estudos:ricoeur:texto-acao:fenomenologia-hermeneutica
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| + | ====== Fenomenologia Hermenêutica ====== | ||
| + | //RICOEUR. Du texte à l’action. Paris: Seuil, 1986.// | ||
| + | **Fenomenologia e hermenêutica: | ||
| + | * O propósito não é uma contribuição à história ou arqueologia da fenomenologia, | ||
| + | * Duas teses são propostas à discussão: a primeira afirma que a hermenêutica arruinou não a fenomenologia, | ||
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| + | **I. A crítica hermenêutica do idealismo husserliano** | ||
| + | * A primeira parte busca tomar consciência do abismo entre o projeto hermenêutico e qualquer expressão idealista da fenomenologia, | ||
| + | * O Nachwort aos Ideen, junto às Meditações cartesianas, | ||
| + | * O ideal de cientificidade reivindicado pela fenomenologia não está em continuidade com as ciências, mas constitui uma " | ||
| + | * A fundação principial é da ordem da intuição, e fundar é ver, confirmando a prioridade husserliana do preenchimento pleno sobre toda filosofia da dedução; o conceito de "campo de experiência" | ||
| + | * O lugar da intuitividade plena é a subjetividade: | ||
| + | * A subjetividade transcendental não se confunde com a consciência empírica, objeto da psicologia, ainda que fenomenologia e psicologia fenomenológica formem um " | ||
| + | * A tomada de consciência que sustenta a reflexão comporta implicações éticas próprias, pois a reflexão é o ato imediatamente responsável de si, constituindo o sujeito filosofante em sujeito responsável através do caráter auto-assertivo da fundação. | ||
| + | * É possível opor a hermenêutica, | ||
| + | * O ideal husserliano de justificação última encontra seu limite na condição ontológica da compreensão, | ||
| + | * À exigência husserliana do retorno à intuição opõe-se a necessidade de toda compreensão ser mediatizada pela interpretação, | ||
| + | * A tese de que a subjetividade seria lugar de fundação última torna-se duvidosa quando o próprio Cogito é submetido à crítica radical, como sugere a pergunta de Heidegger "quem é o ser-aí?", | ||
| + | * Colocar a teoria do texto como eixo hermenêutico radicaliza a contestação do primado da subjetividade, | ||
| + | * Contra a tese idealista da responsabilidade última de si, a hermenêutica convida a fazer da subjetividade a última, e não a primeira, categoria de uma teoria da compreensão, | ||
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| + | **II. Por uma fenomenologia hermenêutica** | ||
| + | * A crítica hermenêutica do idealismo husserliano é apenas o reverso negativo de uma busca positiva, aqui chamada fenomenologia hermenêutica, | ||
| + | * A pressuposição fenomenológica mais fundamental de toda filosofia da interpretação é que toda questão sobre um ente é uma questão sobre o sentido desse ente, como atesta a questão esquecida do sentido do ser em Sein und Zeit; a exegese bíblica e a filologia clássica já haviam optado pelo sentido antes da fenomenologia, | ||
| + | * A hermenêutica remete à fenomenologia também por seu recurso à distanciação no cerne da experiência de pertença, análoga à epoché fenomenológica interpretada em sentido não idealista, pois assim como a fenomenologia interrompe o vivido para significá-lo, | ||
| + | * A hermenêutica compartilha com a fenomenologia a tese do caráter derivado das significações da ordem linguística, | ||
| + | * O parentesco entre o antepredicativo da fenomenologia e o da hermenêutica é ainda mais estreito porque a própria fenomenologia husserliana começou a desdobrar a fenomenologia da percepção em direção a uma hermenêutica da experiência histórica, seja pelo desenvolvimento das implicações temporais da experiência perceptiva que conduzem à historicidade — consequência que Merleau-Ponty extraiu de Husserl —, seja pelo retorno da natureza objetivada à Lebenswelt na época da Krisis, retorno paradigmático para o gesto hermenêutico de remontar das objetivações científicas à experiência artística, histórica e linguística que as precede. | ||
| + | * A pressuposição hermenêutica da fenomenologia consiste na necessidade de esta conceber seu método como Auslegung, exegese, explicitação, | ||
| + | * Nas Recherches logiques, apesar da recusa radical de que imagens constituam a compreensão de uma expressão, a Auslegung aparece nas significações ocasionais, cuja determinação depende do contexto, e sobretudo na elucidação das significações não ocasionais, que exige recurso a uma intuição correspondente, | ||
| + | * Nas Méditations cartésiennes, | ||
| + | * O paradoxo aparentemente insolúvel da quinta Meditação — constituir o outro em mim e constituí-lo como outro — só se resolve pelo recurso à Auslegung: a " | ||
| + | * A coincidência entre intuição e explicitação, | ||
