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-===== ROMANO (2018) – A INVENÇÃO DO "EU" =====+===== A INVENÇÃO DO "EU" (2018) =====
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 Resultante da problemática operação gramatical representada pela substantivação de um pronome pessoal, "o eu" (le moi) surge, de fato, no contexto de várias inovações conceituais decisivas, nomeadamente 1) a passagem para o primeiro plano de uma teoria do conhecimento neutra e objetiva, indexada sobre um método universal, e do ponto de vista da qual este ego, dado a si mesmo em conhecimento evidente, é o primeiro conhecível de direito; 2) a diferença introduzida por Descartes, e mantida depois dele, entre o eu e o homem, e consequentemente também entre o eu e uma parte do homem, a sua alma ou espírito, diferença que tem como corolário que, quando o eu entra na filosofia, este eu não sou eu, não é o indivíduo empírico que eu sou, nem nenhuma das suas faculdades psicológicas; 3) o fato de este eu só se dar a si mesmo na primeira pessoa, de ser constituído pela relação singular que mantém consigo mesmo, uma relação insignificante que não pode manter com nenhuma outra coisa; 4) finalmente, o fato de ser neste eu que reside a condição da nossa identidade para conosco mesmos através do tempo; o que equivale a dizer que a nossa identidade no sentido comum e vulgar, a identidade que possuímos como seres humanos singulares, não é suficiente para nos identificar: existe, para cada um de nós, uma identidade mais profunda, acessível apenas na primeira pessoa. Resultante da problemática operação gramatical representada pela substantivação de um pronome pessoal, "o eu" (le moi) surge, de fato, no contexto de várias inovações conceituais decisivas, nomeadamente 1) a passagem para o primeiro plano de uma teoria do conhecimento neutra e objetiva, indexada sobre um método universal, e do ponto de vista da qual este ego, dado a si mesmo em conhecimento evidente, é o primeiro conhecível de direito; 2) a diferença introduzida por Descartes, e mantida depois dele, entre o eu e o homem, e consequentemente também entre o eu e uma parte do homem, a sua alma ou espírito, diferença que tem como corolário que, quando o eu entra na filosofia, este eu não sou eu, não é o indivíduo empírico que eu sou, nem nenhuma das suas faculdades psicológicas; 3) o fato de este eu só se dar a si mesmo na primeira pessoa, de ser constituído pela relação singular que mantém consigo mesmo, uma relação insignificante que não pode manter com nenhuma outra coisa; 4) finalmente, o fato de ser neste eu que reside a condição da nossa identidade para conosco mesmos através do tempo; o que equivale a dizer que a nossa identidade no sentido comum e vulgar, a identidade que possuímos como seres humanos singulares, não é suficiente para nos identificar: existe, para cada um de nós, uma identidade mais profunda, acessível apenas na primeira pessoa.
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