais tarde se tornassem muito devotos. O mais destacado exemplo é Edith Stein, agora canonizada. Ela “serviu” [diente], era a expressão que usava — à fenomenologia nos primeiros anos de Göttingen, antes de 1914; entre 1916 e 1918 foi assistente de Husserl em Freiburg, nos anos vinte converteu-se à fé católica, por fim entrou no convento, de onde os nazistas a tiraram, matando-a em Auschwitz por ser judia. | ||
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| + | A fenomenologia era um projeto, disse o discípulo de Husserl, Adolf Reinach, “que precisava do trabalho de séculos para ser executado”. Quando Husserl morre em 1938, deixa um maço de quarenta mil páginas manuscritas inéditas. E comparação com isso sua obra publicada em vida parece modesta. Depois das Investigações lógicas, de 1901, dois livros fundamentaram sua fama e ajudaram sua filosofia a se impor: Filosofia como ciência rigorosa, de 1910, e o primeiro volume (único publicado em sua vida) das Ideias sobre uma fenomenologia pura e filosofia fenomenológica, | ||
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| + | Em seus audaciosos sonhos, confiados ao diário, Husserl imaginara que o futuro da filosofia pudesse continuar tecendo o que ele iniciara. Repetia sempre que era um “iniciador” [Anfänger]. E foi isso, também na lida com sua própria obra. Quando queria aprontar para publicação um manuscrito realizado há algum tempo, começava a reescrever todo o texto, para desespero de seus assistentes que tinham de ajudar nisso. E também sempre recomeçava com seu próprio pensar, portanto era-lhe difícil fazer valer o que escrevera. A consciência, | ||
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| + | Husserl, nascido na Morávia em 1859, crescendo em condições judaico-burguesas sólidas na monarquia do Danúbio, marcado por um tempo em que a “sensação de segurança... era o bem mais desejável, o ideal de vida comum” (Stefan Zweig), estudara matemática porque essa ciência lhe parecia confiável e exata. Depois percebera que também a matemática precisava de ser fundamentada. O fundamental, | ||
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