estudos:mitchell:mitchell-2015-71-74-terra-em-geviert
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| estudos:mitchell:mitchell-2015-71-74-terra-em-geviert [15/01/2026 20:13] – created - external edit 127.0.0.1 | estudos:mitchell:mitchell-2015-71-74-terra-em-geviert [17/01/2026 12:49] (current) – mccastro | ||
|---|---|---|---|
| Line 3: | Line 3: | ||
| //Data: 2024-11-10 09:25// | //Data: 2024-11-10 09:25// | ||
| - | Em [?Geviert], a terra ((?Erde)) nomeia o que tradicionalmente poderíamos pensar como a “base material” da coisa. Essa afirmação só pode ser mantida se entendermos “material” e “base” de maneiras bem distintas de seu emprego tradicional na história da filosofia. Isso quer dizer que, estritamente falando, a Terra não é “material” nem uma “base”. O papel da terra dentro do Geviert transforma todas as nossas expectativas habituais do que é considerado terra ou mesmo terreno, pois a “matéria” da terra nada mais é do que a fenomenalidade como tal. Portanto, “terra” de fato nomeia a constituição das coisas, mas o que constitui a coisa é a aparência sensorial. A “matéria” da experiência é a fenomenalidade. Essa fenomenalidade sensorial das coisas, seu modo de ser no mundo, é seu brilho, fulgor e radiância. A terra não nomeia nada pesado, a menos que seja a relutância desse simples brilho em aparecer como algo estável e fixo. Se dissermos que a terra é material, devemos pensar nesse “material” como um brilho fenomenal. | + | Em [[lx>Geviert]], a terra ((?Erde)) nomeia o que tradicionalmente poderíamos pensar como a “base material” da coisa. Essa afirmação só pode ser mantida se entendermos “material” e “base” de maneiras bem distintas de seu emprego tradicional na história da filosofia. Isso quer dizer que, estritamente falando, a Terra não é “material” nem uma “base”. O papel da terra dentro do Geviert transforma todas as nossas expectativas habituais do que é considerado terra ou mesmo terreno, pois a “matéria” da terra nada mais é do que a fenomenalidade como tal. Portanto, “terra” de fato nomeia a constituição das coisas, mas o que constitui a coisa é a aparência sensorial. A “matéria” da experiência é a fenomenalidade. Essa fenomenalidade sensorial das coisas, seu modo de ser no mundo, é seu brilho, fulgor e radiância. A terra não nomeia nada pesado, a menos que seja a relutância desse simples brilho em aparecer como algo estável e fixo. Se dissermos que a terra é material, devemos pensar nesse “material” como um brilho fenomenal. |
| E o mesmo se aplica a qualquer noção de uma “base” na terra. O sentido de terra de Heidegger é contrário ao pensamento de uma base presente, seja para a vida que se sustentaria nela ou para as formas que a adotariam como sua matéria. Esse caráter fenomenal da terra não é uma base porque não faz nenhum trabalho de fundamentação. A terra recusa esse papel de base. Se a aparência deve brilhar e irradiar pelo mundo, então ela não pode ser amarrada e acorrentada a um solo. A terra como aparência deve, então, ser sem fundamento ou, melhor dizendo, nem fundamentante nem sem fundamento, mas algo “entre” esses dois e fora de sua polaridade opositiva. Por essa razão, Heidegger fala da terra como um “abismo” em vez de um solo. Tudo o que a terra carrega é fenomenal, e o fenomenal é tudo o que ela pode carregar sem se tornar solo. O substantivo requer fundamentos, | E o mesmo se aplica a qualquer noção de uma “base” na terra. O sentido de terra de Heidegger é contrário ao pensamento de uma base presente, seja para a vida que se sustentaria nela ou para as formas que a adotariam como sua matéria. Esse caráter fenomenal da terra não é uma base porque não faz nenhum trabalho de fundamentação. A terra recusa esse papel de base. Se a aparência deve brilhar e irradiar pelo mundo, então ela não pode ser amarrada e acorrentada a um solo. A terra como aparência deve, então, ser sem fundamento ou, melhor dizendo, nem fundamentante nem sem fundamento, mas algo “entre” esses dois e fora de sua polaridade opositiva. Por essa razão, Heidegger fala da terra como um “abismo” em vez de um solo. Tudo o que a terra carrega é fenomenal, e o fenomenal é tudo o que ela pode carregar sem se tornar solo. O substantivo requer fundamentos, | ||
/home/mccastro/public_html/ereignis/data/pages/estudos/mitchell/mitchell-2015-71-74-terra-em-geviert.txt · Last modified: by mccastro
