estudos:paul-gilbert:paul-gilbert-2004-fenomenologias
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| //A análise blondeliana se desenvolve pondo em evidência a potência da “vontade querente”, | //A análise blondeliana se desenvolve pondo em evidência a potência da “vontade querente”, | ||
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| - | * Ela desdobra o que está implícito no questionamento mais vasto e mais originário do ser humano. | + | * Ela desdobra o que está implícito no questionamento mais vasto e mais originário do ser humano. |
| - | * O seu alcance vai desde as pesquisas explícitas sobre a razão ou o sentido das nossas vidas até às condições necessárias que as tornam possíveis. | + | * O seu alcance vai desde as pesquisas explícitas sobre a razão ou o sentido das nossas vidas até às condições necessárias que as tornam possíveis. |
| - | * O implícito assim resgatado não é da alçada da psicologia empírica do ato científico, | + | * O implícito assim resgatado não é da alçada da psicologia empírica do ato científico, |
| - | * O método transcendental, | + | * O método transcendental, |
| - | * A *Crítica da Razão Pura* de Kant aplica esse método num quadro essencialmente epistemológico. | + | * A //Crítica da Razão Pura// de Kant aplica esse método num quadro essencialmente epistemológico. |
| - | * Em Martin Heidegger e em Maurice Blondel, o método transcendental recebe uma aplicação mais ampla, de modo que o termo " | + | * Em Martin Heidegger e em Maurice Blondel, o método transcendental recebe uma aplicação mais ampla, de modo que o termo " |
| - | * O sentido da pesquisa intelectual não resulta apenas do seu trabalho cognitivo: apoia-se sobre a totalidade das nossas potências humanas. | + | * O sentido da pesquisa intelectual não resulta apenas do seu trabalho cognitivo: apoia-se sobre a totalidade das nossas potências humanas. |
| - | * O método transcendental transforma-se, | + | * O método transcendental transforma-se, |
| - | * O método fenomenológico, | + | * O método fenomenológico, |
| - | * Ele descobre o que os constitui como tais, ou seja, as condições de possibilidade do seu aparecer fenomenal perante a consciência. | + | * Ele descobre o que os constitui como tais, ou seja, as condições de possibilidade do seu aparecer fenomenal perante a consciência. |
| - | * Heidegger alargou o campo da fenomenologia husserliana. | + | * Heidegger alargou o campo da fenomenologia husserliana. |
| - | * O espírito exerce o seu questionamento numa prática bem mais ampla do que a da ciência consciente da sua operatividade. | + | * O espírito exerce o seu questionamento numa prática bem mais ampla do que a da ciência consciente da sua operatividade. |
| - | * Toda a vida do homem põe a questão do seu fundamento. | + | * Toda a vida do homem põe a questão do seu fundamento. |
| - | * O conhecimento do princípio não é dado a quem ignora a totalidade dos múltiplos fenômenos das nossas vidas. | + | * O conhecimento do princípio não é dado a quem ignora a totalidade dos múltiplos fenômenos das nossas vidas. |
| - | * A fenomenologia não pode contentar-se com analisar apenas as potências do nosso pensamento, mas abrange as nossas múltiplas atividades para nelas descobrir o laço que as organiza interiormente e nos orienta progressivamente para o seu princípio. | + | * A fenomenologia não pode contentar-se com analisar apenas as potências do nosso pensamento, mas abrange as nossas múltiplas atividades para nelas descobrir o laço que as organiza interiormente e nos orienta progressivamente para o seu princípio. |
| - | * Os primeiros parágrafos de *Ser e Tempo*, publicado em 1927 por Heidegger, insistem na articulação do fundamento dos entes e do dinamismo do espírito (ou do homem que se chama Dasein, o " | + | * Os primeiros parágrafos de //Ser e Tempo//, publicado em 1927 por Heidegger, insistem na articulação do fundamento dos entes e do dinamismo do espírito (ou do homem que se chama Dasein, o " |
| - | * Essa articulação é apresentada com a ajuda de categorias originais: o existenciário e o existencial. | + | * Essa articulação é apresentada com a ajuda de categorias originais: o existenciário e o existencial. |
| - | * O existencial designa o princípio das nossas vidas no mundo, sendo acessível através dos diversos fenômenos da nossa existência (existenciários). | + | * O existencial designa o princípio das nossas vidas no mundo, sendo acessível através dos diversos fenômenos da nossa existência (existenciários). |
| - | * A reflexão existencial assume o existenciário, | + | * A reflexão existencial assume o existenciário, |
| - | * Os fenômenos existenciários apontam para uma ontologia existencial. | + | * Os fenômenos existenciários apontam para uma ontologia existencial. |
| - | * Contudo, como não se acede ao plano existencial sem passar pelos fenômenos existenciários, | + | * Contudo, como não se acede ao plano existencial sem passar pelos fenômenos existenciários, |
| - | * A problemática de Blondel pode ser comparada à de Heidegger. | + | * A problemática de Blondel pode ser comparada à de Heidegger. |
| - | * O *Ação* de Blondel, de 1893, embora anterior a *Ser e Tempo*, não desconhece o que é significado pelas distinções entre existenciário e existencial, | + | * O //Ação// de Blondel, de 1893, embora anterior a //Ser e Tempo//, não desconhece o que é significado pelas distinções entre existenciário e existencial, |
| - | * O dinamismo do Dasein não é totalmente diferente do dinamismo da " | + | * O dinamismo do Dasein não é totalmente diferente do dinamismo da " |
| - | * A análise blondeliana se desenvolve evidenciando a potência da " | + | * A análise blondeliana se desenvolve evidenciando a potência da " |
| - | * A inadequação entre a vontade querente e a vontade querida é verificada por meio de todas as nossas atividades. | + | * A inadequação entre a vontade querente e a vontade querida é verificada por meio de todas as nossas atividades. |
| - | * Reconhece-se uma ordem entre as formas queridas dessas atividades, revelando a amplitude da vontade querente, que é progressivamente exercida e realizada de uma maneira sempre mais adequada, culminando na posição da pura ação (a " | + | * Reconhece-se uma ordem entre as formas queridas dessas atividades, revelando a amplitude da vontade querente, que é progressivamente exercida e realizada de uma maneira sempre mais adequada, culminando na posição da pura ação (a " |
| - | * No final de sua primeira obra, Blondel fala de uma " | + | * No final de sua primeira obra, Blondel fala de uma " |
| - | * Essa metafísica à segunda potência funda não somente o que uma metafísica subjetiva apresentava como a realidade do ser (fenômeno especulativo), | + | * Essa metafísica à segunda potência funda não somente o que uma metafísica subjetiva apresentava como a realidade do ser (fenômeno especulativo), |
| - | * Embora | + | * Embora |
| - | * De fato, a sua tese desenvolve a aliança dos atos do espírito e do ente, e em Blondel não há interesse pelo sujeito separado do seu fundamento metafísico. | + | * De fato, a sua tese desenvolve a aliança dos atos do espírito e do ente, e em Blondel não há interesse pelo sujeito separado do seu fundamento metafísico. |
| - | * O plano de *A Ação* deriva dessa perspectiva: | + | * O plano de //A Ação// deriva dessa perspectiva: |
| - | * Após mostrar a necessidade de pôr a questão do sentido da vida (1ª parte) e a necessidade de encontrar uma resposta positiva (2ª parte), Blondel analisa os domínios do saber e do agir humano (3ª parte). | + | * Após mostrar a necessidade de pôr a questão do sentido da vida (1ª parte) e a necessidade de encontrar uma resposta positiva (2ª parte), Blondel analisa os domínios do saber e do agir humano (3ª parte). |
| - | * O leitor é levado a reconhecer nos diversos fenômenos do dinamismo do espírito expressões em que a vontade querida tende a igualar a amplitude da vontade querente. | + | * O leitor é levado a reconhecer nos diversos fenômenos do dinamismo do espírito expressões em que a vontade querida tende a igualar a amplitude da vontade querente. |
| - | * O primeiro fenômeno do espírito é a atividade científica, | + | * O primeiro fenômeno do espírito é a atividade científica, |
| - | * Uma vez analisadas as ciências e reconhecido que a exigência do sentido não é extinta pelas suas práticas, afirma-se que elas não são a medida do ser, mas que o ser é a luz do seu sentido. | + | * Uma vez analisadas as ciências e reconhecido que a exigência do sentido não é extinta pelas suas práticas, afirma-se que elas não são a medida do ser, mas que o ser é a luz do seu sentido. |
| - | * A fundação das ciências é assegurada por uma exigência que leva a ultrapassá-las. | + | * A fundação das ciências é assegurada por uma exigência que leva a ultrapassá-las. |
| - | | + | * //A Ação// segue o estudo dos fenômenos do espírito (como a liberdade pessoal, o engajamento na sociedade e os valores religiosos mais altos), culminando na " |
| - | * O sentido de cada fenômeno analisado é então afirmado, reconhecendo a tensão que a todos atravessou. | + | * O sentido de cada fenômeno analisado é então afirmado, reconhecendo a tensão que a todos atravessou. |
| - | * "Tudo o que foi chamado dados sensíveis, verdades positivas, ciência subjetiva, crescimento orgânico, expansão social, concepções morais e metafísicas, | + | * "Tudo o que foi chamado dados sensíveis, verdades positivas, ciência subjetiva, crescimento orgânico, expansão social, concepções morais e metafísicas, |
| - | * Para concluir, Blondel sela todos esses fenômenos na afirmação positiva do princípio (5ª parte), que transcende o ato de liberdade, implementando-o além dela mesma. | + | * Para concluir, Blondel sela todos esses fenômenos na afirmação positiva do princípio (5ª parte), que transcende o ato de liberdade, implementando-o além dela mesma. |
| - | * Segundo | + | * Segundo |
| - | * Todos os fenômenos manifestam uma inadequação entre a vontade querente e o que lhe é possível concretamente realizar. | + | * Todos os fenômenos manifestam uma inadequação entre a vontade querente e o que lhe é possível concretamente realizar. |
| - | * No termo do percurso, e no caso da opção " | + | * No termo do percurso, e no caso da opção " |
| - | * Os fenômenos analisados não são mais entendidos como resultados de uma vontade que busca somente sua autoadequação, | + | * Os fenômenos analisados não são mais entendidos como resultados de uma vontade que busca somente sua autoadequação, |
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