estudos:outros:fernando-gil-me-22-26-a-sugestao-3605
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| + | ====== Fernando Gil (ME:22-26) – a sugestão ====== | ||
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| + | ==== MODOS DA EVIDÊNCIA ==== | ||
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| + | === Sugerir e Crer === | ||
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| + | //Fernando Gil, MODOS DA EVIDÊNCIA. Lisboa: INCM, 1998, p. 22-26 | ||
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| + | «Se, de acordo com o imaterialismo, | ||
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| + | Será então preciso recorrer a Deus para assegurar a realidade do mundo? A leitura de Rosa Alice Branco sugere, é caso de o dizer, que a percepção contém dentro de si, na sua finitude, recursos suficientes para instituir a realidade de que precisa a inteligência humana, tal qual ela é (por isso não faz no fundo sentido chamar-lhe finita, ectípica e não arquetípica ((Antes de ser kantiana, a distinção acha-se no terceiro Diálogo entre Hilas e Philonous.))) e sem tão-pouco [22] precisarmos de nos arrimar à inteligibilidade biológica das pregnâncias thomianas, evocadas por Rosa Alice Branco. Elas vêm por certo a propósito, enquanto princípio regulador da sobrevivência. Mas talvez os elementos da percepção bastem, «constitutivamente», | ||
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| + | Naturalmente, | ||
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| + | A teoria de Berkeley, desenvolvida entre os parágrafos 49 e 51, consiste em descobrir uma alucinação originária, | ||
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| + | A imaginação percebe o táctil como visual, «durante todo este negócio, o espírito está maravilhosamente disposto a ser enganado pelas repentinas sugestões da imaginação» (§ 52). A extraordinária ficção que Berkeley institui é a tentativa impossível de representar o irrepresentável, | ||
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| + | Nestes termos, o perceptível não percebido, que segundo muitos intérpretes se afiguraria inconciliável com a actualidade do esse est percipi e representaria uma prótese divina (como os Diálogos com efeito sugerem), definir-se-á como o objecto próprio da imaginação. Berkeley escreve: «As ideias que se observa estarem conectadas com outras ideias acabam por ser consideradas como signos, por meio dos quais coisas não actualmente percebidas são significadas ou sugeridas pela imaginação, | ||
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