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| estudos:olivier:allard-l-olivier-ic-71-87-os-objetos-inteligiveis [16/01/2026 06:07] – mccastro | estudos:olivier:allard-l-olivier-ic-71-87-os-objetos-inteligiveis [16/01/2026 14:40] (current) – external edit 127.0.0.1 |
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| I. A Natureza dos Objetos Inteligíveis Elementares e a Relação com a Linguagem | I. A Natureza dos Objetos Inteligíveis Elementares e a Relação com a Linguagem |
| * O ser objetivo inteligível elementar é a noção utilizada pela inteligência para julgar e raciocinar, sendo expressa por um signo verbal chamado palavra, mas não se confundindo com ela, como evidenciado pela busca da palavra certa, pela expressão multilingue de um mesmo inteligível e pelas nuances de significado entre palavras aparentemente equivalentes em línguas diferentes. | * O ser objetivo inteligível elementar é a noção utilizada pela inteligência para julgar e raciocinar, sendo expressa por um signo verbal chamado palavra, mas não se confundindo com ela, como evidenciado pela busca da palavra certa, pela expressão multilingue de um mesmo inteligível e pelas nuances de significado entre palavras aparentemente equivalentes em línguas diferentes. |
| * Contra o nominalismo, que reduz a realidade a objetos sensíveis e palavras, sustenta-se a existência de inteligíveis distintos das palavras que os expressam, tal como a palavra se distingue do signo gráfico que a representa, sendo o sentido de uma palavra conferido pelo inteligível que expressa. | * Contra o nominalismo, que reduz a realidade a objetos sensíveis e palavras, sustenta-se a existência de inteligíveis distintos das palavras que os expressam, tal como a palavra se distingue do signo gráfico que a representa, sendo o sentido de uma palavra conferido pelo inteligível que expressa. |
| * O objeto sensível é sempre singular e único, enquanto a noção é sempre geral, designando vários objetos sensíveis semelhantes que constituem uma espécie subsumível por uma única noção, embora certas noções possam ser ditas singulares quando um termo geral é usado para designar um objeto individual específico. | * O objeto sensível é sempre singular e único, enquanto a noção é sempre geral, designando vários objetos sensíveis semelhantes que constituem uma espécie subsumível por uma única noção, embora certas noções possam ser ditas singulares quando um termo geral é usado para designar um objeto individual específico. |
| * Uma palavra, a menos que seja vazia, exprime uma certa noção, um certo objeto inteligível, na língua a que pertence, podendo ser equívoca, exigindo por vezes esclarecimento, ou sinônima de outras, podendo ainda noções únicas serem expressas por signos verbais complexos, isto é, por vários palavras. | * Uma palavra, a menos que seja vazia, exprime uma certa noção, um certo objeto inteligível, na língua a que pertence, podendo ser equívoca, exigindo por vezes esclarecimento, ou sinônima de outras, podendo ainda noções únicas serem expressas por signos verbais complexos, isto é, por vários palavras. |
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| II. A Proposição como Objeto Inteligível Composto e o Ato de Reflexão | II. A Proposição como Objeto Inteligível Composto e o Ato de Reflexão |
| * A proposição, mental ou oral, é uma ligação de objetos inteligíveis elementares ou dos seus signos verbais, sendo a proposição mental um objeto inteligível composto que se apresenta ao conhecedor puro como o relacionamento de pertença objetivo entre dois inteligíveis elementares, pro-postos ao proferente-visante. | * A proposição, mental ou oral, é uma ligação de objetos inteligíveis elementares ou dos seus signos verbais, sendo a proposição mental um objeto inteligível composto que se apresenta ao conhecedor puro como o relacionamento de pertença objetivo entre dois inteligíveis elementares, pro-postos ao proferente-visante. |
| * Este relacionamento de pertença objetiva resulta de uma reflexão da inteligência sobre ações submetidas objetivamente à "visão interna" do espírito, sendo a reflexão um ato do próprio proferente que, ao se desviar do mundo sensível para considerar o mental a que se liga, se volta para um pensamento mental para fazer ato de inteligência. | * Este relacionamento de pertença objetiva resulta de uma reflexão da inteligência sobre ações submetidas objetivamente à "visão interna" do espírito, sendo a reflexão um ato do próprio proferente que, ao se desviar do mundo sensível para considerar o mental a que se liga, se volta para um pensamento mental para fazer ato de inteligência. |
| * O ato de inteligência, comum ao proferente-visante e ao mental, consiste principalmente em determinar o que pertence a uma noção escrutinada e em dizê-lo formulando um relacionamento de pertença chamado proposição, onde tudo o que é relacionável a uma noção lhe pertence a título de nota, sendo cada nota ela própria uma noção. | * O ato de inteligência, comum ao proferente-visante e ao mental, consiste principalmente em determinar o que pertence a uma noção escrutinada e em dizê-lo formulando um relacionamento de pertença chamado proposição, onde tudo o que é relacionável a uma noção lhe pertence a título de nota, sendo cada nota ela própria uma noção. |
| * A inspeção de um objeto sensível é feita pela radicalidade subjetiva através dos sentidos, de modo mediato, podendo o objeto ser reconhecido e nomeado, levando à enunciação de proposições que expressam rapports de pertença objetivos constatados através do exame. | * A inspeção de um objeto sensível é feita pela radicalidade subjetiva através dos sentidos, de modo mediato, podendo o objeto ser reconhecido e nomeado, levando à enunciação de proposições que expressam rapports de pertença objetivos constatados através do exame. |
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| III. A Compreensão e a Extensão dos Objetos Inteligíveis | III. A Compreensão e a Extensão dos Objetos Inteligíveis |
| * A inspeção de um objeto inteligível elementar pode ser conduzida segundo as suas duas dimensões constitutivas: a sua compreensão, que é a sua amplitude em relação às notas que o constituem e que o espírito discerne nele, e a sua extensão, que é a sua amplitude em relação aos objetos em que se realiza, que agrupa na sua unidade e que são as suas partes. | * A inspeção de um objeto inteligível elementar pode ser conduzida segundo as suas duas dimensões constitutivas: a sua compreensão, que é a sua amplitude em relação às notas que o constituem e que o espírito discerne nele, e a sua extensão, que é a sua amplitude em relação aos objetos em que se realiza, que agrupa na sua unidade e que são as suas partes. |
| * Do ponto de vista da compreensão, toda a proposição categórica afirmativa é uma ligação de termos que exprime a pertença de uma nota inteligível, chamada predicado, a esse objeto inteligível, que, no seio da proposição, leva o nome de sujeito lógico. | * Do ponto de vista da compreensão, toda a proposição categórica afirmativa é uma ligação de termos que exprime a pertença de uma nota inteligível, chamada predicado, a esse objeto inteligível, que, no seio da proposição, leva o nome de sujeito lógico. |
| * Do ponto de vista da extensão, ao escrutinar uma noção inteligível, distinguem-se outras noções inteligíveis que não são notas dela, mas partes que ela subsume na sua unidade e em cada uma das quais se realiza, sendo a forma clássica da proposição, "S é P", fundamentalmente compreensiva, primando sobre o ponto de vista extensivo. | * Do ponto de vista da extensão, ao escrutinar uma noção inteligível, distinguem-se outras noções inteligíveis que não são notas dela, mas partes que ela subsume na sua unidade e em cada uma das quais se realiza, sendo a forma clássica da proposição, "S é P", fundamentalmente compreensiva, primando sobre o ponto de vista extensivo. |
| * Numa proposição "S é P", o predicado é sempre uma nota do sujeito lógico, enquanto que este só por vezes é uma parte da extensão daquele, o que justifica a primazia do ponto de vista da compreensão sobre o da extensão. | * Numa proposição "S é P", o predicado é sempre uma nota do sujeito lógico, enquanto que este só por vezes é uma parte da extensão daquele, o que justifica a primazia do ponto de vista da compreensão sobre o da extensão. |
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| IV. A Assimetria entre Compreensão e Extensão e a Natureza da Inteligibilidade | IV. A Assimetria entre Compreensão e Extensão e a Natureza da Inteligibilidade |
| * A pertença do sujeito lógico ao predicado, segundo a extensão deste, é de natureza diferente da pertença do predicado ao sujeito lógico, segundo a compreensão daquele, pois, do ponto de vista da compreensão, um objeto inteligível é uma "luz" oferecida ao proferente-visante, enquanto que, do ponto de vista da extensão, esse mesmo objeto aparece como essa mesma luz a refletir-se noutros objetos inteligíveis. | * A pertença do sujeito lógico ao predicado, segundo a extensão deste, é de natureza diferente da pertença do predicado ao sujeito lógico, segundo a compreensão daquele, pois, do ponto de vista da compreensão, um objeto inteligível é uma "luz" oferecida ao proferente-visante, enquanto que, do ponto de vista da extensão, esse mesmo objeto aparece como essa mesma luz a refletir-se noutros objetos inteligíveis. |
| * Pertencer à compreensão de um sujeito lógico significa, para um predicado, pertencer pura e simplesmente ao que esse sujeito lógico é, enquanto que pertencer à extensão de um predicato significa, para um sujeito lógico, contar entre os objetos inteligíveis em que se reencontram, entre outros, todas as notas desse predicado. | * Pertencer à compreensão de um sujeito lógico significa, para um predicado, pertencer pura e simplesmente ao que esse sujeito lógico é, enquanto que pertencer à extensão de um predicato significa, para um sujeito lógico, contar entre os objetos inteligíveis em que se reencontram, entre outros, todas as notas desse predicado. |
| * Reduzir a inteligibilidade de um objeto inteligível apenas à sua compreensão é destruir a hierarquia dos inteligíveis, enquanto que reduzi-la apenas à sua extensão, como é comum, é ignorar que todo o objeto inteligível é, em si mesmo, uma "luz" a escrutinar, focando-se apenas em relacionamentos de conteúdo e continente. | * Reduzir a inteligibilidade de um objeto inteligível apenas à sua compreensão é destruir a hierarquia dos inteligíveis, enquanto que reduzi-la apenas à sua extensão, como é comum, é ignorar que todo o objeto inteligível é, em si mesmo, uma "luz" a escrutinar, focando-se apenas em relacionamentos de conteúdo e continente. |
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| V. A Compreensão e Extensão nos Casos do Singular e do Universal | V. A Compreensão e Extensão nos Casos do Singular e do Universal |
| * No caso de um objeto inteligível correspondente a um objeto sensível singular, a multitude das suas notas é inesgotável e a sua compreensão é ilimitada, enquanto a sua extensão, reduzindo-se a ele próprio, é nula. | * No caso de um objeto inteligível correspondente a um objeto sensível singular, a multitude das suas notas é inesgotável e a sua compreensão é ilimitada, enquanto a sua extensão, reduzindo-se a ele próprio, é nula. |
| * Pelo contrário, a noção inteligível universal "Ser", que se aplica a todo o objeto de conhecimento, tem uma extensão sem limites, mas é a mais pobre de todas, absolutamente desprovida de notas, tendo uma compreensão nula, sendo o único objeto com esta particularidade. | * Pelo contrário, a noção inteligível universal "Ser", que se aplica a todo o objeto de conhecimento, tem uma extensão sem limites, mas é a mais pobre de todas, absolutamente desprovida de notas, tendo uma compreensão nula, sendo o único objeto com esta particularidade. |
| * Conclui-se que, se um objeto sensível singular escapa a uma descrição exaustiva devido à inumerabilidade das suas notas, o objeto inteligível "Ser" escapa a qualquer descrição pela razão inversa da sua vacuidade notacional. | * Conclui-se que, se um objeto sensível singular escapa a uma descrição exaustiva devido à inumerabilidade das suas notas, o objeto inteligível "Ser" escapa a qualquer descrição pela razão inversa da sua vacuidade notacional. |
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| VI. Observações sobre a Proposição e a Classificação dos Inteligíveis | VI. Observações sobre a Proposição e a Classificação dos Inteligíveis |
| * Em toda a proposição afirmativa, o verbo copulativo "ser" está sempre presente, mesmo quando dissimulado no seio de outro verbo, sendo tais proposições redutíveis à forma típica onde o "ser" aparece explicitamente. | * Em toda a proposição afirmativa, o verbo copulativo "ser" está sempre presente, mesmo quando dissimulado no seio de outro verbo, sendo tais proposições redutíveis à forma típica onde o "ser" aparece explicitamente. |
| * O termo "universal" é aplicado a todo o objeto de pensamento inteligível que não corresponda a um ser sensível determinado, sendo mais preciso considerar a maioria dos inteligíveis como "gerais" (gêneros) em vez de verdadeiramente universais, reservando este último termo para o "Ser". | * O termo "universal" é aplicado a todo o objeto de pensamento inteligível que não corresponda a um ser sensível determinado, sendo mais preciso considerar a maioria dos inteligíveis como "gerais" (gêneros) em vez de verdadeiramente universais, reservando este último termo para o "Ser". |
| * Na teoria aristotélica, os inteligíveis formam um todo hierarquizado de gêneros e espécies, limitado no topo pelo "Ser" e na base pelos objetos sensíveis singulares, sendo que os gêneros mais gerais (categorias) não são subsumidos pelo "Ser" devido à sua vacuidade notacional, que impede a atuação de uma diferença especificadora. | * Na teoria aristotélica, os inteligíveis formam um todo hierarquizado de gêneros e espécies, limitado no topo pelo "Ser" e na base pelos objetos sensíveis singulares, sendo que os gêneros mais gerais (categorias) não são subsumidos pelo "Ser" devido à sua vacuidade notacional, que impede a atuação de uma diferença especificadora. |
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| VII. O Juízo como Expressão de uma Verdade Vidente | VII. O Juízo como Expressão de uma Verdade Vidente |
| * Toda a proposição é um objeto inteligível composto, visado no mental pela radicalidade subjetiva, e o que constitui o juízo é a certeza do espírito de ter visto claramente que o predicado pertence (ou não) ao sujeito lógico, expressando assim uma verdade, um estado de coisas indiscutível. | * Toda a proposição é um objeto inteligível composto, visado no mental pela radicalidade subjetiva, e o que constitui o juízo é a certeza do espírito de ter visto claramente que o predicado pertence (ou não) ao sujeito lógico, expressando assim uma verdade, um estado de coisas indiscutível. |
| * Para julgar, é preciso ver, existindo apenas duas maneiras de ver a verdade de um relacionamento de pertença: uma visão imediata, que conduz a um juízo imediato por intuição, ou uma visão mediata, alcançada ao termo de um raciocínio. | * Para julgar, é preciso ver, existindo apenas duas maneiras de ver a verdade de um relacionamento de pertença: uma visão imediata, que conduz a um juízo imediato por intuição, ou uma visão mediata, alcançada ao termo de um raciocínio. |
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| VIII. O Raciocínio como Série de Intuições Ligadas | VIII. O Raciocínio como Série de Intuições Ligadas |
| * O raciocínio, enquanto atividade mental discursiva, é redutível a uma sucessão de visões imediatas (operações intermédias) ligadas de tal modo que o espírito vê mediatamente um relacionamento de pertença que não via imediatamente, conduzindo-o a emitir um juízo conclusivo. | * O raciocínio, enquanto atividade mental discursiva, é redutível a uma sucessão de visões imediatas (operações intermédias) ligadas de tal modo que o espírito vê mediatamente um relacionamento de pertença que não via imediatamente, conduzindo-o a emitir um juízo conclusivo. |
| * No silogismo, o espírito apreende intuitivamente um antecedente composto por dois juízos ligados por um termo médio comum (E), e, examinando este conjunto, vê que se o predicado (P) pertence a E e E pertence ao sujeito lógico (S), então P pertence necessariamente a S, deduzindo assim a conclusão. | * No silogismo, o espírito apreende intuitivamente um antecedente composto por dois juízos ligados por um termo médio comum (E), e, examinando este conjunto, vê que se o predicado (P) pertence a E e E pertence ao sujeito lógico (S), então P pertence necessariamente a S, deduzindo assim a conclusão. |
| * Este juízo conclusivo é desencadeado pela apreensão intuitiva e simultânea dos dois juízos do antecedente, sendo que, se o espírito não vir este acercamento imposto pelo elemento comum, o raciocínio lhe escapará. | * Este juízo conclusivo é desencadeado pela apreensão intuitiva e simultânea dos dois juízos do antecedente, sendo que, se o espírito não vir este acercamento imposto pelo elemento comum, o raciocínio lhe escapará. |
| * Quando as proposições judicativas do antecedente podem ser lidas como relacionamentos de pertença de cada sujeito lógico à extensão do seu predicado, o silogismo pode ser figurado pelos círculos concêntricos de Euler, ilustrando a relação de continência entre os termos. | * Quando as proposições judicativas do antecedente podem ser lidas como relacionamentos de pertença de cada sujeito lógico à extensão do seu predicado, o silogismo pode ser figurado pelos círculos concêntricos de Euler, ilustrando a relação de continência entre os termos. |
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