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 //A análise blondeliana se desenvolve pondo em evidência a potência da “vontade querente”, que tende para o cumprimento de seu desejo aberto indefinidamente, enquanto a “vontade querida” encarna esse élan na particularidade de nossas existências. A relação entre a vontade querente e a vontade querida é precisa: essa última alimenta-se daquela que lhe dá seu élan e da qual é a expressão e a correia de transmissão, sem nunca lhe esgotar a amplidão inteira.// //A análise blondeliana se desenvolve pondo em evidência a potência da “vontade querente”, que tende para o cumprimento de seu desejo aberto indefinidamente, enquanto a “vontade querida” encarna esse élan na particularidade de nossas existências. A relação entre a vontade querente e a vontade querida é precisa: essa última alimenta-se daquela que lhe dá seu élan e da qual é a expressão e a correia de transmissão, sem nunca lhe esgotar a amplidão inteira.//
  
-  * A metafísica recente não considera as formas abstratas do ente, mas sim o movimento espiritual que as estabelece. +    * A metafísica recente não considera as formas abstratas do ente, mas sim o movimento espiritual que as estabelece. 
-    * Ela desdobra o que está implícito no questionamento mais vasto e mais originário do ser humano. +      * Ela desdobra o que está implícito no questionamento mais vasto e mais originário do ser humano. 
-    * O seu alcance vai desde as pesquisas explícitas sobre a razão ou o sentido das nossas vidas até às condições necessárias que as tornam possíveis. +      * O seu alcance vai desde as pesquisas explícitas sobre a razão ou o sentido das nossas vidas até às condições necessárias que as tornam possíveis. 
-  * O implícito assim resgatado não é da alçada da psicologia empírica do ato científico, pois a psicologia não pode pretender concluir de maneira absolutamente necessária. +    * O implícito assim resgatado não é da alçada da psicologia empírica do ato científico, pois a psicologia não pode pretender concluir de maneira absolutamente necessária. 
-    * O método transcendental, característico da filosofia moderna, distingue-se do método das ciências que enunciam *a posteriorio nosso questionamento radical e os nossos atos razoáveis. +      * O método transcendental, característico da filosofia moderna, distingue-se do método das ciências que enunciam //a posteriori// o nosso questionamento radical e os nossos atos razoáveis. 
-    * A *Crítica da Razão Purade Kant aplica esse método num quadro essencialmente epistemológico. +      * A //Crítica da Razão Pura// de Kant aplica esse método num quadro essencialmente epistemológico. 
-  * Em Martin Heidegger e em Maurice Blondel, o método transcendental recebe uma aplicação mais ampla, de modo que o termo "transcendental," com tonalidades kantianas, não lhes convém sem legítimos matizes. +    * Em Martin Heidegger e em Maurice Blondel, o método transcendental recebe uma aplicação mais ampla, de modo que o termo "transcendental," com tonalidades kantianas, não lhes convém sem legítimos matizes. 
-    * O sentido da pesquisa intelectual não resulta apenas do seu trabalho cognitivo: apoia-se sobre a totalidade das nossas potências humanas. +      * O sentido da pesquisa intelectual não resulta apenas do seu trabalho cognitivo: apoia-se sobre a totalidade das nossas potências humanas. 
-    * O método transcendental transforma-se, assim, em fenomenológico. +      * O método transcendental transforma-se, assim, em fenomenológico. 
-  * O método fenomenológico, criado por Husserl no começo do século XX com a finalidade kantiana de fundar as ciências na necessidade racional e não na psicologia empírica, evidencia a essência dos fenômenos. +    * O método fenomenológico, criado por Husserl no começo do século XX com a finalidade kantiana de fundar as ciências na necessidade racional e não na psicologia empírica, evidencia a essência dos fenômenos. 
-    * Ele descobre o que os constitui como tais, ou seja, as condições de possibilidade do seu aparecer fenomenal perante a consciência. +      * Ele descobre o que os constitui como tais, ou seja, as condições de possibilidade do seu aparecer fenomenal perante a consciência. 
-  * Heidegger alargou o campo da fenomenologia husserliana. +    * Heidegger alargou o campo da fenomenologia husserliana. 
-    * O espírito exerce o seu questionamento numa prática bem mais ampla do que a da ciência consciente da sua operatividade. +      * O espírito exerce o seu questionamento numa prática bem mais ampla do que a da ciência consciente da sua operatividade. 
-    * Toda a vida do homem põe a questão do seu fundamento. +      * Toda a vida do homem põe a questão do seu fundamento. 
-    * O conhecimento do princípio não é dado a quem ignora a totalidade dos múltiplos fenômenos das nossas vidas. +      * O conhecimento do princípio não é dado a quem ignora a totalidade dos múltiplos fenômenos das nossas vidas. 
-    * A fenomenologia não pode contentar-se com analisar apenas as potências do nosso pensamento, mas abrange as nossas múltiplas atividades para nelas descobrir o laço que as organiza interiormente e nos orienta progressivamente para o seu princípio. +      * A fenomenologia não pode contentar-se com analisar apenas as potências do nosso pensamento, mas abrange as nossas múltiplas atividades para nelas descobrir o laço que as organiza interiormente e nos orienta progressivamente para o seu princípio. 
-  * Os primeiros parágrafos de *Ser e Tempo*, publicado em 1927 por Heidegger, insistem na articulação do fundamento dos entes e do dinamismo do espírito (ou do homem que se chama Dasein, o "ser-aí," intimado a responder à questão sobre o sentido do seu ser). +    * Os primeiros parágrafos de //Ser e Tempo//, publicado em 1927 por Heidegger, insistem na articulação do fundamento dos entes e do dinamismo do espírito (ou do homem que se chama Dasein, o "ser-aí," intimado a responder à questão sobre o sentido do seu ser). 
-    * Essa articulação é apresentada com a ajuda de categorias originais: o existenciário e o existencial. +      * Essa articulação é apresentada com a ajuda de categorias originais: o existenciário e o existencial. 
-    * O existencial designa o princípio das nossas vidas no mundo, sendo acessível através dos diversos fenômenos da nossa existência (existenciários). +      * O existencial designa o princípio das nossas vidas no mundo, sendo acessível através dos diversos fenômenos da nossa existência (existenciários). 
-    * A reflexão existencial assume o existenciário, procurando-lhe o sentido. +      * A reflexão existencial assume o existenciário, procurando-lhe o sentido. 
-    * Os fenômenos existenciários apontam para uma ontologia existencial. +      * Os fenômenos existenciários apontam para uma ontologia existencial. 
-    * Contudo, como não se acede ao plano existencial sem passar pelos fenômenos existenciários, o exame da questão de princípio não se contenta com analisar a lógica de nossas noções abstratas mais gerais. A partida é tomada no vivido "existenciário." +      * Contudo, como não se acede ao plano existencial sem passar pelos fenômenos existenciários, o exame da questão de princípio não se contenta com analisar a lógica de nossas noções abstratas mais gerais. A partida é tomada no vivido "existenciário." 
-  * A problemática de Blondel pode ser comparada à de Heidegger. +    * A problemática de Blondel pode ser comparada à de Heidegger. 
-    * O *Açãode Blondel, de 1893, embora anterior a *Ser e Tempo*, não desconhece o que é significado pelas distinções entre existenciário e existencial, ôntico e ontológico. +      * O //Ação// de Blondel, de 1893, embora anterior a //Ser e Tempo//, não desconhece o que é significado pelas distinções entre existenciário e existencial, ôntico e ontológico. 
-    * O dinamismo do Dasein não é totalmente diferente do dinamismo da "vontade querente" de Blondel. +      * O dinamismo do Dasein não é totalmente diferente do dinamismo da "vontade querente" de Blondel. 
-    * A análise blondeliana se desenvolve evidenciando a potência da "vontade querente," que tende para o cumprimento do seu desejo aberto indefinidamente, enquanto a "vontade querida" encarna esse élan na particularidade das nossas existências. +      * A análise blondeliana se desenvolve evidenciando a potência da "vontade querente," que tende para o cumprimento do seu desejo aberto indefinidamente, enquanto a "vontade querida" encarna esse élan na particularidade das nossas existências. 
-    * A inadequação entre a vontade querente e a vontade querida é verificada por meio de todas as nossas atividades. +      * A inadequação entre a vontade querente e a vontade querida é verificada por meio de todas as nossas atividades. 
-    * Reconhece-se uma ordem entre as formas queridas dessas atividades, revelando a amplitude da vontade querente, que é progressivamente exercida e realizada de uma maneira sempre mais adequada, culminando na posição da pura ação (a "opção"), que pode atender inteiramente à vontade querente. +      * Reconhece-se uma ordem entre as formas queridas dessas atividades, revelando a amplitude da vontade querente, que é progressivamente exercida e realizada de uma maneira sempre mais adequada, culminando na posição da pura ação (a "opção"), que pode atender inteiramente à vontade querente. 
-  * No final de sua primeira obra, Blondel fala de uma "metafísica à segunda potência," indicando um prolongamento possível da reflexão. +    * No final de sua primeira obra, Blondel fala de uma "metafísica à segunda potência," indicando um prolongamento possível da reflexão. 
-    * Essa metafísica à segunda potência funda não somente o que uma metafísica subjetiva apresentava como a realidade do ser (fenômeno especulativo), mas "todo o determinismo da natureza, da vida e do pensamento." +      * Essa metafísica à segunda potência funda não somente o que uma metafísica subjetiva apresentava como a realidade do ser (fenômeno especulativo), mas "todo o determinismo da natureza, da vida e do pensamento." 
-    * Embora *A Açãose prenda de maneira privilegiada ao movimento da vontade subjetiva para se opor ao positivismo e ao criticismo, não se limita aos problemas do "eu." +      * Embora //A Ação// se prenda de maneira privilegiada ao movimento da vontade subjetiva para se opor ao positivismo e ao criticismo, não se limita aos problemas do "eu." 
-    * De fato, a sua tese desenvolve a aliança dos atos do espírito e do ente, e em Blondel não há interesse pelo sujeito separado do seu fundamento metafísico. +      * De fato, a sua tese desenvolve a aliança dos atos do espírito e do ente, e em Blondel não há interesse pelo sujeito separado do seu fundamento metafísico. 
-  * O plano de *A Açãoderiva dessa perspectiva: +    * O plano de //A Ação// deriva dessa perspectiva: 
-    * Após mostrar a necessidade de pôr a questão do sentido da vida (1ª parte) e a necessidade de encontrar uma resposta positiva (2ª parte), Blondel analisa os domínios do saber e do agir humano (3ª parte). +      * Após mostrar a necessidade de pôr a questão do sentido da vida (1ª parte) e a necessidade de encontrar uma resposta positiva (2ª parte), Blondel analisa os domínios do saber e do agir humano (3ª parte). 
-    * O leitor é levado a reconhecer nos diversos fenômenos do dinamismo do espírito expressões em que a vontade querida tende a igualar a amplitude da vontade querente. +      * O leitor é levado a reconhecer nos diversos fenômenos do dinamismo do espírito expressões em que a vontade querida tende a igualar a amplitude da vontade querente. 
-  * O primeiro fenômeno do espírito é a atividade científica, uma primazia necessária para a filosofia, que não pode meditar sem analisar as suas expressões perante as exigências racionais. +    * O primeiro fenômeno do espírito é a atividade científica, uma primazia necessária para a filosofia, que não pode meditar sem analisar as suas expressões perante as exigências racionais. 
-    * Uma vez analisadas as ciências e reconhecido que a exigência do sentido não é extinta pelas suas práticas, afirma-se que elas não são a medida do ser, mas que o ser é a luz do seu sentido. +      * Uma vez analisadas as ciências e reconhecido que a exigência do sentido não é extinta pelas suas práticas, afirma-se que elas não são a medida do ser, mas que o ser é a luz do seu sentido. 
-    * A fundação das ciências é assegurada por uma exigência que leva a ultrapassá-las. +      * A fundação das ciências é assegurada por uma exigência que leva a ultrapassá-las. 
-    *A Açãosegue o estudo dos fenômenos do espírito (como a liberdade pessoal, o engajamento na sociedade e os valores religiosos mais altos), culminando na "opção" (4ª parte). +      //A Ação// segue o estudo dos fenômenos do espírito (como a liberdade pessoal, o engajamento na sociedade e os valores religiosos mais altos), culminando na "opção" (4ª parte). 
-    * O sentido de cada fenômeno analisado é então afirmado, reconhecendo a tensão que a todos atravessou. +      * O sentido de cada fenômeno analisado é então afirmado, reconhecendo a tensão que a todos atravessou. 
-    * "Tudo o que foi chamado dados sensíveis, verdades positivas, ciência subjetiva, crescimento orgânico, expansão social, concepções morais e metafísicas, certeza do único necessário, alternativa inevitável, opção mortífera ou vivificante, acabamento sobrenatural da ação, afirmação da existência real dos objetos do pensamento e das condições da prática, tudo não passa de fenômenos pelo mesmo título." +      * "Tudo o que foi chamado dados sensíveis, verdades positivas, ciência subjetiva, crescimento orgânico, expansão social, concepções morais e metafísicas, certeza do único necessário, alternativa inevitável, opção mortífera ou vivificante, acabamento sobrenatural da ação, afirmação da existência real dos objetos do pensamento e das condições da prática, tudo não passa de fenômenos pelo mesmo título." 
-    * Para concluir, Blondel sela todos esses fenômenos na afirmação positiva do princípio (5ª parte), que transcende o ato de liberdade, implementando-o além dela mesma. +      * Para concluir, Blondel sela todos esses fenômenos na afirmação positiva do princípio (5ª parte), que transcende o ato de liberdade, implementando-o além dela mesma. 
-  * Segundo *A Ação*, a afirmação ontológica nasce do interior da análise dos fenômenos. +    * Segundo //A Ação//, a afirmação ontológica nasce do interior da análise dos fenômenos. 
-    * Todos os fenômenos manifestam uma inadequação entre a vontade querente e o que lhe é possível concretamente realizar. +      * Todos os fenômenos manifestam uma inadequação entre a vontade querente e o que lhe é possível concretamente realizar. 
-    * No termo do percurso, e no caso da opção "positiva", um olhar retrospectivo reconhece em cada fenômeno uma expressão provisória, mas já real, do infinito fundador. +      * No termo do percurso, e no caso da opção "positiva", um olhar retrospectivo reconhece em cada fenômeno uma expressão provisória, mas já real, do infinito fundador. 
-    * Os fenômenos analisados não são mais entendidos como resultados de uma vontade que busca somente sua autoadequação, mas porque apontam para um fundamento ao qual o espírito se sabe desde sempre votado.+      * Os fenômenos analisados não são mais entendidos como resultados de uma vontade que busca somente sua autoadequação, mas porque apontam para um fundamento ao qual o espírito se sabe desde sempre votado.
  
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