estudos:romano:evento-filosofia-ocidental
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Both sides previous revisionPrevious revision | |||
| estudos:romano:evento-filosofia-ocidental [21/01/2026 05:50] – ↷ Page name changed from estudos:romano:romano-199919-21-diferenca-ontologica to estudos:romano:evento-filosofia-ocidental mccastro | estudos:romano:evento-filosofia-ocidental [09/02/2026 20:16] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== Evento na filosofia ocidental ====== | ||
| + | |||
| + | //FILIZ, Kadir. Event and Subjectivity: | ||
| + | |||
| + | * Eventos possuem poder transformador atestado na literatura, história, cinema, tragédia e na memória pessoal, mas receberam insuficiente atenção na história da filosofia ocidental até o século XX. | ||
| + | * Filosofia do século XX, inspirada pelo despertar nietzschiano, | ||
| + | * A diversidade de abordagens sobre o evento atesta seu caráter elusivo e a necessidade de um novo quadro de pensamento, pois discursos filosóficos tradicionais, | ||
| + | |||
| + | === Delimitação do estudo: fenomenologia do evento em Marion e Romano === | ||
| + | * Este estudo foca fenomenologia do evento no trabalho de Jean-Luc Marion e Claude Romano, pensadores que operam nas margens do discurso fenomenológico e para os quais evento possui importância central em suas respectivas compreensões da fenomenologia. | ||
| + | * Escolha não é arbitrária, | ||
| + | * Objetivo principal é responder duas questões: o que é evento e quem o experiencia. | ||
| + | * Primeira questão explora fenomenalidade do evento, seu modo de mostrar-se e sua distinção de outros modos de fenomenalidade. | ||
| + | * Segunda questão investiga como evento mostra-se e é experienciado pelo ser humano, exigindo nova compreensão de subjetividade, | ||
| + | |||
| + | === Razões para focar em Marion e Romano === | ||
| + | * Ambos propõem versão fenomenológica do evento que não transgride limites da fenomenologia, | ||
| + | * Distinguem sistematicamente fenomenalidade do evento de outros modos de fenomenalidade, | ||
| + | * Engajamento com fenômeno do evento não é acidental, mas constitui cerne de sua compreensão da fenomenologia; | ||
| + | * Ambos reconsideram subjetividade à luz do evento, propondo novos nomes para sujeito (// | ||
| + | * Essas abordagens fornecem elaboração mais radical do evento no movimento fenomenológico, | ||
| + | |||
| + | === Desencontro com a noção heideggeriana de Ereignis === | ||
| + | * Na filosofia continental, | ||
| + | * Análises como as de Tengelyi e Gondek, que tomam // | ||
| + | * Christian Sommer também interpreta modificação do conceito de fenômeno na nova fenomenologia francesa a partir de sua compreensão como evento (// | ||
| + | * Defende-se que noção heideggeriana de // | ||
| + | * // | ||
| + | * Conceito de evento neste estudo aproxima-se mais do alemão // | ||
| + | |||
| + | === Lacunas na literatura secundária sobre evento e fenomenologia === | ||
| + | * Livro //Neue Phänomenologie in Frankreich// | ||
| + | * François Raffoul, em //Thinking the Event//, oferece contribuição importante, mas desconsidera trabalho de Romano, perdendo oportunidade de diálogo, pois sua abordagem geral parece bem adequada à concepção romaniana. | ||
| + | * Gert-Jan van der Heiden, em //Ontology after Ontotheology//, | ||
| + | * Lasma Pirkina, em //Das Ereignis//, trata Heidegger como fonte primária de inspiração para filosofia subsequente do evento, avaliação considerada inválida para Marion e Romano, pois examinar seu pensamento através da lente da // | ||
| + | |||
| + | === Relação com Heidegger: “com e contra Heidegger” === | ||
| + | * Distância entre concepções de Marion e Romano e a // | ||
| + | * Filosofia de Heidegger exerce papel vital na formação das contas de fenomenalidade e subjetividade de ambos, mas influência deriva principalmente de trabalhos anteriores a // | ||
| + | * Marion e Romano lidam com definição heideggeriana do fenômeno em suas concepções de evento; paralelamente ao uso de //Dasein//, Marion sugere //adonné// e Romano propõe // | ||
| + | * Compreensão da fenomenalidade do evento e concepções do sujeito podem ser descritas como estando “com e contra Heidegger”; | ||
| + | |||
| + | === Abordagens fenomenológicas contemporâneas ao evento: Dastur e Barbaras === | ||
| + | * Françoise Dastur, em “Phenomenology of the Event: Waiting and Surprise”, | ||
| + | * Dastur prefere considerar fenomenalidade do evento a partir de modelos husserliano e heideggeriano, | ||
| + | * Marion e Romano, em contraste, buscam fenomenalidade do evento fora dessas versões da fenomenologia, | ||
| + | * Renaud Barbaras aborda noção do evento em termos de correlação entre sujeito e mundo, propondo conceito de “arquievento” (// | ||
| + | * Barbaras afirma que, com arquievento, | ||
| + | |||
| + | === Questões metodológicas e hermenêuticas === | ||
| + | * Estudo oferece compreensão fenomenológica do evento, considerando-o como fenômeno e abordando eventos que acontecem a seres humanos finitos no mundo (nascimento, | ||
| + | * Foco em Marion e Romano justifica-se por quatro razões principais: | ||
| + | * Proposta de versão fenomenológica do evento que expande fenomenologia sem transgredi-la. | ||
| + | * Distinção estrita e sistemática da fenomenalidade do evento de outros modos de fenomenalidade. | ||
| + | * Engajamento com fenômeno do evento como cerne de seus projetos fenomenológicos. | ||
| + | * Reconsideração da subjetividade à luz do evento, com novos nomes para sujeito (// | ||
| + | * Abordagem não é comparativa; | ||
| + | * Fenomenologia é entendida como possibilidade (segundo Heidegger), não como versão atualizada absoluta; “nova fenomenologia francesa” é resultado de tais transformações, | ||
| + | |||
| + | === Estrutura da obra e objetivos dos capítulos === | ||
| + | * Primeira parte (capítulos 1 e 2) aborda questão “O que é evento?”, explorando fenomenalidade do evento. | ||
| + | * Capítulo 1: evento na fenomenologia da doação de Jean-Luc Marion. | ||
| + | * Apresenta contornos da fenomenologia da doação e discute papel e lugar do evento. | ||
| + | * Evento é fenômeno paradigmático, | ||
| + | * Marion amplia e muda critérios de fenomenalidade em relação a Husserl e Heidegger, destacando papel crítico da hermenêutica para decidir entre modo de eventicidade ou objetidade. | ||
| + | * Capítulo 2: fenomenalidade do evento em Claude Romano. | ||
| + | * Inicia com distanciamento de Romano da ontologia fundamental heideggeriana e sua transformação em hermenêutica eventual. | ||
| + | * Distingue eventos de fatos, descrevendo características do evento. | ||
| + | * Fenomenalidade do evento leva a reconsiderar problemas da fenomenologia (mundo, possibilidade, | ||
| + | * Segunda parte (capítulos 3 e 4) aborda questão “Quem experiencia o evento?”, investigando transformação da subjetividade. | ||
| + | * Capítulo 3: noção de //adonné// em Marion. | ||
| + | * Discute crítica de Marion a concepções anteriores de subjetividade e foca na “subjetivação” do //adonné// pelo evento. | ||
| + | * //Adonné// fornece conta não transcendental do sujeito, que só se torna si mesmo através da recepção do evento. | ||
| + | * Aborda conta de Marion da redução em relação à superação do transcendentalismo, | ||
| + | * Capítulo 4: noção de // | ||
| + | * Romano cunha termo // | ||
| + | * Engaja criticamente com outros modelos de sujeito, especialmente //Dasein// heideggeriano, | ||
| + | * Foca na “subjetivação” do // | ||
| + | * Utiliza noção de // | ||
| + | |||
| + | === Uso dos conceitos de sujeito e subjetividade no estudo === | ||
| + | * Marion e Romano propõem novos nomes (// | ||
| + | * // | ||
| + | * Novos termos ocupam lugar do sujeito, tentando superá-lo e descentrá-lo, | ||
| + | * Uso dos termos “sujeito” e “subjetividade” refere-se principalmente a essas noções como emergiram e foram reformuladas na tradição da filosofia moderna e na fenomenologia husserliana. | ||
| + | * Par de termos “self” e “ipseidade” também são discutidos; “ipseidade” (tradução de // | ||
| + | |||
| + | === Conclusões prospectivas sobre impacto da fenomenologia do evento === | ||
| + | * Fenomenologias do evento permitem articular concepção mais realista do fenômeno, pois descentramento do sujeito resultante da fenomenalidade do evento retira seu papel constitutivo frente ao fenômeno. | ||
| + | * Fenomenalidade do evento não pode ser regulada por nada além do próprio fenômeno; acontecimento do evento não depende do sujeito, pavimentando caminho para entendimento realista do fenômeno. | ||
| + | * Fenomenologia do evento amplia concepção de racionalidade na fenomenologia, | ||
| + | * Tematização de eventos nas fronteiras da fenomenologia leva à transformação da razão fenomenológica; | ||
| + | * Nesta nova concepção de razão, eventos não são mais excluídos do pensamento e sujeito não é mais entendido como força central e autárquica na constituição do mundo. | ||
| + | * Estudo busca contribuir para discussões sobre fenomenalidade do evento e suas pós-“subjetividades” na nova fenomenologia francesa, focando em Marion e Romano, que ampliam //logos// dos fenômenos e traçam novo modo de compreender ser humano à luz do evento. | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
