estudos:ricoeur:tempo-relato:semiotica-narratividade
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| + | ====== Semiótica Narratividade ====== | ||
| + | //RICOEUR, Paul. Temps et récit II. Paris: Ed. du Seuil, 1984.// | ||
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| + | **As restrições semióticas da narratividade** | ||
| + | * A confrontação entre a inteligência narrativa e a racionalidade reivindicada pela semiótica narrativa situa-se sob o signo do aprofundamento, | ||
| + | * Diante dos paradoxos do estilo de tradicionalidade da função narrativa, evidenciados pela evocação de uma possível morte da arte de narrar, a pesquisa semiótica busca fundar a perenidade da função narrativa em regras subtraídas à história, substituindo a história pela estrutura. | ||
| + | * Essa revolução metodológica, | ||
| + | * O fio condutor da investigação será o progresso realizado pela semiótica na reconstrução do caráter articulado e integrado da mise en intriga num nível de racionalidade desconectado de toda referência à tradição narrativa, tarefa que Roland Barthes resume como dessincronizar e relogificar o relato. | ||
| + | * Ao contrário da análise estrutural aplicada a unidades sublinguísticas, | ||
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| + | **A morfologia do conto segundo Propp** | ||
| + | * A Morfologia do Conto de Propp inaugura o debate sobre a logicização e descronologização das estruturas narrativas por reivindicar, | ||
| + | * A morfologia de Propp funda-se no primado das funções sobre os personagens, | ||
| + | * Um conflito latente entre uma concepção teleológica e uma concepção mecânica da ordem das funções percorre toda a demonstração: | ||
| + | * Os personagens, | ||
| + | * O conto é simultaneamente uma série, definida pela sucessão regular das funções, e uma sequência (khod), unidade de conta que precede e orienta a distribuição das funções ao longo da cadeia, desempenhando o papel de reviravolta e reconhecimento no mythos trágico. | ||
| + | * O protoconto reconstruído por Propp não é, ele próprio, um conto, mas produto de uma racionalidade analítica que fragmenta o objeto cultural inicial; ainda assim, nenhuma dessas operações de segmentação pode prescindir de uma referência à intriga como unidade dinâmica, demonstrando uma filiação indireta entre a racionalidade narratológica e a inteligência narrativa comparável à encontrada na historiografia. | ||
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| + | **Por uma lógica do relato** | ||
| + | * Claude Bremond, em Logique du relato, propõe substituir o encadeamento rígido das funções proppianas por um inventário sistemático dos papéis narrativos possíveis, contestando a necessidade teleológica regressiva em favor de alternativas e escolhas abertas pela " | ||
| + | * A partir dessa sequência elementar, Bremond define o papel narrativo como atribuição a um sujeito-pessoa de um predicado-processo, | ||
| + | * Comparado a Propp, o modelo de Bremond atinge maior formalidade abstrata e descronologização mais completa, mas a ausência de qualquer consideração sintagmática no inventário dos papéis levanta a dúvida sobre se tal lógica dos papéis não permanece, na verdade, uma semântica da ação anterior à lógica narrativa propriamente dita, pois falta-lhe precisamente a " | ||
| + | * Conhecer todos os papéis possíveis não equivale a conhecer nenhuma intriga, pois é preciso ainda articular cronologia e configuração, | ||
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| + | **A semiótica narrativa de A. J. Greimas** | ||
| + | * A semiótica narrativa de Greimas, preparada em Sémantique structurale e desenvolvida em Du Sens e Maupassant, parte não das funções de Propp, mas dos atuantes (actants), inspirando-se na sugestão de Lucien Tesnière de que a frase mais simples já é um pequeno drama envolvendo processo, atores e circunstâncias. | ||
| + | * O modelo atuancial assenta-se em três pares de categorias binárias — sujeito/ | ||
| + | * O modelo desenvolvido em Du Sens radicaliza e enriquece o modelo atuancial ao fundar as estruturas profundas no célebre quadrado semiótico — relações de contradição, | ||
| + | * As estruturas superficiais investem esse modelo constitucional na ordem do fazer, através do enunciado narrativo simples modalizado por querer, saber e poder fazer, culminando na performance — sequência de confronto, dominação e atribuição — e na sucessão performancial, | ||
| + | * Maupassant traz complementos importantes ao modelo: estruturas aspectuais (duratividade, | ||
| + | * A questão fundamental é saber se a gramática dita de superfície não é mais rica em potencialidades narrativas do que a gramática fundamental, | ||
| + | * A passagem da relação estática à operação orientada já constitui um acréscimo cronologizante ao modelo taxonômico, | ||
| + | * A restauração da ordem inicial nos contos russos de Propp mascara o hiato entre o esquema inicial, em que todas as relações se compensam, e o esquema terminal, em que valores novos são produzidos, hiato que se manifesta sobretudo na atribuição de poder, saber e querer fazer ao sujeito. | ||
| + | * O modelo de Greimas está assim submetido a uma dupla restrição, | ||
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