estudos:patocka:fausto-de-goethe
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| + | ====== Fausto de Goethe ====== | ||
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| + | ==== Jan Patocka. L’écrivain et son " | ||
| + | === Le sens du mythe du pacte avec le diable === | ||
| + | Tanto no Volksbuch quanto em Marlowe, em sua primeira versão poética, a história de Fausto permanece ao mesmo tempo uma lenda explicitamente alemã, situada com precisão em um lugar do mundo e um ponto no tempo. A unidade da cristandade não existe mais. Os países das fronteiras ocidentais se libertam abertamente dos laços impostos pela autoridade e pelo poder espiritual. No entanto, mesmo na fragmentação e no caos do período da Reforma, o Sacro Império Romano permanece fundamentalmente inalterado. A Reforma revigora o tema tradicionalmente gibelino do antipapismo, | ||
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| + | Goethe se volta para a ideia de Fausto em uma época em que se tenta integrar os componentes germânicos do sacrum imperium em um novo império do Ocidente que só conserva um caráter sagrado e espiritual na memória dos messianistas. Seu poema se situa em um quadro que, nos parece, caracteriza o conjunto da vida espiritual desse período, mais particularmente a espiritualidade alemã: é uma tentativa de interpretar o novo florescimento do espírito alemão na poesia e no pensamento como o precursor de uma espiritualização universal da época. O Iluminismo, voltado para o exterior, a época buscaria novamente um caminho para a interioridade, | ||
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| + | Fausto está desde o início preservado de tal atolamento na imediatez desencadeada que quer viver em um despreocupação absoluta em relação ao que é e ao que vigora. Ele é salvo, paradoxalmente, | ||
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| + | O que nos separa do Fausto de Goethe é menos a prevenção do poeta a favor dessa personagem que se lança para frente, carregada do peso da culpa, do que, bem mais, sua concepção idealista do mundo, a imagem que apresenta de um universo onde tudo é símbolo espiritual e ético. Há uma profunda afinidade entre esse olhar e o da dialética hegeliana do espírito. Para aquele que assim olha o mundo na ótica da luz e da ideia, a imortalidade da alma, a eternidade do espírito não é problema; ela não é nem uma aposta nem o objeto de uma possível transação metafísica, | ||
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