estudos:ricoeur:tempo-relato:texto-leitor
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| + | ====== Texto e Leitor ====== | ||
| + | //RICOEUR, Paul. Temps et récit III. Paris: Éd. du Seuil, 1985.// | ||
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| + | **Mundo do texto e mundo do leitor** | ||
| + | * Perguntar o que, do lado da ficção, corresponde ao passado " | ||
| + | * Simetricamente, | ||
| + | * A aplicação (ou apropriação) só se completa pela mediação da leitura, pois o mundo do texto, introduzido ao final da terceira parte como transcendência imanente ao texto, permanece em suspenso ontológico até que a leitura o atualize e a ação efetiva, instruída pelas obras recebidas, transmute a configuração em refiguração — sendo esta a razão pela qual, ao contrário da Métaphore vive, não se pode mais operar um curto-circuito direto entre ver-como e ser-como no plano da narratividade sem passar pela confrontação entre o mundo fictício do texto e o mundo real do leitor. | ||
| + | * Três momentos correspondem a três disciplinas distintas na teoria da leitura: a estratégia fomentada pelo autor e dirigida ao leitor (retórica), | ||
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| + | **Da poética à retórica** | ||
| + | * A retórica da ficção de Wayne Booth reintroduz o autor sem recair na " | ||
| + | * A categoria de autor implícito dissolve falsas querelas: o apagamento do narrador moderno é apenas uma técnica retórica entre outras, e o direito de descrever o interior das almas faz parte do pacto de confiança entre autor e leitor, sendo a busca de verossimilhança no romance realista uma dissimulação ainda mais sutil do artifício, não sua abolição. | ||
| + | * A noção de narrador digno ou indigno de confiança introduz no pacto de leitura uma nota de confiança comparável à prova documental na historiografia, | ||
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| + | **A retórica entre o texto e seu leitor** | ||
| + | * Contra a ilusão de que o texto é estruturado em si e a leitura lhe seria extrínseca, | ||
| + | * O paradoxo culminante é que, se de um lado a tese da " | ||
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| + | **Fenomenologia e estética da leitura** | ||
| + | * A teoria da leitura de Roman Ingarden mostra o texto como duplamente inacabado: por oferecer " | ||
| + | * Wolfgang Iser desenvolve essas noções na fenomenologia do ato de leitura por meio do conceito de "ponto de vista viajante" | ||
| + | * A simetria aparente entre autor implícito e leitor implícito revela-se enganosa: enquanto o autor real se apaga no autor implícito, é o leitor implícito que ganha corpo no leitor real, sendo este último, em carne e osso, o polo adverso do texto na interação da qual procede a significação da obra, o que justifica a preferência por Iser sobre as distinções mais abstratas entre leitor visado, ideal ou competente. | ||
| + | * A Estética da recepção de Hans-Robert Jauss visa renovar a história literária a partir da relação dialógica entre obra e público, exigindo a reconstituição do horizonte de expectativa — o repertório de tradições, | ||
| + | * A função de criação social da literatura exerce-se precisamente na articulação entre as expectativas voltadas para a arte e as expectativas constitutivas da experiência cotidiana, sendo a literatura mais eficiente aquela que coloca o leitor na situação de encontrar por si mesmo as perguntas apropriadas à solução que a obra lhe oferece. | ||
| + | * Ampliada para uma hermenêutica literária plena, a Estética da recepção assume a tríplice tarefa de compreender, | ||
| + | * A aplicação ganha contorno mais nítido ao ser reposicionada na tríade poiesis, aisthesis, catharsis: esta última designa o efeito moral e cognitivo da obra, ligado à identificação com o herói, à clarificação distanciadora dos próprios afetos e à capacidade de comunicabilidade e alegorização — sendo essa capacidade de alegorização, | ||
| + | * Do percurso pelas teorias da leitura emergem quatro tensões dialéticas conclusivas: | ||
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