estudos:safranski:heidegger-24
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| + | ====== Debate Público de 1965 ====== | ||
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| + | RSH | ||
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| + | * Contexto e Antagonistas da Conversa Radiofônica | ||
| + | * Ocorrência de um debate público em 1965 entre Arnold Adorno e Arnold Gehlen, assumindo papéis alegóricos opostos. | ||
| + | * Gehlen posiciona-se como o " | ||
| + | * Posição de Gehlen: A Crítica à Universalização da Emancipação | ||
| + | * Interrogação sobre a pertinência de impor a todos os homens o peso da reflexão filosófica e da autodeterminação. | ||
| + | * Argumento central de que a exigência de emancipação total desconsidera os erros existenciais e a tendência humana ao formalismo. | ||
| + | * Conclusão pragmática de que tal exigência pertence a uma " | ||
| + | * Posição de Adorno: A Defesa da Reflexão como Condição de Felicidade Objetiva | ||
| + | * Resposta afirmativa à necessidade universal de reflexão e autodeterminação. | ||
| + | * Tese de que o bem-estar sem responsabilidade é uma mera aparência, destinada a um colapso catastrófico. | ||
| + | * Diagnóstico da exoneração como reação a gravames sociais historicamente constituídos, | ||
| + | * Denúncia do mecanismo de " | ||
| + | * Conclusão do Debate e Visões da Catástrofe | ||
| + | * Réplica final de Gehlen, alertando para o perigo de criar insatisfação com os resquícios de ordem existentes. | ||
| + | * Base comum não declarada: ambos os filósofos compartilham a premissa de que "o todo é o falso" e a situação global é catastrófica. | ||
| + | * Diferença radical nas prescrições: | ||
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| + | === A Catástrofe como Pano de Fundo: Coexistência da Crítica e do Conformismo === | ||
| + | * A Catástrofe como Condição Estável e Invisível | ||
| + | * Paradoxo de uma catástrofe fundamental que não é alarmante e com a qual se pode viver bem. | ||
| + | * Diagnóstico convergente de Adorno, Gehlen e Heidegger sobre a natureza catastrófica da totalidade social moderna. | ||
| + | * Explicações Diferenciais para a Invisibilidade da Catástrofe | ||
| + | * Adorno: A alienação é dupla; os homens estão alienados e perderam a consciência de sua alienação. | ||
| + | * Gehlen: A civilização é precisamente a catástrofe em um estado no qual ela se tornou habitável. | ||
| + | * Heidegger: O " | ||
| + | * O Discurso da Catástrofe nos Anos 50 e 60 | ||
| + | * Coexistência pacífica entre o discurso catastrofista da crítica cultural e o otimismo prático da reconstrução e do bem-estar na República Federal. | ||
| + | * A crítica atua como um acompanhamento em "modo menor" para a atividade alegre da sociedade de prosperidade. | ||
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| + | === Participação Paradoxal no Sistema Crítico === | ||
| + | * As Aporias da Própria Posição Crítica | ||
| + | * Gehlen utiliza meios intelectuais para proteger a sociedade dos intelectuais e da reflexão crítica. | ||
| + | * Adorno, ao pintar o horror da alienação capitalista, | ||
| + | * Heidegger recusa o discurso edificante sobre a técnica, mas o faz através de uma linguagem que ela mesma é edificante. | ||
| + | * Recepção Estetizante da Crítica Fundamental | ||
| + | * Crítica que recusa a politização direta e a religião é inevitavelmente recebida sob um prisma estético. | ||
| + | * Exemplo: A proposta de ingresso de Heidegger na Academia de Belas Artes de Berlim, justificado por sua obra como " | ||
| + | * Consequência: | ||
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| + | === A Influência de Heidegger e o " | ||
| + | * Ampliação da Influência para Além da Universidade | ||
| + | * A influência de Heidegger se estende a " | ||
| + | * Uso de sua terminologia proporciona uma linguagem de comoção com reputação acadêmica, servindo como sucedâneo espiritual. | ||
| + | * Análise de Adorno do " | ||
| + | * Diagnóstico do jargão como linguagem estandardizada dos " | ||
| + | * Mecanismo do jargão: Palavras como " | ||
| + | * Função ideológica: | ||
| + | * Contexto Histórico e Declínio do Jargão | ||
| + | * O jargão prosperou na era patriarcal de Adenauer, mas seu tempo havia passado quando o livro de Adorno foi publicado. | ||
| + | * Ascensão de uma nova objetividade, | ||
| + | |||
| + | === A Crítica de Adorno a Heidegger: Fascismo e Proximidade Filosófica === | ||
| + | * A Suspeita de Continuidade Fascista | ||
| + | * Tese central de Adorno: A sobrevivência do nazismo dentro da democracia é mais perigosa que o fascismo aberto. | ||
| + | * O anticomunismo do pós-guerra permitiu a reabilitação de elites nazistas e manteve impulsos autoritários. | ||
| + | * Experiência pessoal de Adorno com antissemitismo e difamação no ambiente acadêmico de Frankfurt. | ||
| + | * Ameaça da Proximidade Filosófica e o Ressentimento | ||
| + | * Além da crítica política, há uma ameaçadora proximidade filosófica entre Adorno e Heidegger. | ||
| + | * Ressentimento de Adorno frente à ignorância de Heidegger pela sociologia e psicanálise, | ||
| + | * Inveja implícita pela falta de vergonha de Heidegger em expressar intenções metafísicas diretamente. | ||
| + | * Estratégia de Adorno: A Dança Filosófica do Véu | ||
| + | * Adorno torna-se mestre da mediação indireta, criticando a " | ||
| + | * Sua metafísica só se expressa sob proteção de reflexões intrincadas e através do arte. | ||
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| + | === Proximidades Filosóficas no Diagnóstico da Modernidade === | ||
| + | * Diagnósticos Convergentes da Doença Moderna | ||
| + | * Heidegger: A " | ||
| + | * Adorno e Horkheimer: A violência sobre a natureza exterior retorna como coação sobre a natureza interior do homem. | ||
| + | * Conceito comum: O princípio de poder e dominação conduz à alienação e à catástrofe. | ||
| + | * Auschwitz como Ponto de Convergência Implícita | ||
| + | * Para Adorno, o extermínio é a " | ||
| + | * Para Heidegger, a fabricação industrial de cadáveres nas câmaras de gás é da mesma essência que a agricultura motorizada. | ||
| + | * Ambos veem Auschwitz como um crime típico da modernidade técnica e da vontade de poder. | ||
| + | * Estratégias Diferentes de Superação | ||
| + | * Heidegger: Um " | ||
| + | * Adorno: O " | ||
| + | * Crítica de Adorno a Heidegger: Acusa-o de cair no irracionalismo ao buscar superar imediatamente a separação sujeito-objeto. | ||
| + | |||
| + | === Lugares da Experiência Metafísica: | ||
| + | * A Busca por Lugares de Experiência Metafísica | ||
| + | * Para Adorno, a experiência metafísica já não está na totalidade ou na história, mas em micro-experiências e lembranças. | ||
| + | * Exemplo: A felicidade prometida por nomes de lugares como Otterbach, evocada na memória proustiana. | ||
| + | * Amorbach como Lugar da Metafísica Adorniana | ||
| + | * A pequena cidade de infância torna-se protótipo de uma beleza fundamental e lugar de preparação para o choque da modernidade. | ||
| + | * Funciona como um lugar real-imaginário análogo aos " | ||
| + | * A Senda do Campo como Lugar da Metafísica Heideggeriana | ||
| + | * Heidegger evoca a vereda campestre como lugar onde o mundo se outorga e Deus se torna Deus no "não falado" | ||
| + | * Polêmica de Adorno contra a Senda Heideggeriana | ||
| + | * Adorno desqualifica a evocação de Heidegger como "arte patriótica" | ||
| + | * A implicação nazista de Heidegger serve a Adorno para estabelecer uma distância filosófica através da denúncia política. | ||
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| + | === Ascensão e Transformação do Jargão Dialético === | ||
| + | * O Jargão da Dialética como Sucessora | ||
| + | * Após a polêmica contra Heidegger, ascende ao " | ||
| + | * Surge da tentativa de superar discursivamente a complexidade da realidade e encontrar o " | ||
| + | * Características da Dialética Adorniana e sua Vulgarização | ||
| + | * Em Adorno, a dialética negativa é um prodígio de sutileza, fiel à metafísica através da negação da negação. | ||
| + | * Vulgarização: | ||
| + | * Mudança de Paradigma e o Fim do Instituto | ||
| + | * Nos anos 1968, a dialética torna-se positiva e orientada para a práxis, o sujeito revolucionário e a emancipação. | ||
| + | * Este paradigma " | ||
| + | * O episódio marca o fim de uma época e contribui para a morte de Adorno. | ||
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| + | === O Heidegger Tardio: Defesa, Silêncio e Encontro com Celan === | ||
| + | * A Entrevista do "Der Spiegel" | ||
| + | * Condição de Heidegger: a publicação só após sua morte. | ||
| + | * Estratégia defensiva: minimiza seu papel revolucionário nacional-socialista, | ||
| + | * Recusa do papel de " | ||
| + | * Frase emblemática: | ||
| + | * O Problema do Silêncio de Heidegger | ||
| + | * Recusa em fazer uma confissão pública de arrependimento, | ||
| + | * Seu silêncio filosófico não é sobre Auschwitz (abordado implicitamente em sua crítica à modernidade), | ||
| + | * Falta de reflexão sobre " | ||
| + | * O Encontro com Paul Celan | ||
| + | * Atração mútua e relação tensa entre o poeta sobrevivente do Holocausto e o filósofo. | ||
| + | * Encontro em Todtnauberg (1967): esperança de Celan por uma " | ||
| + | * Ambiguidade da relação: atração filosófica e repulsa política, gestos de aproximação e de rejeição. | ||
| + | * O poema " | ||
| + | * Julgamento final de Heidegger sobre Celan: vê-o como " | ||
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