estudos:ldmh:ser-o-ai
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Both sides previous revisionPrevious revisionNext revision | Previous revision | ||
| estudos:ldmh:ser-o-ai [20/01/2026 18:01] – removed - external edit (Unknown date) 127.0.0.1 | estudos:ldmh:ser-o-ai [09/02/2026 20:16] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== Ser-o-aí ====== | ||
| + | |||
| + | LDMH | ||
| + | |||
| + | * A intraduzibilidade de termos como Dasein e Ereignis no uso heideggeriano não constitui apenas uma dificuldade linguística, | ||
| + | * Traduzir Dasein por être-là (ser-aí) equivale, em certo sentido, a não perceber ou a contornar esse obstáculo, uma vez que tal tradução elimina a cisão conceitual própria do termo, fazendo perder aquilo que foi conquistado como nova posição ontológica em Ser e Tempo. | ||
| + | * A crítica de Heidegger à tradução francesa, exemplificada em Sartre, mostra que compreender o ser humano como “aí” do mesmo modo que uma cadeira está “aí” reconduz o Dasein ao regime da presença subsistente, | ||
| + | * O “estar aí” da coisa implica permanência espacial e temporal na presença, ao passo que o Dasein não possui permanência, | ||
| + | * Questionamentos como o de Emmanuel Levinas, que suspeitam no Da de Dasein uma usurpação de lugar, carecem de sentido no horizonte heideggeriano, | ||
| + | * Para evitar esse mal-entendido, | ||
| + | * A possibilidade ou impossibilidade desse francês filosófico permanece em aberto, dependendo de saber se “ser-o-aí” consegue instaurar na língua francesa um espaço de sentido realmente falante ou se permanece uma simples invenção terminológica. | ||
| + | * A principal virtude de “ser-o-aí” consiste em não ser um substantivo, | ||
| + | * O que há a ser, nesse caso, é o “aí”, entendido não como facticidade empírica ou espacial, mas como relação extática ao ser, como dimensão do aberto sem retração, da qual pode advir a presença do ente para o ser humano. | ||
| + | * O “aí” não designa nada de presente nem um espaço determinado, | ||
| + | * Essa factividade do “aí”, que não deve ser confundida com algo “fáctico” ou “factício”, | ||
| + | * A análise etimológica e semântica do advérbio francês “là”, segundo François Fédier, mostra que ele indica tanto distância espacial quanto temporal, remetendo a um índice de dimensionalidade e de afastamento, | ||
| + | * Enquanto indicador do distante e do afastamento, | ||
| + | * Nessa abertura ek-stática ao longínquo originário, | ||
| + | * Essa abertura não se dá apenas pela compreensão do ser, mas também pela tonalidade afetiva (Stimmung), e a homofonia do “aí” com a nota musical que “dá o tom” permite entrever uma dimensão de ressonância originária que dispõe o Da-sein em sua abertura. | ||
| + | * Conforme Jean Beaufret, o “aí” constitui o fundo do próximo e do distante, do já e do ainda não, sendo o campo no qual o homem já se encontra, é apreendido e aberto para aquilo que se manifesta no horizonte de um mundo de presença, rosto, oferta e retração. | ||
| + | * Nessa perspectiva, | ||
| + | * O homem, ek-sistindo no Aberto do ser e sustentando sua prova, assume assim a posição singular daquele que habita a abertura em que o ser se dá e se retira. | ||
| + | |||
| + | {{tag>" | ||
