estudos:patocka:tragedias-de-sofocles
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| + | ====== Tragédias de Sófocles ====== | ||
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| + | ==== Jan Patocka. L’écrivain et son " | ||
| + | A ideia de representar juntas as três tragédias sofoclianas sobre o tema dos Labdácidas se impõe do ponto de vista da unidade da história mítica das gerações sucessivas dos descendentes de Lábdaco, do ponto de vista do destino que se cumpre de pai para filho e até os filhos desse filho. Mas a unificação também coloca um problema: se Antígona, obra anterior às outras duas e concebida independentemente delas, é, nessa perspectiva, | ||
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| + | O Édipo de Sófocles nos mostra o caminho traçado ao ser humano pela claridade, a compreensão, | ||
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| + | De fato, Édipo não é apenas um criminoso que, superando a si mesmo, estabelece sua culpa pela força de seu próprio olhar. Enquanto criminoso, ele é tabu nos dois sentidos dessa palavra equívoca: ao mesmo tempo maldito e ser sagrado. Ele não é apenas um réprobo, mas um réprobo eleito. Ele é " | ||
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| + | Antígona também é sagrada em seu sofrimento; ela continua nesse aspecto o destino de Édipo. Seu paradoxo reside no fato de que, filha do crime, ela se torna aquela através da qual se revela, em toda sua força, a lei da piedade familiar, "lei divina" | ||
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| + | A intenção destas poucas palavras não é assinalar a importância do ato poético de Sófocles. Este é, sem dúvida, um daqueles criadores que arrebatam e enchem de entusiasmo quem quer que seja um pouco sensível à grandeza e à pureza, mas que cabe a muito poucos julgar. Ninguém soube caracterizar a figura poética de Sófocles de maneira tão simples e justa quanto Hölderlin, que escreve: "Assim como Ésquilo escreveu no estilo de sua década guerreira, assim Sófocles no espírito de sua época mais culta, mistura em tudo de virilidade orgulhosa e de moleza feminina: a expressão pura, refletida, e ao mesmo tempo calorosa, exaltante, que foi própria à era de Péricles [^F. Hölderlin, «História das belas artes entre os gregos», Obras completas, Stuttgart, 1961, t. IV, primeira parte, p. 204. (N.d.T.)]." | ||
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| + | De fato, a questão que Sófocles nos colocaria seria sem dúvida a seguinte: a visão de mundo que consideramos hoje evidente, visão da absurdidade desencantada do ente que se dobra elasticamente a nossos objetivos efêmeros arbitrários, | ||
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