estudos:lowith:filosofia-da-existencia
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| + | ====== Filosofia da Existência ====== | ||
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| + | KLH | ||
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| + | * Origem histórica da filosofia da existência na ruptura com Hegel | ||
| + | * A filosofia da existência contemporânea surge como reação ao período final do idealismo alemão, marcado pela culminação de Hegel. | ||
| + | * A consciência hegeliana de uma tradição milenar manifesta um fim, gerando a necessidade de um novo começo filosófico. | ||
| + | * Os termos polêmicos centrais dessa reação são " | ||
| + | * A oposição dirige-se contra a filosofia como mera teoria, contra a contemplação e a compreensão meramente racionais da realidade. | ||
| + | * Convergência dos jovens hegelianos na crítica à inadequação hegeliana | ||
| + | * Os proeminentes hegelianos de esquerda da década de 1840 coincidem na oposição a Hegel, apesar de suas diferenças essenciais. | ||
| + | * Feuerbach opõe ao pensamento abstrato de Hegel a " | ||
| + | * Marx opõe a " | ||
| + | * Stirner opõe o " | ||
| + | * Kierkegaard opõe a " | ||
| + | * O cerne da crítica comum é a inadequação da filosofia absoluta do espírito de Hegel à realidade existente e à existência real. | ||
| + | * Redução da questão ontológica universal à existência humana | ||
| + | * O conceito de " | ||
| + | * A filosofia se torna relevante para esses pensadores apenas quando leva em conta essa realidade humana como " | ||
| + | * A pergunta ontológica universal pelo ser em geral concentra-se e reduz-se à pergunta particular pela existência humana. | ||
| + | * Contexto histórico e origem escolástica do conceito de existência | ||
| + | * Para compreender o giro para uma filosofia da existência humana, é necessário explicar a transmissão prévia do conceito. | ||
| + | * " | ||
| + | * A distinção entre // | ||
| + | * A prova ontológica de Anselmo e os argumentos de Descartes, Espinoza, Leibniz e Wolff partem dessa coincidência em Deus. | ||
| + | * Crítica kantiana e nova anulação por Hegel | ||
| + | * Kant critica a prova ontológica, | ||
| + | * Hegel, porém, anula novamente a distinção crítica, definindo o " | ||
| + | * Para Hegel, o que era exclusivo de Deus (a coincidência de essência e existência) ou inválido segundo Kant, vale para todo ente " | ||
| + | * A ideia, o pensamento ou o conceito, como ser essencial, é também o real e efetivo por antonomásia. | ||
| + | * Marx e a exigência de realização prática da unificação | ||
| + | * Marx reconhece que a unificação hegeliana de essência e existência só se realizava na ideia filosófica. | ||
| + | * Ele reclama que a ideia racional se una de fato com a totalidade da realidade prática e teórica. | ||
| + | * Busca um princípio portador da realização prática ou " | ||
| + | * Como " | ||
| + | * Em princípio, Marx mantém a tese hegeliana da realidade como unidade de essência e existência. | ||
| + | * Schelling e a virada irracional dentro do idealismo | ||
| + | * Schelling reverte a unificação dialética hegeliana com a distinção entre filosofia " | ||
| + | * Sua polêmica de 1841 contra a filosofia " | ||
| + | * Schelling via sua causa como comum à dos jovens hegelianos de esquerda que combatiam Hegel invocando-o. | ||
| + | * A crítica de Schelling à indistinção hegeliana e ao deserto do ser | ||
| + | * Schelling argumenta que Hegel incluía a existência apenas aparentemente em seu sistema, hipostasiando o conceito lógico numa existência que não lhe correspondia. | ||
| + | * A lógica ontológica de Hegel só " | ||
| + | * Sua ontologia transformaria a realidade num " | ||
| + | * A confusão entre filosofia negativa e positiva leva a uma essência desértica e silvestre. | ||
| + | * Kierkegaard e a radicalização da existência como problema fundamental | ||
| + | * Deixando de lado sua orientação cristã, Kierkegaard entende o ser humano como " | ||
| + | * A questão universal do ser, até então determinante, | ||
| + | * O problema autêntico deixa de ser //o que// o Dasein é, para ser //que// ele é e //como// está aí. | ||
| + | * A pergunta pela existência torna-se idêntica à pergunta pelo sentido do "estar aí". | ||
| + | * A tese existencial sobre a essência do Dasein | ||
| + | * A tese da filosofia da existência é que a " | ||
| + | * Heidegger formula isso de modo mais agudo: a essência do Dasein está em sua existência. | ||
| + | * A radicalização do problema do ser desemboca na questionabilidade da " | ||
| + | * As características da existência kierkegaardiana | ||
| + | * Em segundo lugar, a existência assim entendida afeta a existência " | ||
| + | * A filosofia da existência discute o significado existencial das relações vitais, mas não é " | ||
| + | * Em terceiro lugar, devido à singularização radical e interiorizada do homem, " | ||
| + | * A angústia perante a nada torna-se uma experiência fundamental. | ||
| + | * Nihilismo e singularização na época de dissolução | ||
| + | * A singularização do indivíduo, que torna possível uma existência autêntica, é resposta a uma " | ||
| + | * Kierkegaard recua completamente para sua interioridade face à dissolução de um mundo que ainda existia, mas perdera validade. | ||
| + | * Esse movimento confirma, contra a vontade de Kierkegaard, | ||
| + | * O indivíduo contra a universalidade social | ||
| + | * Kierkegaard desenvolve seu conceito de " | ||
| + | * Via o desenvolvimento moderno como nivelamento social positivo e, contrariamente, | ||
| + | * Considerava essa singularização como o princípio do cristianismo. | ||
| + | * Sentido fundamental da existência em Kierkegaard | ||
| + | * Existir interiormente repelindo o mundo, em relação consigo mesmo como indivíduo, ante o nada, para " | ||
| + | * A questão crucial é que o Dasein como tal tornou-se questionável em suas bases, pois o homem ficou "sem mundo" | ||
| + | * O problema autêntico dessa filosofia é a possibilidade inerente ao Dasein humano de // | ||
| + | * Apropriação da ideia de existência por Heidegger e Jaspers | ||
| + | * Sob a influência de Kierkegaard e face a uma " | ||
| + | * Jaspers o faz sob o título de " | ||
| + | * Heidegger o faz sob o título de " | ||
| + | * Ambos partem do ser do Dasein humano, num sentido de existência determinado por Kierkegaard. | ||
| + | * A problemática da determinação da existência como isolamento | ||
| + | * A determinação do ser do homem como " | ||
| + | * Refere-se à " | ||
| + | * O isolamento persiste mesmo no modo da " | ||
| + | * A filosofia da existência moderna é expressão positiva de uma universalidade faltante da vida humana, de uma carência factual de mundo. | ||
| + | * Niilismo como problema decisivo do ser | ||
| + | * Para essa filosofia, o niilismo torna-se um problema decisivo do ser. | ||
| + | * Heidegger desenvolve explicitamente a consequência niilista da existencialidade, | ||
| + | * A resposta possível, segundo Heidegger, encontra-se na " | ||
| + | * Essa resposta, abstraída da solução religiosa de Kierkegaard, | ||
| + | * A problemática da agudização da questão do ser para a facticidade | ||
| + | * A agudização da questão do ser para a " | ||
| + | * Nenhuma transcendência ultrapassa essa existência assim entendida; tudo o que ela " | ||
| + | * O objetivo é tornar patente no ser o abismo do nada e, assim, possibilitar o problema do " | ||
| + | * A posição de Jaspers: existência e transcendência | ||
| + | * Jaspers inicia sua filosofia sistemática e histórica numa situação espiritual de niilismo existencial. | ||
| + | * Para ele, a existência possível (// | ||
| + | * A insatisfação no mero Dasein é expressão da Existenz possível. | ||
| + | * O homem é Existenz possível no Dasein; a Existenz avança para seu ser ou se afasta para o nada por meio de escolha e decisão. | ||
| + | * O limite da liberdade e a necessidade da transcendência | ||
| + | * Erigir-se absolutamente sobre si mesma leva a Existenz ao desespero, à consciência de que afundaria no vazio. | ||
| + | * Para tornar-se real a partir de si, a Existenz depende de encontrar aquilo que a completa. | ||
| + | * A liberdade, que decide o ser junto com a paixão, não pode considerar-se a última instância, pois só está no tempo. | ||
| + | * Na transcendência, | ||
| + | * Definição e superação jaspersiana da existência | ||
| + | * " | ||
| + | * Em uma transcendência de segunda ordem, supera-se existentialmente o Dasein mundano numa " | ||
| + | * Supera-se também a intranquilidade do existir em situações-limite no salto da angústia para a " | ||
| + | * Esse salto é o passo "mais difícil e incompressível", | ||
| + | * O problema central da filosofia de Jaspers | ||
| + | * O problema autêntico é a relação entre existência e transcendência, | ||
| + | * Filosofar ao modo de Jaspers significa retrair-se da completa objetualidade para as origens não objetuais. | ||
| + | * O ser mais originário não é o ser para si da existência, | ||
| + | * A filosofia da existência é a filosofia do ser do homem que está por em cima do homem. | ||
| + | * Leitura do mundo como cifra da transcendência | ||
| + | * O método é ler tudo o que é e o próprio Dasein em " | ||
| + | * A última perspectiva é experimentar o ser no " | ||
| + | * Enquanto Heidegger tenta uma metafísica finita da finitude, Jaspers ensaia infinitas possibilidades na transcendência imanente. | ||
| + | * A relação com a religião e a expressão mítica | ||
| + | * A finitude e nulidade do Dasein só têm sentido em vista do eterno autopresente da transcendência " | ||
| + | * A expressão " | ||
| + | * O filosofar de Jaspers acontece como impulso contrário à religião, mas buscando um absoluto ser em si. | ||
| + | * Sem transcendência, | ||
| + | * Modificação dos conceitos kierkegaardianos em Jaspers | ||
| + | * Graças ao ajuste da existência para a transcendência, | ||
| + | * São despidos de seus trajes teológicos e recolocados no sentido de uma recapitulação existencial da metafísica do idealismo alemão. | ||
| + | * Jaspers une mundos díspares como os de Kierkegaard e Humboldt, dando-lhes clarificação existencial em conceitos formais da metafísica idealista. | ||
| + | * Órgão e linguagem da metafísica jaspersiana | ||
| + | * O órgão dessa metafísica é a " | ||
| + | * A linguagem imediata da transcendência é como uma " | ||
| + | * Nesses símbolos metafísicos, | ||
| + | * Seu tempo é puro presente eterno, um //nunc stans//. | ||
| + | * O naufrágio como cifra última e a questão da universalidade humana | ||
| + | * A cifra última e ressonante de todas as outras é o naufrágio, a "cifra do ser no naufrágio" | ||
| + | * A verdade encontra-se onde a existência que naufraga traduz a língua da transcendência na mais ingênua certeza do ser. | ||
| + | * A filosofia de Jaspers, no entanto, permanece numa " | ||
| + | * A expressão metódica para essa carência de mundo é a ideia do " | ||
| + | * A problemática mundana da mesmidade e a crítica ao nivelamento | ||
| + | * Jaspers conhece a problemática mundana das precondições da mesmidade, mas seu saber só transforma a consciência, | ||
| + | * A questão decisiva é se a posição deve ser contra o nivelamento da mesmidade ou contra a sublimação do eu burguês em um si mesmo existencial. | ||
| + | * Jaspers rejeita como " | ||
| + | * A alternativa existencial limitada e a banalidade questionável | ||
| + | * A alternativa existencial entre uma existência em referência à transcendência e um mundo sem existência só é válida num contexto previamente nivelado. | ||
| + | * A vida sem relação existencial com a transcendência seria " | ||
| + | * Contudo, a banalidade poderia residir na própria questionabilidade existencial, | ||
| + | * O extraordinário seria um homem realizar o universal em sua normalidade. | ||
| + | * A universalidade humana além da cisão existencial | ||
| + | * A universalidade humana não é nem uma planície humanitária nem um abismo existencial. | ||
| + | * Encontra-se no ser do homem como tal, aquém da cisão entre Dasein e " | ||
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