estudos:romano:romano-2018-uma-arqueologia-da-autenticidade
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| + | ====== Uma arqueologia da autenticidade (2018) ====== | ||
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| + | //Data: 2025-10-26 17:00// | ||
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| + | ==== Être soi-même ==== | ||
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| + | === Uma outra história da filosofia === | ||
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| + | * A constatação de uma revolução nas mentalidades e modos de vida desde o final da Segunda Guerra Mundial, levando ao aparecimento de um novo tipo de relação consigo caracterizado pela aspiração a dar à sua vida uma forma que reflita as suas próprias particularidades individuais. | ||
| + | * A democratização desta aspiração, | ||
| + | * A designação desta aspiração como " | ||
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| + | * A delimitação do objeto de estudo: uma investigação sobre as raízes filosóficas, | ||
| + | * O //terminus ad quem// conhecido: Rousseau como o primeiro a formular explicitamente o ideal de autenticidade pessoal. | ||
| + | * O aprofundamento desta ideia do Romantismo ao Existencialismo, | ||
| + | * A dificuldade em identificar as fontes históricas destas concepções e a carência de estudos abrangentes sobre a questão. | ||
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| + | * A análise do relativo descrédito dos " | ||
| + | * A crítica de Foucault que interpreta a busca de autenticidade como um prolongamento das técnicas de confissão e de averiguação cristãs, vistas como sujeitadoras e alienantes. | ||
| + | * A refutação desta desqualificação: | ||
| + | * A ambiguidade da posição de Foucault, cuja " | ||
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| + | * O reconhecimento de um renovado interesse pelo tema, graças a trabalhos como os de Lionel Trilling, Charles Taylor, Stanley Cavell, Charles Larmore e Bernard Williams. | ||
| + | * A contribuição de Taylor para reabilitar a autenticidade pessoal como um ideal legítimo e incontornável das sociedades democráticas contemporâneas. | ||
| + | * A afirmação de Bernard Williams: "Se há um tema que percorre todo o meu trabalho, é o da autenticidade e da expressão de si". | ||
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| + | * A constatação das limitações destes trabalhos, que tendem a considerar o ideal de autenticidade como algo relativamente simples e homogêneo, sem explorar a sua complexidade interna e ramificações históricas. | ||
| + | * A ausência de um estudo de conjunto que situe esta ideia numa longa duração, no cruzamento da história da filosofia, da espiritualidade cristã, da retórica ou da filosofia da arte. | ||
| + | * A antiguidade da ideia de levar uma vida de verdade, que remonta à própria filosofia, ilustrada pelo mito de Hércules na // | ||
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| + | * A análise da evolução semântica das principais línguas europeias, demonstrando que a ideia de verdade " | ||
| + | * Em grego, // | ||
| + | * Em latim, //verus// (" | ||
| + | * Em inglês, //true// deriva de palavras que significam " | ||
| + | * A conclusão: "A verdade é o lugar onde um ser coincide consigo mesmo, onde se declara no exterior tal como é no interior, antes mesmo de remeter para a adequação do pensamento com a realidade" | ||
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| + | * A distinção conceptual fundamental entre autenticidade e sinceridade. | ||
| + | * A autenticidade como uma sinceridade ou veracidade para consigo mesmo, e não para com os outros. | ||
| + | * A sinceridade como dizer o que se pensa; a autenticidade como //ser// o que se é. | ||
| + | * A ligação indissociável da autenticidade com a ideia de realização de si, de florescimento das suas próprias virtualidades. | ||
| + | * A citação de Goethe: "// | ||
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| + | * A explicitação dos pressupostos do ideal de autenticidade: | ||
| + | * A citação de Charles Taylor: " | ||
| + | * A citação de Emerson: " | ||
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| + | * A natureza mais exigente da autenticidade face à sinceridade clássica, e o problema do discernimento do que nos é próprio. | ||
| + | * A possibilidade de a sinceridade coexistir com ilusões sobre si mesmo, o que não é o caso da autenticidade. | ||
| + | * A questão de saber como é possível tal discernimento, | ||
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| + | * O potencial conflito entre a autenticidade e outras exigências éticas, como a integridade e a justiça. | ||
| + | * A possibilidade de uma autenticidade no mal, ilustrada pela figura de Vautrin, que assume lucidamente as suas torpezas. | ||
| + | * A consequência: | ||
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| + | * A análise etimológica e conceptual do termo " | ||
| + | * A etimologia grega de // | ||
| + | * O vínculo necessário entre verdade pessoal e existência em pessoa: "Só aquele que existe perante os outros numa forma de verdade sobre si é também ele mesmo, ou está chamado a sê-lo" | ||
| + | * A análise de Bernard Williams: a sinceridade desempenha um papel essencial não apenas na comunicação, | ||
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| + | * A refutação das críticas pós-estruturalistas e desconstrutivistas que proclamam a "morte da verdade" | ||
| + | * A identificação destas posições como uma retórica de desvalorização sistemática, | ||
| + | * A incoerência fundamental destas posições, que desacreditam o verdadeiro enquanto perseguem por toda a parte a impostura. | ||
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| + | * A consideração das críticas substantivas ao ideal de autenticidade, | ||
| + | * A associação do imperativo de autenticidade a uma " | ||
| + | * O aviso de Axel Honneth: o ideal de autorrealização foi instrumentalizado e padronizado a ponto de se inverter num sistema de exigências desumanizado. | ||
| + | * O risco de a autenticidade pessoal se ter tornado um logro, uma técnica de controlo ao serviço do "novo espírito do capitalismo" | ||
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| + | * A defesa da validade e do sentido do ideal de autenticidade, | ||
| + | * A rejeição da redução da autenticidade ao narcisismo ou ao hedonismo. | ||
| + | * A afirmação de que fazer a verdade sobre si é uma empresa difícil, que exige coragem e perseverança, | ||
| + | * A distinção entre o ideal de autenticidade e as manifestações mais superficiais do individualismo contemporâneo. | ||
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| + | * A definição da metodologia do presente trabalho como uma " | ||
| + | * A arqueologia como tentativa de desenterrar possibilidades de pensamento soterradas, que continuam a subdeterminar as concepções que as suplantaram. | ||
| + | * O objetivo de exumar estruturas de longa duração, subjacentes ao desdobramento de um problema filosófico, | ||
| + | * A distinção entre uma " | ||
| + | * A convicção final: "a única razão válida para praticar esta disciplina é libertar possibilidades de pensamento recobertas e suscetíveis de contribuir para a reformulação de problemas filosoficamente mal encaminhados ou conduzindo a impasses" | ||
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| + | //ROMANO, Claude. Être soi-même: une autre histoire de la philosophie. Paris: Gallimard, 2018// | ||
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