User Tools

Site Tools


estudos:levinas:bret-davis-200710-vontade-segundo-levinas

Differences

This shows you the differences between two versions of the page.

Link to this comparison view

estudos:levinas:bret-davis-200710-vontade-segundo-levinas [16/01/2026 14:40] – created - external edit 127.0.0.1estudos:levinas:bret-davis-200710-vontade-segundo-levinas [26/01/2026 20:11] (current) mccastro
Line 1: Line 1:
-===== Bret Davis (2007:10) – VONTADE SEGUNDO LEVINAS =====+===== VONTADE SEGUNDO LEVINAS (2007:10) =====
 <tabbox destaque> <tabbox destaque>
 A (des)sintonia fundamental da vontade é caracterizada, como vimos, por um movimento circular em que o sujeito sai e traz à força o outro que não é ele próprio de volta ao domínio do seu poder. Levinas fala disto como a "redução do Outro ao Mesmo". A vontade é um movimento de redução da alteridade à semelhança, da diferença à identidade, mesmo quando, paradoxalmente, isto tem o efeito alienante de solidificar dicotomias. O sujeito da vontade aliena-se dos outros, mesmo quando — ou precisamente porque — tenta trazê-los à força de volta ao seu próprio domínio. Por um lado, a vontade do Mesmo é uma negação e recusa da alteridade. Mas, por outro lado, o sujeito da vontade, na ekstasis da sua incorporação extática, não pode deixar de correr o risco de se expor à ameaça da alteridade. Para se lançar numa missão de conquista, é preciso abrir as portas da fortaleza ao que está para além das muralhas e ainda não foi conquistado. Além disso, na própria vontade de conquistar e incorporar os outros, na vontade de reivindicar os seus corpos exteriores como território próprio, expomo-nos inevitavelmente a um reconhecimento do traço de alteridade radical nos seus rostos, o traço dessa interioridade que sempre se afasta e resiste à conquista e à assimilação. Daí que, como diz Levinas, haja "esta ambiguidade do poder voluntário, expondo-se aos outros no seu movimento centrípeto de egoísmo". A vontade quer o impossível: possuir os outros como outros; mas no momento em que consegue possuí-los, eles são despojados da sua alteridade. A vontade falha, portanto, mesmo quando consegue, e o seu movimento de auto-expansão inquieta deve continuar sem fim. A (des)sintonia fundamental da vontade é caracterizada, como vimos, por um movimento circular em que o sujeito sai e traz à força o outro que não é ele próprio de volta ao domínio do seu poder. Levinas fala disto como a "redução do Outro ao Mesmo". A vontade é um movimento de redução da alteridade à semelhança, da diferença à identidade, mesmo quando, paradoxalmente, isto tem o efeito alienante de solidificar dicotomias. O sujeito da vontade aliena-se dos outros, mesmo quando — ou precisamente porque — tenta trazê-los à força de volta ao seu próprio domínio. Por um lado, a vontade do Mesmo é uma negação e recusa da alteridade. Mas, por outro lado, o sujeito da vontade, na ekstasis da sua incorporação extática, não pode deixar de correr o risco de se expor à ameaça da alteridade. Para se lançar numa missão de conquista, é preciso abrir as portas da fortaleza ao que está para além das muralhas e ainda não foi conquistado. Além disso, na própria vontade de conquistar e incorporar os outros, na vontade de reivindicar os seus corpos exteriores como território próprio, expomo-nos inevitavelmente a um reconhecimento do traço de alteridade radical nos seus rostos, o traço dessa interioridade que sempre se afasta e resiste à conquista e à assimilação. Daí que, como diz Levinas, haja "esta ambiguidade do poder voluntário, expondo-se aos outros no seu movimento centrípeto de egoísmo". A vontade quer o impossível: possuir os outros como outros; mas no momento em que consegue possuí-los, eles são despojados da sua alteridade. A vontade falha, portanto, mesmo quando consegue, e o seu movimento de auto-expansão inquieta deve continuar sem fim.
estudos/levinas/bret-davis-200710-vontade-segundo-levinas.txt · Last modified: by mccastro