estudos:ricoeur:ricoeur-1990-a-consciencia
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| - | * O primeiro desafio: a metáfora da voz e do apelo adicionando uma dimensão inédita aos conceitos de base da ética e a concretização deste excedente de sentido em noções suspeitas como a " | + | * O primeiro desafio: a metáfora da voz e do apelo adicionando uma dimensão inédita aos conceitos de base da ética e a concretização deste excedente de sentido em noções suspeitas como a " |
| - | * A ocasião de pôr à prova a tese segundo a qual a atestação da ipseidade é inseparável de um exercício de **suspeita** | + | * A ocasião de pôr à prova a tese segundo a qual a atestação da ipseidade é inseparável de um exercício de **suspeita** |
| - | * O segundo desafio: a questão de se a consciência, | + | * O segundo desafio: a questão de se a consciência, |
| - | * O desafio de precisar os fenômenos tais como a injunção ou a dívida que a metáfora da voz parece designar, frente a esta versão não moral da consciência | + | * O desafio de precisar os fenômenos tais como a injunção ou a dívida que a metáfora da voz parece designar, frente a esta versão não moral da consciência |
| - | * O terceiro desafio: a questão de se a parte de alteridade que aí se deixa discernir é outra que a alteridade de outrem, se a injunção ou a dívida constituem o último requisito da consciência | + | * O terceiro desafio: a questão de se a parte de alteridade que aí se deixa discernir é outra que a alteridade de outrem, se a injunção ou a dívida constituem o último requisito da consciência |
| - | * O que legitima atribuir um lugar, um lugar distinto, ao fenômeno da consciência, | + | * O que legitima atribuir um lugar, um lugar distinto, ao fenômeno da consciência, |
| - | | + | |
| - | * A afinidade do fenômeno da consciência com a atestação, | + | * A afinidade do fenômeno da consciência com a atestação, |
| - | * A consciência como o lugar por excelência onde as ilusões sobre si mesmo estão intimamente misturadas à veracidade da atestação | + | * A consciência como o lugar por excelência onde as ilusões sobre si mesmo estão intimamente misturadas à veracidade da atestação |
| - | * A suspeita incidindo muito precisamente sobre o pretendido excedente de sentido que a ideia de consciência parece sobrepor ao conceito maior da ética: voto de viver-bem (com as adições que se sabem), obrigação e convicção | + | * A suspeita incidindo muito precisamente sobre o pretendido excedente de sentido que a ideia de consciência parece sobrepor ao conceito maior da ética: voto de viver-bem (com as adições que se sabem), obrigação e convicção |
| - | * A re-inscrição dos conceitos da ética na dialética do Mesmo e do Outro pela consciência, | + | * A re-inscrição dos conceitos da ética na dialética do Mesmo e do Outro pela consciência, |
| - | * A metáfora da voz, ao mesmo tempo interior a mim e superior a mim, como o sintoma ou o indício desta passividade fora de par | + | * A metáfora da voz, ao mesmo tempo interior a mim e superior a mim, como o sintoma ou o indício desta passividade fora de par |
| - | | + | |
| - | * A descrição perfeita do momento de alteridade que distingue a consciência no capítulo de Ser e Tempo, intitulado precisamente Gewissen | + | * A descrição perfeita do momento de alteridade que distingue a consciência no capítulo de Ser e Tempo, intitulado precisamente Gewissen |
| - | * A alteridade que, longe de ser estranha à constituição da ipseidade, está estreitamente ligada à sua emergência, | + | * A alteridade que, longe de ser estranha à constituição da ipseidade, está estreitamente ligada à sua emergência, |
| - | * A implicação da consciência na oposição entre o si e o " | + | * A implicação da consciência na oposição entre o si e o " |
| - | * O traço que especifica o fenômeno da consciência, | + | * O traço que especifica o fenômeno da consciência, |
| - | * O si aparecendo interpelado e, neste sentido, afetado de forma singular neste íntimo colóquio | + | * O si aparecendo interpelado e, neste sentido, afetado de forma singular neste íntimo colóquio |
| - | * A afeção por uma voz outra apresentando uma dissimetria notável, que se pode dizer vertical, entre a instância que apela e o si apelado, à diferença do diálogo da alma consigo mesma, de que fala Platão | + | * A afeção por uma voz outra apresentando uma dissimetria notável, que se pode dizer vertical, entre a instância que apela e o si apelado, à diferença do diálogo da alma consigo mesma, de que fala Platão |
| - | * A verticalidade do apelo, igual à sua interioridade, | + | * A verticalidade do apelo, igual à sua interioridade, |
| - | | + | |
| - | * A autenticidade deste fenômeno só podendo ser penosamente reconquistada, | + | * A autenticidade deste fenômeno só podendo ser penosamente reconquistada, |
| - | * A reconquista da autenticidade a contracorrente das interpretações moralizantes que dissimulam precisamente a força desvendadora | + | * A reconquista da autenticidade a contracorrente das interpretações moralizantes que dissimulam precisamente a força desvendadora |
| - | * A prova de suspeita se revelando benéfica para recobrar a capacidade desvendadora da metáfora da voz | + | * A prova de suspeita se revelando benéfica para recobrar a capacidade desvendadora da metáfora da voz |
| - | * A mobilização da força de denúncia que ressoa, antes do trovão nietzschiano, | + | * A mobilização da força de denúncia que ressoa, antes do trovão nietzschiano, |
| - | | + | |
| - | * A crítica virulenta à má interpretação da consciência que se pode ler nas páginas que a Fenomenologia do Espírito consagra à " | + | * A crítica virulenta à má interpretação da consciência que se pode ler nas páginas que a Fenomenologia do Espírito consagra à " |
| - | * O Gewissen sendo solidário de uma dialética de grau superior onde se confrontam a consciência agente e a consciência julgadora, atestada pela continuação do capítulo VI | + | * O Gewissen sendo solidário de uma dialética de grau superior onde se confrontam a consciência agente e a consciência julgadora, atestada pela continuação do capítulo VI |
| - | * O " | + | * O " |
| - | * A crítica da visão moral do mundo tomando lugar no caminho desta reconhecimento | + | * A crítica da visão moral do mundo tomando lugar no caminho desta reconhecimento |
| - | * A crítica acerba atacando " | + | * A crítica acerba atacando " |
| - | * O artifício da construção hegeliana desta figura tomando lugar entre os excessos, transgressões, | + | * O artifício da construção hegeliana desta figura tomando lugar entre os excessos, transgressões, |
| - | * O primeiro postulado: a moralidade, ao mesmo tempo que exige que o dever seja feito, atinge de insignificância a natureza inteira, através da condenação do desejo, que é a natureza em nós | + | * O primeiro postulado: a moralidade, ao mesmo tempo que exige que o dever seja feito, atinge de insignificância a natureza inteira, através da condenação do desejo, que é a natureza em nós |
| - | * O segundo postulado: a moralidade adiando ao infinito o momento da satisfação que no entanto o agente procura na efetividade da ação, por falta de saber produzir alguma harmonia entre o dever-ser e o ser | + | * O segundo postulado: a moralidade adiando ao infinito o momento da satisfação que no entanto o agente procura na efetividade da ação, por falta de saber produzir alguma harmonia entre o dever-ser e o ser |
| - | * O terceiro postulado: este acordo da forma e do conteúdo não sendo dado aqui-embaixo, | + | * O terceiro postulado: este acordo da forma e do conteúdo não sendo dado aqui-embaixo, |
| - | * A crítica se atacando ao " | + | * A crítica se atacando ao " |
| - | * A crítica dando " | + | * A crítica dando " |
| - | * A crítica só tendo sentido na perspectiva do momento ulterior do espírito, já presente como em negativo no deslocamento equívoco | + | * A crítica só tendo sentido na perspectiva do momento ulterior do espírito, já presente como em negativo no deslocamento equívoco |
| - | * O achegamento da crítica da visão moral do mundo para o ponto onde o Gewissen se iguala à certeza de si mesmo fazendo com que em Hegel ressoe ainda só um golpe de advertência, | + | * O achegamento da crítica da visão moral do mundo para o ponto onde o Gewissen se iguala à certeza de si mesmo fazendo com que em Hegel ressoe ainda só um golpe de advertência, |
| - | | + | |
| - | * O único ponto a reter da segunda dissertação da Genealogia da moral, intitulada "A Falta [Schuld], a má consciência [schlechtes Gewissen] e o que lhe assemelha", | + | * O único ponto a reter da segunda dissertação da Genealogia da moral, intitulada "A Falta [Schuld], a má consciência [schlechtes Gewissen] e o que lhe assemelha", |
| - | * A parentela profunda entre as duas críticas provada por Nietzsche mesmo quando caracteriza como interpretação falsificante a " | + | * A parentela profunda entre as duas críticas provada por Nietzsche mesmo quando caracteriza como interpretação falsificante a " |
| - | * O problema em Nietzsche de saber se o reenvio à Vida " | + | * O problema em Nietzsche de saber se o reenvio à Vida " |
| - | * A dissertação parecendo deixar um lugar a um conceito, de alguma sorte neutro, de consciência, | + | * A dissertação parecendo deixar um lugar a um conceito, de alguma sorte neutro, de consciência, |
| - | * O esquecimento, | + | * O esquecimento, |
| - | * O domínio de si – esta " | + | * O domínio de si – esta " |
| - | * A má consciência requerendo um desmantelamento completo, que se inicia pela evocação de sinônimos pesados de sentido em alemão, como Schuld – fracamente traduzido por falta –, Schulden – por dívida –, Vergeltung – por represálias | + | * A má consciência requerendo um desmantelamento completo, que se inicia pela evocação de sinônimos pesados de sentido em alemão, como Schuld – fracamente traduzido por falta –, Schulden – por dívida –, Vergeltung – por represálias |
| - | * O mundo claro, em um sentido, do credor e do devedor – tenebroso, em um outro sentido, da cólera e da vingança | + | * O mundo claro, em um sentido, do credor e do devedor – tenebroso, em um outro sentido, da cólera e da vingança |
| - | * A forma mais arcaica de reaver um crédito sendo violentar o devedor: "A compensação [Ausgleich] representa então um convite e um direito à crueldade" | + | * A forma mais arcaica de reaver um crédito sendo violentar o devedor: "A compensação [Ausgleich] representa então um convite e um direito à crueldade" |
| - | * A necessidade de não se deixar impressionar pelo tom autoritário de Nietzsche, proclamando ter descoberto o "foco de origem", | + | * A necessidade de não se deixar impressionar pelo tom autoritário de Nietzsche, proclamando ter descoberto o "foco de origem", |
| - | * A estranha arqueologia onde a pré-história e o futuro se trocam, dos antigos tempos (Vorzeit) dos quais é dito "que eles existem aliás de todo tempo, ou que eles são sempre possíveis de novo" (ibid., p. 263) | + | * A estranha arqueologia onde a pré-história e o futuro se trocam, dos antigos tempos (Vorzeit) dos quais é dito "que eles existem aliás de todo tempo, ou que eles são sempre possíveis de novo" (ibid., p. 263) |
| - | * A ponta anticartesiana e antikantiana de toda esta tirada que mistura a complexidade tenebrosa do castigo à simplicidade aparente da relação de credor a devedor, sendo o importante o adestramento do animal responsável não ser mais levado ao crédito da " | + | * A ponta anticartesiana e antikantiana de toda esta tirada que mistura a complexidade tenebrosa do castigo à simplicidade aparente da relação de credor a devedor, sendo o importante o adestramento do animal responsável não ser mais levado ao crédito da " |
| - | * A fluidez da origem, oposta à pretensa fixidez do fim, sendo a ocasião de uma "nova interpretação" | + | * A fluidez da origem, oposta à pretensa fixidez do fim, sendo a ocasião de uma "nova interpretação" |
| - | * A força de interpelação da suspeita, implícita em Hegel, explícita em Nietzsche, de que consciência igual "má consciência" | + | * A força de interpelação da suspeita, implícita em Hegel, explícita em Nietzsche, de que consciência igual "má consciência" |
| - | * A pior solução para quebrar esta equação sendo apelar da má à boa consciência, | + | * A pior solução para quebrar esta equação sendo apelar da má à boa consciência, |
| - | | + | |
| - | * O arrancar da consciência à falsa alternativa da " | + | * O arrancar da consciência à falsa alternativa da " |
| - | * A formulação que se resume nesta única frase: "A atestação de um poder-ser autêntico, é a consciência que a dá" ([234] trad. Martineau, p. 175 ; cf. trad. Vezin, p. 287) | + | * A formulação que se resume nesta única frase: "A atestação de um poder-ser autêntico, é a consciência que a dá" ([234] trad. Martineau, p. 175 ; cf. trad. Vezin, p. 287) |
| - | * O poder-ser que a consciência atesta não sendo inicialmente marcado por nenhuma competência a distinguir o bem do mal | + | * O poder-ser que a consciência atesta não sendo inicialmente marcado por nenhuma competência a distinguir o bem do mal |
| - | * A consciência sendo à sua maneira "para além bem e mal", um dos efeitos da luta levada contra o pensar-valor dos neokantianos e contra o de Max Scheler em sua Ética material [não formal] dos valores | + | * A consciência sendo à sua maneira "para além bem e mal", um dos efeitos da luta levada contra o pensar-valor dos neokantianos e contra o de Max Scheler em sua Ética material [não formal] dos valores |
| - | * O apelo, a advocação (segundo a tradução proposta por E. Martineau) do Anruf, não tendo alguma força originariamente ética, ao sublinhar Sein em Dasein | + | * O apelo, a advocação (segundo a tradução proposta por E. Martineau) do Anruf, não tendo alguma força originariamente ética, ao sublinhar Sein em Dasein |
| - | * A consciência não dizendo nada: nem barulho, nem mensagem, mas um apelo silencioso | + | * A consciência não dizendo nada: nem barulho, nem mensagem, mas um apelo silencioso |
| - | * O apelante não sendo outro que o Dasein ele mesmo: "No consciência, | + | * O apelante não sendo outro que o Dasein ele mesmo: "No consciência, |
| - | * A dimensão de superioridade reconhecida na imanência integral do Dasein a ele mesmo: "o apelo não vem incontestavelmente de um outro que está no mundo comigo. O apelo vem de mim e, no entanto, ele me ultrapassa [aus mir und doch über mich]" (ibid.) | + | * A dimensão de superioridade reconhecida na imanência integral do Dasein a ele mesmo: "o apelo não vem incontestavelmente de um outro que está no mundo comigo. O apelo vem de mim e, no entanto, ele me ultrapassa [aus mir und doch über mich]" (ibid.) |
| - | * A explicitação do traço de estranh(eir)eza (adotando a grafia de E. Martineau) pelo qual a consciência se inscreve na dialética do Mesmo e do Outro, constituindo a novidade | + | * A explicitação do traço de estranh(eir)eza (adotando a grafia de E. Martineau) pelo qual a consciência se inscreve na dialética do Mesmo e do Outro, constituindo a novidade |
| - | * A sutil aproximação feita entre a estranh(eir)eza da voz e a condição decaída (ou escoada?) do ser-lançado | + | * A sutil aproximação feita entre a estranh(eir)eza da voz e a condição decaída (ou escoada?) do ser-lançado |
| - | * A confissão da passividade, | + | * A confissão da passividade, |
| - | * A introdução tardia da noção de Schuld – " | + | * A introdução tardia da noção de Schuld – " |
| - | * A insistência na ontologia da dívida, dissociando-se do que o senso comum prende à ideia de dívida, a saber, que ela seja para com alguém, que se seja responsável enquanto devedor, e que o ser um com o outro seja público | + | * A insistência na ontologia da dívida, dissociando-se do que o senso comum prende à ideia de dívida, a saber, que ela seja para com alguém, que se seja responsável enquanto devedor, e que o ser um com o outro seja público |
| - | * A exigência de Heidegger de inquirir fundamentalmente sobre "o ser em dívida do Dasein" | + | * A exigência de Heidegger de inquirir fundamentalmente sobre "o ser em dívida do Dasein" |
| - | * O ser em dívida não resultando do endividamento (Verschuldung), | + | * O ser em dívida não resultando do endividamento (Verschuldung), |
| - | * A falha desvendada não sendo o mal, mas um traço ontológico prévio a toda ética: "O ser-fundamento de uma nulidade" | + | * A falha desvendada não sendo o mal, mas um traço ontológico prévio a toda ética: "O ser-fundamento de uma nulidade" |
| - | * O primado da ética sendo claramente despedido: "Se o ser-em-dívida originário não pode ser determinado pela moralidade, é que esta o pressupõe já para ela mesma" ([286] trad. Martineau, p. 206 ; cf. trad. Vezin, p. 344) | + | * O primado da ética sendo claramente despedido: "Se o ser-em-dívida originário não pode ser determinado pela moralidade, é que esta o pressupõe já para ela mesma" ([286] trad. Martineau, p. 206 ; cf. trad. Vezin, p. 344) |
| - | * A atestação engendrando uma certa criteriologia, | + | * A atestação engendrando uma certa criteriologia, |
| - | * A crítica das noções de " | + | * A crítica das noções de " |
| - | * A noção de " | + | * A noção de " |
| - | * A " | + | * A " |
| - | * O ponto de vista deontológico de Kant, a teoria scheleriana dos valores e a função crítica da consciência sendo rejeitados em bloco, tudo isto permanecendo na dimensão da preocupação | + | * O ponto de vista deontológico de Kant, a teoria scheleriana dos valores e a função crítica da consciência sendo rejeitados em bloco, tudo isto permanecendo na dimensão da preocupação |
| - | * O sentido da atestação sendo selado: " | + | * O sentido da atestação sendo selado: " |
| - | * A ligação entre atestação e resolução parecendo trazer a noção de consciência ao campo da ética, pela expressão " | + | * A ligação entre atestação e resolução parecendo trazer a noção de consciência ao campo da ética, pela expressão " |
| - | * O se-projetar reticente e pronto à angústia para o ser-em-dívida o mais próprio sendo chamado a resolução ([297] trad. Martineau, p. 212 ; cf. trad. Vezin, p. 355) | + | * O se-projetar reticente e pronto à angústia para o ser-em-dívida o mais próprio sendo chamado a resolução ([297] trad. Martineau, p. 212 ; cf. trad. Vezin, p. 355) |
| - | * A consciência-atestação se inscrevendo na problemática da verdade, enquanto abertura e desvendamento | + | * A consciência-atestação se inscrevendo na problemática da verdade, enquanto abertura e desvendamento |
| - | * A verdade mais originária, | + | * A verdade mais originária, |
| - | * A resolução permanecendo indeterminada, | + | * A resolução permanecendo indeterminada, |
| - | * A ontologia fundamental se guardando de toda proposição quanto à orientação na ação: "Na resolução, | + | * A ontologia fundamental se guardando de toda proposição quanto à orientação na ação: "Na resolução, |
| - | * A impressão de o filósofo remeter o seu leitor a um situacionismo moral destinado a preencher o silêncio de um apelo indeterminado | + | * A impressão de o filósofo remeter o seu leitor a um situacionismo moral destinado a preencher o silêncio de um apelo indeterminado |
| - | | + | |
| - | * A oposição à desmoralização da consciência por uma concepção que associa estreitamente o fenômeno da injunção àquele da atestação | + | * A oposição à desmoralização da consciência por uma concepção que associa estreitamente o fenômeno da injunção àquele da atestação |
| - | * O ser-injungido constituindo o momento de alteridade próprio ao fenômeno da consciência, | + | * O ser-injungido constituindo o momento de alteridade próprio ao fenômeno da consciência, |
| - | * Escutar a voz da consciência significando ser-injungido pelo Outro, e fazendo direito à noção de dívida | + | * Escutar a voz da consciência significando ser-injungido pelo Outro, e fazendo direito à noção de dívida |
| - | * O estágio da moralidade dissociado da tríade ética-moralidade-convicção e hipostasiado em favor desta dissociação, | + | * O estágio da moralidade dissociado da tríade ética-moralidade-convicção e hipostasiado em favor desta dissociação, |
| - | * A metáfora desvendadora da voz ofuscada pela metáfora sufocante do tribunal, em virtude desta dissociação | + | * A metáfora desvendadora da voz ofuscada pela metáfora sufocante do tribunal, em virtude desta dissociação |
| - | * A tríade inteira posta em lugar nos estudos precedentes se dando a ser reinterpretada em termos de alteridade | + | * A tríade inteira posta em lugar nos estudos precedentes se dando a ser reinterpretada em termos de alteridade |
| - | * A primeira injunção: ser chamado a viver-bem com e para outrem em instituições justas | + | * A primeira injunção: ser chamado a viver-bem com e para outrem em instituições justas |
| - | * A existência de uma forma de comando que não é ainda uma lei, segundo uma sugestão de F. Rosenzweig em A Estrela da Redenção (Segundo livro) | + | * A existência de uma forma de comando que não é ainda uma lei, segundo uma sugestão de F. Rosenzweig em A Estrela da Redenção (Segundo livro) |
| - | * O comando se fazendo ouvir na tonalidade do Cântico dos Cânticos, na súplica que o amante dirige à amada: "Tu, ama-me!" | + | * O comando se fazendo ouvir na tonalidade do Cântico dos Cânticos, na súplica que o amante dirige à amada: "Tu, ama-me!" |
| - | * O comando se fazendo lei e a lei interdição: | + | * O comando se fazendo lei e a lei interdição: |
| - | * O curto-circuito entre consciência e obrigação, | + | * O curto-circuito entre consciência e obrigação, |
| - | * A necessidade de não cessar de remontar a pendente que traz desta injunção-interdição à injunção do bem-viver | + | * A necessidade de não cessar de remontar a pendente que traz desta injunção-interdição à injunção do bem-viver |
| - | * A injunção se juntando então ao fenômeno da convicção que vimos Hegel acantonar na esfera da moralidade subjetiva, ao se prosseguir o percurso da ética até a escolha moral em situação | + | * A injunção se juntando então ao fenômeno da convicção que vimos Hegel acantonar na esfera da moralidade subjetiva, ao se prosseguir o percurso da ética até a escolha moral em situação |
| - | * O momento de convicção não se substituindo à prova da regra, mas sobrevindo ao termo de um conflito de deveres, segundo a argumentação sobre a ética da decisão em situação | + | * O momento de convicção não se substituindo à prova da regra, mas sobrevindo ao termo de um conflito de deveres, segundo a argumentação sobre a ética da decisão em situação |
| - | * A consciência, | + | * A consciência, |
| - | * O momento de convicção marcando um recurso aos recursos ainda inexplorados da ética, aquém da moral, mas através dela | + | * O momento de convicção marcando um recurso aos recursos ainda inexplorados da ética, aquém da moral, mas através dela |
| - | * A invocação dos traços mais singularizantes da phronesis aristotélica para sublinhar o elo que prende a convicção ao fundo ético, através da camada dos imperativos | + | * A invocação dos traços mais singularizantes da phronesis aristotélica para sublinhar o elo que prende a convicção ao fundo ético, através da camada dos imperativos |
| - | * A phronesis, que inclui a regra direita na escolha do phronimos, sendo Gewissen, segundo a exclamação de Heidegger | + | * A phronesis, que inclui a regra direita na escolha do phronimos, sendo Gewissen, segundo a exclamação de Heidegger |
| - | * O Dasein não sendo remetido apenas ao seu poder-ser o mais próprio, como no Heidegger de Ser e Tempo, se for guardada a definição de phronesis | + | * O Dasein não sendo remetido apenas ao seu poder-ser o mais próprio, como no Heidegger de Ser e Tempo, se for guardada a definição de phronesis |
| - | * A consciência, | + | * A consciência, |
| - | * O optativo do bem-viver governando a título secundário o imperativo do respeito e juntando-se à convicção do julgamento moral em situação | + | * O optativo do bem-viver governando a título secundário o imperativo do respeito e juntando-se à convicção do julgamento moral em situação |
| - | * A passividade do ser-injungido consistindo na situação de escuta na qual o sujeito ético se acha colocado em relação à voz que lhe é endereçada à segunda pessoa | + | * A passividade do ser-injungido consistindo na situação de escuta na qual o sujeito ético se acha colocado em relação à voz que lhe é endereçada à segunda pessoa |
| - | * O sujeito ético se reconhecendo injungido de viver-bem com e para os outros em instituições justas e de se estimar a si mesmo enquanto portador deste voto, ao se achar interpelado à segunda pessoa | + | * O sujeito ético se reconhecendo injungido de viver-bem com e para os outros em instituições justas e de se estimar a si mesmo enquanto portador deste voto, ao se achar interpelado à segunda pessoa |
| - | * A alteridade do Outro sendo a contrapartida, | + | * A alteridade do Outro sendo a contrapartida, |
| - | | + | |
| - | * O terceiro desafio: a questão de se o Outro não é, de uma maneira ou de outra, outrem | + | * O terceiro desafio: a questão de se o Outro não é, de uma maneira ou de outra, outrem |
| - | * A tentação forte de aproximar, por contraste, a alteridade da injunção daquela de outrem, enquanto Heidegger rebate a alteridade do apelo à estranh(eir)eza e à nulidade do ser-lançado, | + | * A tentação forte de aproximar, por contraste, a alteridade da injunção daquela de outrem, enquanto Heidegger rebate a alteridade do apelo à estranh(eir)eza e à nulidade do ser-lançado, |
| - | * A ultimidade da reconciliação em Hegel deixando o leitor perplexo quanto à identidade deste outro na " | + | * A ultimidade da reconciliação em Hegel deixando o leitor perplexo quanto à identidade deste outro na " |
| - | * O perdão marcando já a entrada na esfera da religião, deixando Hegel seu leitor em suspenso | + | * O perdão marcando já a entrada na esfera da religião, deixando Hegel seu leitor em suspenso |
| - | * A última equivocidade quanto ao estatuto do Outro no fenômeno da consciência sendo talvez o que pede para ser preservado em última instância | + | * A última equivocidade quanto ao estatuto do Outro no fenômeno da consciência sendo talvez o que pede para ser preservado em última instância |
| - | * A alteridade tranchada em um sentido clara e univocamente antropológico na metapsicologia freudiana: a consciência moral sendo um outro nome do supereu | + | * A alteridade tranchada em um sentido clara e univocamente antropológico na metapsicologia freudiana: a consciência moral sendo um outro nome do supereu |
| - | * O supereu se resumindo às identificações (sedimentadas, | + | * O supereu se resumindo às identificações (sedimentadas, |
| - | * A dimensão geracional sendo uma componente inegável do fenômeno da injunção e mais ainda daquele da dívida | + | * A dimensão geracional sendo uma componente inegável do fenômeno da injunção e mais ainda daquele da dívida |
| - | * A objeção à explicação genética de Freud de que o fenômeno da injunção e ainda menos o da dívida não são exauridos por ela | + | * A objeção à explicação genética de Freud de que o fenômeno da injunção e ainda menos o da dívida não são exauridos por ela |
| - | * O soi não constituído originariamente em estrutura de acolhimento para as sedimentações do supereu, tornando impensável a interiorização das vozes ancestrais | + | * O soi não constituído originariamente em estrutura de acolhimento para as sedimentações do supereu, tornando impensável a interiorização das vozes ancestrais |
| - | * A aptidão a ser-afetado no modo da injunção parecendo constituir a condição de possibilidade do fenômeno empírico de identificação | + | * A aptidão a ser-afetado no modo da injunção parecendo constituir a condição de possibilidade do fenômeno empírico de identificação |
| - | * O modelo geracional da consciência recelando outra enigma mais indecifrável: | + | * O modelo geracional da consciência recelando outra enigma mais indecifrável: |
| - | * O ancestral se excetuando do regime da representação, | + | * O ancestral se excetuando do regime da representação, |
| - | * A pietas de um gênero único unindo assim os vivos e os mortos, refletindo o círculo do qual o ancestral tira a autoridade de sua voz | + | * A pietas de um gênero único unindo assim os vivos e os mortos, refletindo o círculo do qual o ancestral tira a autoridade de sua voz |
| - | * O ancestral, figura geracional do Outro, sendo o intermédio pelo qual a injunção se precede a si mesma | + | * O ancestral, figura geracional do Outro, sendo o intermédio pelo qual a injunção se precede a si mesma |
| - | * A oposição, à redução, característica da filosofia de M. Heidegger, do ser em dívida à estranh(eir)eza ligada à facticidade do ser no mundo, de E. Levinas, de uma redução simétrica da alteridade da consciência à exterioridade de outrem manifestada em seu rosto | + | * A oposição, à redução, característica da filosofia de M. Heidegger, do ser em dívida à estranh(eir)eza ligada à facticidade do ser no mundo, de E. Levinas, de uma redução simétrica da alteridade da consciência à exterioridade de outrem manifestada em seu rosto |
| - | * A oposição obstinada ao caráter original e originário do que aparece como a terceira modalidade de alteridade: o ser-injungido enquanto estrutura da ipseidade | + | * A oposição obstinada ao caráter original e originário do que aparece como a terceira modalidade de alteridade: o ser-injungido enquanto estrutura da ipseidade |
| - | * A injunção pelo outro não sendo solidária da atestação de si, perdendo seu caráter de injunção, por falta da existência de um ser-injungido que lhe faça face à maneira de um respondente | + | * A injunção pelo outro não sendo solidária da atestação de si, perdendo seu caráter de injunção, por falta da existência de um ser-injungido que lhe faça face à maneira de um respondente |
| - | * A injunção sendo originariamente atestação, | + | * A injunção sendo originariamente atestação, |
| - | * A unidade profunda da atestação de si e da injunção vinda do outro justificando o reconhecimento da especificidade irredutível da modalidade de alteridade correspondendo, | + | * A unidade profunda da atestação de si e da injunção vinda do outro justificando o reconhecimento da especificidade irredutível da modalidade de alteridade correspondendo, |
| - | * A necessidade de manter uma certa equivocidade no plano puramente filosófico do estatuto do Outro, se a alteridade da consciência deve ser tida por irredutível àquela de outrem | + | * A necessidade de manter uma certa equivocidade no plano puramente filosófico do estatuto do Outro, se a alteridade da consciência deve ser tida por irredutível àquela de outrem |
| - | * O filósofo devendo confessar que não sabe e não pode dizer se este Outro, fonte da injunção, é um autrui que se possa avistar ou que possa desavistar, ou os antepassados cuja dívida é constitutiva, | + | * O filósofo devendo confessar que não sabe e não pode dizer se este Outro, fonte da injunção, é um autrui que se possa avistar ou que possa desavistar, ou os antepassados cuja dívida é constitutiva, |
| - | * O discurso filosófico se detendo nesta aporia do Outro | + | * O discurso filosófico se detendo nesta aporia do Outro |
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