estudos:patocka:patocka-existencia
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| + | ====== Existência ====== | ||
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| + | //Data: 2025-10-20 22:53// | ||
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| + | * A Dificuldade de Conceitualizar a Existência e a Natureza do Pensamento | ||
| + | * A carência de um conceito objetivo de existência, | ||
| + | * A fundamentação de todo o saber e da ciência no facto de pensar o idêntico, o que confere clareza e eficácia. | ||
| + | * A existência de um pensamento não-científico, | ||
| + | * A materialização desse pensamento arcaico em sentimentos, | ||
| + | * A possibilidade de esse pensamento mitológico encerrar um sentido profundo e verdade, se a verdade não for circunscrita ao pensar objetivo, mas entendida como um modo de compreensão que orienta na vida e na existência. | ||
| + | * A persistência de temas míticos, como o de Édipo, que o psicanálise contemporâneo vê repetir-se em cada indivíduo, ou as figuras de Orestes e Penteseleia, | ||
| + | * A interrogação sobre a existência de um modo de pensar distinto do objetivo, que produz sentido e toca o homem mais profundamente, | ||
| + | * A recorrência do mito de Orfeu na obra "A Flauta Mágica" | ||
| + | |||
| + | * A Ilustração da Existência através de Obras Literárias com Múltiplos Planos de Sentido | ||
| + | * A recomendação do recurso a exemplos literários para representar o que é a existência, | ||
| + | * A evocação, por parte do autor, do que está em jogo na vida do homem através da distribuição da ação em múltiplos planos, que são etapas da relação consigo mesmo. | ||
| + | * A manifestação dessa relação consigo mesmo como um velar e um revelar a existência, | ||
| + | * A análise de três possibilidades artísticas de trabalhar com distintas esferas e planos, presentes em " | ||
| + | * O fenômeno comum a estas obras: a ação desenrolar-se em distintos planos, a partir dos quais as coisas e os acontecimentos saltam à vista. | ||
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| + | * A Estrutura Bipolar e a Unidade de Sentido em " | ||
| + | * A presença de duas histórias sem relação causal, conectadas apenas pela correspondência entre dois planos de sentido que se copertencem e completam. | ||
| + | * A consecução de uma unidade da obra mais estreita que a do romance clássico, que não é de ação nem psicológica, | ||
| + | * A localização de ambas as histórias no meio de um elemento desencadeado: | ||
| + | * A busca do absoluto no homem, na primeira história, através da identificação com um elemento que exige a transgressão de todas as convenções, | ||
| + | * A busca do absoluto num presidiário levado a tarefas de salvamento, um romântico cujo verdadeiro rosto é desvelado no instante da responsabilidade. | ||
| + | * A ação do presidiário, | ||
| + | |||
| + | * O Aprofundamento Progressivo através de Planos Superpostos em " | ||
| + | * A apresentação da mesma trama e personagens sobre três planos distintos, cada um portador de um sentido novo e de crescente profundidade. | ||
| + | * A figura de Adrian Leverkühn como o novo Fausto, que, para romper as barreiras das convenções, | ||
| + | * O sucesso desse empreendimento ao preço da sua própria condenação e da destruição de tudo o que é positivo com que contacta. | ||
| + | * A produção de uma nova perfeição e de uma obra-prima autêntica somente através da negação absoluta. | ||
| + | * A transformação da obra na verdade da mais amarga realidade, onde esta encontra uma paradoxal redenção sem salvação. | ||
| + | * O plano da contingência empírica, onde a ação é uma história de casualidades fortuitas, como a influência da sífilis na genialidade de Leverkühn ou o ambiente de artistas pervertidos. | ||
| + | * O plano mais profundo da responsabilidade, | ||
| + | * A remissão deste plano subjetivo para o plano absoluto do bem e do mal, simbolizado pelo encontro pessoal de Leverkühn com o diabo. | ||
| + | * O combate decisivo da sorte do eu à beira do abismo da aniquilação, | ||
| + | * A cena final terrível, na qual a sociedade assiste à confissão incompreensível de Leverkühn e ao seu mergulho na loucura. | ||
| + | |||
| + | * A Confrontação de Planos Vitais na Trama de "O Idiota" | ||
| + | * O desenvolvimento do drama pelo entrecruzar de distintas trajetórias vitais que correspondem a planos essencialmente distintos. | ||
| + | * A geração de uma história empiria pela confrontação dessas trajetórias, | ||
| + | * A importância de episódios como o encontro entre Rogojin e Michkin no comboio, ou as cenas de Michkin com Gavrila Ardalionovich e com o general Iepantchin. | ||
| + | * A convergência desses episódios para o " | ||
| + | * O enredo de intrigas e acontecimentos que culmina no entrelaçar e confrontar dos distintos planos de vida, encarnados nas suas figuras. | ||
| + | * A caracterização dos planos: o general e Gania, no plano dos interesses triviais e inferiores; Nastássia Filippovna, no plano da vontade de chegar a ser ela mesma; o Príncipe Michkin, no plano da verdade absoluta e do juízo já iniciado. | ||
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| + | * O Estatuto Fenomenológico dos Exemplos Literários e a sua Relação com a Existência | ||
| + | * A interrogação sobre o que provam os fatos literários, | ||
| + | * A afirmação de que, contudo, tais fatos mostram algo, nomeadamente a impressão de que a vida discorre em distintos planos com diferentes valores de ser. | ||
| + | * A referência a experiências paradoxais da vida, onde o vazio surge na plenitude ou uma revelação surge no vazio, como fenômenos que não podem ser uma pura nada. | ||
| + | * A distinção entre facto científico, | ||
| + | * A investigação dos fenômenos por si mesmos tem preferência, | ||
| + | |||
| + | * A Gênese do Conceito de Existência a partir da Clarificação de Fenômenos Vitais | ||
| + | * A origem do conceito de existência na clarificação de fenômenos como o viver em " | ||
| + | * A travessia desses planos pelo perder-se a si mesmo, buscar-se a si mesmo e, por vezes, encontrar-se a si mesmo. | ||
| + | * A apresentação do homem sob uma luz problemática, | ||
| + | * A razão desse comportamento distinto: no seu ser, algo lhe vai, ele está interessado em si mesmo, o seu próprio ser não lhe é indiferente. | ||
| + | * A decisão acerca do modo em que existimos em cada instante do nosso fazer ou não fazer, tal como expresso na expressão latina "vitam ducere" | ||
| + | |||
| + | * A Especificidade do Ser Humano face à Descoberta de Si Mesmo | ||
| + | * O comportamento distinto do homem em relação a si mesmo, porque é a única coisa no mundo que ele próprio não pode descobrir. | ||
| + | * O pressuposto do descobrir: a coisa já estar de algum modo, o seu ser não depender de ser descoberta. | ||
| + | * A objeção da ciência natural contemporânea, | ||
| + | * A indiferença da natureza, tanto em relação a mim como em relação a si mesma, sendo a sua aparição algo que devo forçar. | ||
| + | * A interrogação sobre se o meu próprio ser é análogo a um pedaço de lava na superfície da lua, uma soma de disposições, | ||
| + | * A questão sobre se os elementos determinantes (genes, constantes biológicas, | ||
| + | * A vida como mero descobrir e expor o que se é assemelhar-se-ia ao proceder do cientista com as coisas externas, sendo o contrário da vida tal como é efetivamente vivida. | ||
| + | |||
| + | * A Realização da Vida e a Tradição Filosófica do Conceito de Existência | ||
| + | * A efetividade da existência humana, que leva a cabo a sua própria vida, não sendo uma mera representação. | ||
| + | * A caracterização do ser efetivo como existência, | ||
| + | * A demonstração por Aristóteles de que o ser verdadeiro não está encerrado num conteúdo entitativo, como pensava a concepção platônica da Ideia. | ||
| + | * A localização do ser no ato, na " | ||
| + | * A concessão de independência a este ser concebido como ato por pensadores cristãos, para quem a cada ente corresponde um ato originário de existência recebido do ser absoluto. | ||
| + | * A existência como algo absolutamente originário, | ||
| + | * A reinterpretação hegeliana da existência como uma determinação do Absoluto, o necessário aparecer da essência, numa reedição do platonismo. | ||
| + | * A designação da alma humana por Hegel como " | ||
| + | * A criação, por Kierkegaard, | ||
| + | |||
| + | * A Existência Humana como Contradição e Individuação | ||
| + | * O aparecer da essência do homem através de uma compreensão mútua que não se alcança por estudo objetivo, pois o eu não é algo dado previamente. | ||
| + | * A impossibilidade de registrar ou refletir passivamente a nossa ipseidade, nem de a criar, pois não somos absolutos. | ||
| + | * A claridade sobre o próprio ser como algo para o qual colaboramos e de que somos responsáveis, | ||
| + | * A formulação de Kierkegaard: | ||
| + | * A contradição lógica entre a singularidade do indivíduo e a generalidade da essência. | ||
| + | * A questão, já em Aristóteles, | ||
| + | * A afirmação leibniziana de uma definição ideal de cada unidade existente, de cada mônada. | ||
| + | * A supressão do caráter de contingência nesse suposto, pois o individual e o situacional seriam incorporados no geral. | ||
| + | * A possibilidade de o homem se entregar por inteiro a uma ideia e sacrificar-se por ela apenas enquanto ser contingente, | ||
| + | * A existência como possível apenas no vínculo de dupla face entre a contingência e a essência, entre a singularidade histórica e a generalidade, | ||
| + | |||
| + | * A Fundação mais Profunda da Existência na Autorrelação e Responsabilidade | ||
| + | * A insuficiência da dualidade e contraditoriedade para definir a existência, | ||
| + | * A proveniência desse fundamento do facto de que, nesta síntese, o eu se relaciona consigo mesmo, importando-lhe essencialmente o seu ser inteiro. | ||
| + | * O significado de " | ||
| + | * A proximidade da existência com a " | ||
| + | * A semelhança da existência com o movimento, como trânsito da possibilidade à realidade, sendo um existir na possibilidade. | ||
| + | |||
| + | * A Realização da Existência no Elemento da Reflexão e da Comunicação | ||
| + | * A produção do movimento da existência no elemento da reflexão, sem a qual não há existência. | ||
| + | * A reflexão como momento da ação que toma consciência da polaridade entre a verdade e a não-verdade do viver, com as suas modalidades de ocultamento, | ||
| + | * Os distintos planos da existência humana como planos da relação com a verdade: da cerração, da disposição para tomar consciência moral, da abertura e estabilização numa verdade. | ||
| + | * A reflexão como ação, não mera meditação, | ||
| + | * A reflexão como elemento da ação interior que rompe a cerração e abre o eu a si mesmo e aos outros. | ||
| + | * A existência como conducente à comunicação, | ||
| + | * A ligação da revelação da verdade da pessoa ao facto de nos decidirmos pela verdade perante alguém: a criança perante o pai, o cidadão perante o Estado, a existência perante a transcendência. | ||
| + | * A existência como " | ||
| + | * O pesadume inerente ao ocultamento, | ||
| + | * A passagem da desesperança passiva, como incapacidade de suportar a verdade, para uma revolta ativa, aferrando-se caprichosamente a uma abstração, | ||
| + | |||
| + | * A Abertura da Existência no Assumir-se a Si Mesmo na Contingência | ||
| + | * O repouso da abertura da existência no eleger-se a si mesma, assumindo a plena concretude da sua situação e contingência. | ||
| + | * A apreensão da contingência como tarefa, tal como o presidiário apreende a possibilidade de salvar a mulher ou o Príncipe Michkin apreende a possibilidade de restaurar Nastássia Filippovna ao amor e à vida. | ||
| + | * A conquista da claridade sobre si não pelo meditar, mas por, no instante de perceber o que a situação exige, deixar livre a possibilidade que a existência já é, entregando-se incondicionalmente ao que lhe advém. | ||
| + | |||
| + | * A Conceptualização da Existência por Kierkegaard e a sua Recepção por Karl Jaspers | ||
| + | * A exposição, | ||
| + | * A recusa de Kierkegaard em reclamar para si o nome de filósofo, em profundo desacordo com a filosofia de Hegel. | ||
| + | * A chamada de atenção de Karl Jaspers, por ocasião da Primeira Guerra Mundial, sobre o significado fundamental da conceptualização kierkegaardiana da existência. | ||
| + | * A interpretação filosófica de Jaspers da existência, | ||
| + | * O desenvolvimento, | ||
| + | |||
| + | * A Filosofia da Existência de Karl Jaspers: Situações Limite e Comunicação | ||
| + | * A interpretação dos fenômenos da existência com conceitos da filosofia kantiana: oposição entre ser e dever-ser, fenômeno e coisa em si, pensar objetivo e pensar com sentido ativo. | ||
| + | * A concepção do homem como originariamente mera existência que discorre em distintas situações, | ||
| + | * A inautenticidade da vida que evita o conhecimento de que o donável radica no indonável, nas " | ||
| + | * A integração na vida das situações limite como tensão para o limite e possibilidade de chegar a ser uma existência. | ||
| + | * A existência como não sendo objeto possível do saber, mas algo a que só se pode apelar ou convocar. | ||
| + | * A enumeração das situações limite: a contingência da vida; a morte, o sofrimento, a luta e a culpa; o encontrar-se situada e a historicidade em geral. | ||
| + | * A existência como o núcleo da humanidade, o que o homem pode ser e está chamado a ser, incondicional, | ||
| + | * A visão de Jaspers concebida para fazer justiça tanto à razão (verdades objetivas) como à existência (verdade com significado para a vida). | ||
| + | * A concepção que permite a comunicação e compreensão recíproca mesmo a partir de experiências existenciais e concepções metafísicas distintas. | ||
| + | * As limitações da concepção de Jaspers: permanência no kantismo, falta de critério para distinguir o existencialmente arbitrário do forçoso, incapacidade de solucionar o problema da unidade espiritual. | ||
| + | * A caracterização do pensamento de Jaspers como um verdadeiro filosofar, mas cujo resultado não é uma filosofia unitária. | ||
| + | |||
| + | * A Ontologia da Existência em Martin Heidegger: Ser-no-Mundo e Cura | ||
| + | * A concepção da existência como conceito de alcance ontológico, | ||
| + | * A compreensão da existência como um modo de ser próprio da vida humana, não como o mero existir empírico que chega a ser existência. | ||
| + | * O ser do homem como " | ||
| + | * A compreensão do ser próprio como fundamento para compreender outros seres, sendo o ser objeto secundário ao ser do conhecimento. | ||
| + | * O ser do homem como o ser de uma vida que se compreende a si mesma, fundando a consciência, | ||
| + | * Os dois modos de autocompreensão: | ||
| + | * A existência em autocompreensão como existir em possibilidades, | ||
| + | * A articulação das possibilidades, | ||
| + | * O surgimento da compreensão das coisas, da sua " | ||
| + | * O mundo originário como uma trama de compreensão, | ||
| + | * A estrutura essencial da vida no mundo que torna possível a unidade de contingência e idealidade: a unidade indivisível entre o estar situada, a preconcepção e o tender a. | ||
| + | * O " | ||
| + | * A denominação desta estrutura trinitária como " | ||
| + | * O caráter temporal da cura, não como tempo objetivo, mas como temporalidade que permite transcender o presente. | ||
| + | * A temporalização da temporalidade sempre a partir do futuro, pois a possibilidade decide o sentido e significado da situação. | ||
| + | * A afinidade de momentos do viver (situação, | ||
| + | * A diferença essencial na temporalização conforme se aguarde passivamente as possibilidades ou se atue em sentido próprio. | ||
| + | * O despertar da consciência moral como a voz da cura que chama sem palavras, de volta à solidão e à necessidade de carregar com a vida mortal e finita. | ||
| + | * A clara compreensão como um avançar angustiado até à possibilidade última e insuperável, | ||
| + | * A integração desta possibilidade na existência fazendo brotar o estado de " | ||
| + | * A captação efetiva da situação somente na claridade do estado de resoluto, ganhando-se a personalidade própria e a autenticidade. | ||
| + | * A quebra da " | ||
| + | |||
| + | * Síntese do Conceito de Existência em Heidegger | ||
| + | * A existência como conceito-chave para a filosofia da vida humana e para a autocompreensão da vida. | ||
| + | * A subordinação da compreensão, | ||
| + | * A renovação do problema do ser, abandonado como abstração vazia, ao mostrar-se um modo de ser que se diferencia por princípio da " | ||
| + | * A renovação do problema da verdade, não como juízo correto, mas como verdade do ser que se oferece no aberto. | ||
| + | * O plantear do problema da práxis sobre uma base ontológica, | ||
| + | * A existência como a chave para uma renovação total da filosofia, numa unidade reflexiva de todo o viver. | ||
| + | * A falta de sucesso de Heidegger em fundamentar este projeto, pois a sua ontologia transcende a ontologia da existência humana e abandona o quadro teoricamente controlável pela fenomenologia. | ||
| + | |||
| + | * A Simplificação Radical de Jean-Paul Sartre: Existência como Consciência e Negatividade | ||
| + | * A interpretação do fenômeno da existência a partir da equiparação da existência com a consciência. | ||
| + | * A consciência como posição (tética) de um não-eu e consciência (não-tética) do eu, sem poder afirmar a sua própria existência porque não a pode objetivar. | ||
| + | * A impossibilidade de objetivação da existência porque não tem conteúdo positivo, sendo apenas um feixe de negações e modos de distinção do objeto. | ||
| + | * A existência como distanciamento, | ||
| + | * O ser-no-mundo como uma espécie de projeto temporal, um antecipar e reter, sendo cada projeto parte do projeto global que cada um de nós é. | ||
| + | * A essência não-objetiva e não-real do projeto, escapando a toda a causalidade e sendo livre por essência. | ||
| + | * A verdade ou falta de verdade da existência no esforço por preservar o núcleo livre e sem âncoras ou por ancorá-lo no ente positivo, travando a existência com o ser. | ||
| + | * A transparência e clareza originárias da existência em Sartre, em oposição à opacidade original em Jaspers e Heidegger. | ||
| + | * A falta de veracidade como projeção de um ideal de ser impossível e contraditório: | ||
| + | * A verdade da existência revelada no fracasso, que devolve à liberdade inalienável e infundamentável. | ||
| + | * A existência em Sartre como originariamente livre e apenas ligada a certos projetos, não estando originariamente caída. | ||
| + | * A liberação e a verdade como quebra das armadilhas que os projetos lhe tendem. | ||
| + | * A consequência da equiparação existência-consciência: | ||
| + | * A não incorporação da contribuição heideggeriana de que a existência é o plano onde ser e consciência se encontram. | ||
| + | * A contribuição de Sartre ao destacar o aspecto da corporalidade, | ||
| + | * O problema adicional de distinguir a facticidade privada do corpo da facticidade pública, natural e histórica. | ||
| + | * O mérito de Sartre em dirigir a atenção para estes problemas, posteriormente desenvolvidos por Merleau-Ponty. | ||
| + | * A crítica de Ernst Tugendhat: a transparência do ser-para-si torna incompreensível o fenômeno do autoengano (má-fé), que Sartre analisa mas não explica a sua possibilidade. | ||
| + | * A devolução do existencialismo ao mundo da arte e da literatura por Sartre, através de um oficina de mitos existenciais em peças de teatro e romances. | ||
| + | * O caráter ateu e niilista do programa sartriano, no qual Deus representa um ideal contraditório e sedutor. | ||
| + | * A proximidade de Sartre com a filosofia antropológica dos jovens hegelianos e de Feuerbach. | ||
| + | * A posterior descoberta da História como conceito de situação, influenciada pela obra de Karl Marx, e o esforço para incorporar estruturas existenciais na concepção objetiva da História. | ||
| + | |||
| + | * Consequências da Concepção da Existência como Vida na Verdade | ||
| + | * A vida na verdade não significa possuir a verdade na forma de juízos válidos ou contar com uma estrutura psíquica a priori. | ||
| + | * A inadequação de conceber a verdade como juízo correto, ignorando os seus pressupostos. | ||
| + | * Os pressupostos da noção de verdade como juízo: a dependência da verificação e a entrada dos objetos numa conexão-de-compreensão. | ||
| + | * A conexão-de-compreensão como originariamente a conexão do nosso mundo, que não é a reunião total das coisas, mas a conexão de sentido perante uma vida que se realiza a si mesma. | ||
| + | * O mundo como um terceiro, distinto do ente, que mostra e desvela o que são e como são as coisas. | ||
| + | * A abertura das conexões do mundo graças a uma possibilidade fundamental da minha própria vida, que eu sou e realizo. | ||
| + | * A relação com a verdade como originalmente prática, não teorética: " | ||
| + | * A não-indiferença pelo ser próprio como condição suficiente para todo o estar na verdade, não sendo necessário colocar-se fora do Universo. | ||
| + | * A capacidade de projetar o mundo, que é idêntica à própria realidade deste ser, ao seu ser próprio. | ||
| + | |||
| + | * A Temporalidade Finita como Horizonte da Existência na Verdade | ||
| + | * A decisividade das possibilidades em que o homem existe essencialmente para o desvelamento das coisas e o compreender-se a si mesmo. | ||
| + | * A relação do projeto das possibilidades humanas com a temporalidade finita do homem. | ||
| + | * A vida como vida no tempo, na tensão entre o princípio e o fim, que delimitam a nossa duração. | ||
| + | * O tempo como horizonte que abre todo o compreender, | ||
| + | * A finitude da retenção, determinada pela facticidade do nosso começo, e da antecipação, | ||
| + | * As dimensões fundamentais da temporalidade: | ||
| + | * O presente como o lugar onde o " | ||
| + | |||
| + | * A Existência como Movimento de Autodeterminação na Verdade | ||
| + | * A definição da existência como movimento, pois projeta as suas possibilidades realizando-as, | ||
| + | * A distinção entre o movimento da existência e a " | ||
| + | * O movimento da existência como projeto de possibilidades que se realizam, sem um substrato passivamente determinado. | ||
| + | * O " | ||
| + | * O significado de " | ||
| + | * O significado de " | ||
| + | * O fazer de mim o que sou em verdade como aceitar o que sou na minha contingência e finitude, com todo o pesadume e condicionamento. | ||
| + | * O reconhecimento, | ||
| + | * A possibilidade de transcender o aferramento estando contida no que o determina. | ||
| + | * A existência dotada de verdade como possibilidade que se faz realidade ao não ceder ao instinto de aligeirar o peso, ao tranquilizador e ao viver centrado em si mesmo. | ||
| + | |||
| + | * Os Três Movimentos Fundamentais da Vida Humana | ||
| + | * O pressuposto factual da realização da existência autêntica: ter feito pé no mundo, ter-se arraigado e, mais ainda, ter-se perdido no mundo, identificando-se com o trabalho e a função social. | ||
| + | * A questão sobre se este movimento de dispersão copa a totalidade das minhas possibilidades, | ||
| + | * A consideração da vida na verdade pressupondo uma consideração dos movimentos fundamentais da existência humana. | ||
| + | * A realização de uma possibilidade essencial da vida em cada um destes movimentos fundamentais. | ||
| + | * A determinação essencial de cada movimento pela nossa temporalidade, | ||
| + | * A assunção da existência de três movimentos fundamentais, | ||
| + | * A caracterização do primeiro movimento: a relação com o que já existe, sendo o ser aceite o seu conteúdo, vivendo a coberto sob a proteção do preexistente. | ||
| + | * A caracterização do segundo movimento: o abandono dessa esfera e a exposição à confrontação direta com as coisas e os outros homens, vivendo "a descoberto" | ||
| + | * O esforço humano por conservar a existência corpórea mediante o manejo das coisas, humanizando-as, | ||
| + | * A designação deste segundo movimento como o mais perigoso, de maior alienação, | ||
| + | * A dimensão própria deste movimento: o presente. | ||
| + | * A produção do movimento da existência autêntica somente com base nos dois anteriores, como relação explícita consigo mesmo com o que neles torna possível o trato com os entes. | ||
| + | * O objeto deste último movimento: não um ente, mas o essencialmente distinto do ente, a possibilidade por excelência (o mundo, o ser como conexão de sentido). | ||
| + | * A dimensão própria deste movimento: o futuro, como raio de luz que ilumina sempre de um modo distinto, novo e finito. | ||
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| + | //Jan Patočka. The Movement of the Human Existence. 1998// | ||
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