| O tema central em meu confronto com as {Contribuições} (GA65) é a emergência. As Contribuições arriscam o pensamento de que o ser se torna próprio no {Not} — emergência, urgência, exigência. Encontros genuínos com os entes (das Seiende) — a terra em que habitamos, as ferramentas que usamos, a arte que criamos, as comunidades nas quais tentamos atingir nossos objetivos — exigem um momento raro e urgente em que nos apropriamos e somos apropriados pela significância dos entes como um todo. Heidegger costuma chamar essa significância de {Sein}, “ser”, enquanto chama o acontecimento de apropriação (Ereignis), o acontecimento no qual o ser emerge, de {Seyn} — que eu traduzo como “seer”. (O cerne da história, para Heidegger, não é uma sequência de ocorrências, mas o surgimento do seer — a irrupção de significância em “incepções” (inceptions) ou conjunturas críticas. Tal conjuntura decide o curso de uma época; ela inicia um reino de verdade e uma ordem de representação. Uma incepção se apropriaria de nós, ou nos traria para dentro de nós mesmos, transformando todos os entes, inclusive o nosso, em uma questão urgente. Ao contrário de uma emergência convencional, esse momento pode não exigir uma ação imediata; na verdade, pode nos deixar perdidos e exigir uma longa reflexão. No entanto, a palavra emergência descreve adequadamente como um acontecimento tão extraordinário nos coloca em questão. Na emergência, ser emerge. | O tema central em meu confronto com as {Contribuições} (GA65) é a emergência. As Contribuições arriscam o pensamento de que o ser se torna próprio no {Not} — emergência, urgência, exigência. Encontros genuínos com os entes (das Seiende) — a terra em que habitamos, as ferramentas que usamos, a arte que criamos, as comunidades nas quais tentamos atingir nossos objetivos — exigem um momento raro e urgente em que nos apropriamos e somos apropriados pela significância dos entes como um todo. Heidegger costuma chamar essa significância de {Sein}, “ser”, enquanto chama o acontecimento de apropriação (Ereignis), o acontecimento no qual o ser emerge, de {Seyn} — que eu traduzo como “seer”. (O cerne da história, para Heidegger, não é uma sequência de ocorrências, mas o surgimento do seer — a irrupção de significância em “incepções” (inceptions) ou conjunturas críticas. Tal conjuntura decide o curso de uma época; ela inicia um reino de verdade e uma ordem de representação. Uma incepção se apropriaria de nós, ou nos traria para dentro de nós mesmos, transformando todos os entes, inclusive o nosso, em uma questão urgente. Ao contrário de uma emergência convencional, esse momento pode não exigir uma ação imediata; na verdade, pode nos deixar perdidos e exigir uma longa reflexão. No entanto, a palavra emergência descreve adequadamente como um acontecimento tão extraordinário nos coloca em questão. Na emergência, ser emerge. |