estudos:safranski:heidegger-12
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| + | ====== O Homem Problemático para Si Mesmo ====== | ||
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| + | RSH | ||
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| + | * A afirmação de Max Scheler em 1928 — de que pela primeira vez na história o homem se tornou completamente problemático para si mesmo, sabendo que não sabe o que é — sintetiza o diagnóstico filosófico do final da República de Weimar, marcado por um duplo aspecto: o despedaçamento em uma multiplicidade de ideologias em conflito e um desprezo pelo espírito. | ||
| + | * O primeiro aspecto é o " | ||
| + | * Como observa Hans Kelsen, a atitude democrática pressupõe um relativismo crítico, o que ofende aqueles que creem possuir a palavra redentora; o antiliberalismo torna-se forte, especialmente entre a juventude, que despreza o compromisso e a " | ||
| + | * O segundo aspecto é o " | ||
| + | * Diante dessa crise, Scheler propõe uma autorreflexão do espírito que assuma sua própria problematicidade como oportunidade para o nascimento de um novo Deus, não de apoio, mas da liberdade, surgindo de um humanismo solidário e cooperativo de todos os sujeitos culturais. | ||
| + | * [[sofia> | ||
| + | * Para Plessner, a essência do homem é a autodeterminação; | ||
| + | * Nesse contexto, Plessner critica Heidegger: sua ontologia fundamental contém um excesso de definições neutras e historicamente indiferentes da existência humana (como o conceito de historicidade), | ||
| + | * Plessner exige uma filosofia que, reconhecendo a "falta de solo do real", se situe nas " | ||
| + | * Essa filosofia deve abrir-se ao " | ||
| + | * Plessner conclui com uma segunda crítica a Heidegger: sua filosofia da propriedade aprofunda a cisão entre salvação da alma e poder público, fomentando um perigoso " | ||
| + | * Enquanto Plessner torna explícita essa politização, | ||
| + | * Em "Ser e Tempo", | ||
| + | * A crítica contemporânea (como a de Georg Misch) notou essa " | ||
| + | * O episódio da recusa da cátedra de Berlim em 1930 ilustra essa autoconsciência de crise: Heidegger sente que não está " | ||
| + | * Ele confessa a Jaspers ter " | ||
| + | * Essa exigência de que a filosofia se aproprie de seu tempo insere-se na tendência da época, exemplificada pelo debate em torno da sociologia do saber de Karl Mannheim, que propunha um pluralismo ontológico e um programa de distensão liberal ao reconhecer a " | ||
| + | * Heidegger rejeita veementemente essa abordagem: em suas lições sobre Platão (1931-32), equipara a sociologia do saber aos prisioneiros da caverna que acusam o filósofo libertador de ser " | ||
| + | * Para " | ||
| + | * No entanto, essa imersão gera um sentimento ambivalente: | ||
| + | * Ele oscila entre a sensação de força para um novo começo (colocando-se ao nível de Platão) e a de vazio, atormentado pela consciência de que, diante dos problemas urgentes do presente, ainda não tem nada de especial a dizer. | ||
| + | * A interpretação heideggeriana do mito da caverna de Platão é uma leitura " | ||
| + | * A " | ||
| + | * O critério para julgar esses projetos não é a precisão, mas se o ente se torna "mais ente", isto é, se se mostra em sua plenitude e riqueza vitais, o que ocorre através da " | ||
| + | * Na figura do filósofo libertador que deve ser " | ||
| + | * No entanto, esse filosofar autêntico é " | ||
| + | * Heidegger se vê, assim, como um " | ||
| + | * Essa busca culmina na ideia de " | ||
| + | * Profundamente imerso em Platão e oscilando entre o delírio das alturas e o desânimo, Heidegger está a caminho de encontrar sua função: ser o arauto de uma epifania histórico-política e filosófica, | ||
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