estudos:ricoeur:fc:reconquistar-o-cogito
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| + | ====== Reconquistar o cogito ====== | ||
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| + | //P. Ricœur, Philosophie de la volonté, Aubier, 1950, pp. 12-15.// | ||
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| + | 1. Esta reconquista pode muito bem basear-se no Cogito de Descartes, mas Descartes agrava a dificuldade ao relacionar a alma e o corpo com duas linhas de inteligibilidade heterogéneas, | ||
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| + | A reconquista do Cogito deve ser total; é no interior do próprio Cogito que devemos redescobrir o corpo... A experiência integral do Cogito envolve o eu desejo, eu posso, eu vivo e, em geral, a existência como corpo. Uma subjetividade comum está na base da homogeneidade das estruturas voluntárias e involuntárias. O nexo entre o voluntário e o involuntário não está na fronteira de dois universos de discurso, um dos quais seria a reflexão sobre o pensamento e o outro, a fisicalidade do corpo: a intuição do Cogito... é o sentido do corpo como fonte de motivos, como um feixe de poderes, e mesmo como uma natureza necessária. A tarefa será descobrir até a necessidade na primeira pessoa, a natureza que eu sou. | ||
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| + | Ao tornar-se um fato, a experiência da consciência é degradada e perde os seus traços distintivos: | ||
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| + | ... O que se entende por corpo-sujeito e Cogito em geral? A oposição do corpo-sujeito e do corpo-objeto não coincide de modo algum com a oposição de duas direcções do olhar. É, de uma forma mais complexa, a oposição de duas atitudes, ambas podendo recorrer à intro-especção ou à extro-especção, | ||
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| + | O que caracteriza a psicologia empirista não é em primeiro lugar a sua preferência pelo conhecimento externo, mas a sua redução dos actos (com a sua intencionalidade e a sua referência a um Ego) a fatos. Dir-se-á que os actos são mais bem conhecidos a partir do interior e os fatos a partir do exterior? Isto é apenas parcialmente verdadeiro. Pois a própria introspecção pode ser degradada em conhecimento de fato, se lhe faltar o psíquico como ato intencional e ato de alguém... Por outro lado, o conhecimento da subjetividade não pode ser reduzido à introspecção, | ||
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| + | ... Descubro o corpo na segunda pessoa, o corpo como motivo, órgão e natureza de outra pessoa (...) O corpo-objeto é o corpo do outro e o meu próprio corpo, arrancados ao sujeito que afetam e exprimem. Só podemos passar do corpo-objeto ao corpo-sujeito por um salto que transcende a ordem das coisas, enquanto que passamos do segundo ao primeiro pelo... tipo de interesse representado pela constituição da ciência empírica como conhecimento dos fatos. | ||
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