| O encontro de filosofia e literatura, típico do existencialismo francês, tem em Albert Camus (1913-1960) o seu mais alto representante. Mas se [[https://sofia.hyperlogos.info/giuseppe-lumia-sartre/|Sartre]] é mais filósofo que literato, de modo que os seus dramas e romances aparecem como exemplificações da sua filosofia, Camus é, pelo contrário, mais literato que filósofo. As obras em que expõe de forma direta o seu pensamento filosófico têm simples valor de comentário e ilustração relativamente às obras de imaginação, nas quais se contém, aliás, o melhor da sua produção. Os seus romances, e particularmente L’Étranger e La Peste, serão recordados entre as obras primas da literatura francesa do nosso século, não só pela medida clássica, rigor e perfeição do estilo, mas ainda pela maneira como o conteúdo do pensamento se traduz sem o menor desvio em puro ritmo narrativo. Também Camus é, como Sartre, um filósofo do absurdo. Mas para ele o mundo, se bem que absurdo, não é nunca objeto de «náusea», e a liberdade humana, ao contrário do que acontece com Sartre, não se orienta de vez em quando sobre soluções variáveis e imprevisíveis, mas sobre regras essenciais, fundadas sobre a própria condição do homem. | O encontro de filosofia e literatura, típico do existencialismo francês, tem em Albert Camus (1913-1960) o seu mais alto representante. Mas se [[https://sofia.hyperlogos.info/giuseppe-lumia-sartre/|Sartre]] é mais filósofo que literato, de modo que os seus dramas e romances aparecem como exemplificações da sua filosofia, Camus é, pelo contrário, mais literato que filósofo. As obras em que expõe de forma direta o seu pensamento filosófico têm simples valor de comentário e ilustração relativamente às obras de imaginação, nas quais se contém, aliás, o melhor da sua produção. Os seus romances, e particularmente L’Étranger e La Peste, serão recordados entre as obras primas da literatura francesa do nosso século, não só pela medida clássica, rigor e perfeição do estilo, mas ainda pela maneira como o conteúdo do pensamento se traduz sem o menor desvio em puro ritmo narrativo. Também Camus é, como Sartre, um filósofo do absurdo. Mas para ele o mundo, se bem que absurdo, não é nunca objeto de «náusea», e a liberdade humana, ao contrário do que acontece com Sartre, não se orienta de vez em quando sobre soluções variáveis e imprevisíveis, mas sobre regras essenciais, fundadas sobre a própria condição do homem. |