estudos:ldmh:possibilidade
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| + | ====== Possibilidade (Möglichkeit) ====== | ||
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| + | LDMH | ||
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| + | * Possibilidade | ||
| + | * Die Möglichkeit | ||
| + | * Na tradição metafísica, | ||
| + | * Heidegger, porém, insiste que, em Aristóteles, | ||
| + | * Ao fundo da reflexão heideggeriana sobre a possibilidade ecoa um diálogo incessante com Aristóteles, | ||
| + | * No interior desse diálogo, e no momento em que Heidegger concebe Ser e Tempo sob a tarefa de reler Aristóteles em chave existencial, | ||
| + | * Ruptura entre possibilidade categorial e possibilidade existencial em Ser e Tempo | ||
| + | * Para medir a distância entre a compreensão metafísica e a compreensão existencial, | ||
| + | * Por isso Heidegger pode afirmar que o sentido da possibilidade e o modo das estruturas de possibilidade que pertencem ao Dasein permaneceram completamente fechados até hoje (GA 21, 228), e com isso o possível recebe desde o início um lugar eminente. | ||
| + | * O abandono da visada categorial conduz Heidegger, numa das páginas mais decisivas de sua escrita, a pensar o possível como um nome do ser (GA 9, 316; Carta sobre o humanismo, p. 34 s.), deslocando a possibilidade do regime modal para a proximidade do próprio acontecer do ser. | ||
| + | * A ambiguidade metafísica: | ||
| + | * A tese de que o ser tem a ver com a possibilidade não é inteiramente nova: pela interpretação platônica da idea como agathon, o ser torna-se aquilo que torna o ente apto a ser, mostrando-se como tornar possível e condicionar, | ||
| + | * Contudo, ao receber o traço essencial do “tornar possível” (das Ermöglichende), | ||
| + | * Assim, a possibilidade é pensada como capacidade: o “bem” estabiliza o ente, e o possível, concebido a partir da enticidade do ente, é apreendido como aptidão que confere consistência de ser. | ||
| + | * Em termos modernos, a potência do possível mede-se por seu poder de efetivar-se como real; o possível torna-se potencial, deixando entrever a passagem de dynamis a potentia, e passa a servir de medida para a vontade de potência. | ||
| + | * É somente com a metafísica da subjetividade, | ||
| + | * Ser e Tempo: o primado do possível e a possibilidade como existencial | ||
| + | * Ser e Tempo rompe com esses pressupostos: | ||
| + | * Por isso a questão da possibilidade é retomada por via existencial, | ||
| + | * O ser-possível existencial distingue-se tanto da possibilidade lógica vazia quanto da contingência de um ente aí-diante para o qual tanto pode “ocorrer” isto quanto aquilo; enquanto categoria modal do aí-diante, possibilidade significa o não-ainda-real e o jamais-necessário, | ||
| + | * Em contraste, a possibilidade como existencial é a determinação ontológica mais originária do Dasein, a mais “positiva”, | ||
| + | * Projeção: abrir sem precisar realizar | ||
| + | * Essa possibilidade não tem de tornar-se real; enquanto tal, ela abre e descobre (erschließt), | ||
| + | * A projeção não se confunde com um “projeto” que precisa efetivar-se e, ao efetivar-se, | ||
| + | * A morte como possibilidade “mais extrema” e revelação do caráter de possibilidade | ||
| + | * Nada ilumina mais a compreensão nova da possibilidade do que a morte, dita por Heidegger a possibilidade “mais extrema”, na qual o caráter de possibilidade do Dasein deve revelar-se com máxima acuidade (ETFV, 248-249). | ||
| + | * Do ponto de vista modal, a morte não é possibilidade, | ||
| + | * A morte é o “poder-ser descobridor” (erschließendes Seinkönnen, | ||
| + | * Por isso, no ser-para-a-morte, | ||
| + | * Vorlaufen: a “marcha de avanço” que deixa a possibilidade permanecer | ||
| + | * Em Ser e Tempo, o modo de ser perante a possibilidade, | ||
| + | * Por isso, avançar (vorlaufen) para a possibilidade significa não atraí-la para si e trazê-la ao presente, mas deixá-la permanecer como possibilidade e relacionar-se com ela desse modo (Prolegômenos à história do conceito de tempo, GA 20, 439). | ||
| + | * A frase de Emily Dickinson, “I dwell in Possibility” (“Eu habito o Possível”), | ||
| + | * O possível como nome do ser no “outro começo” | ||
| + | * Assim, o ser mesmo, enquanto se dispensa em sua abertura, é possibilidade, | ||
| + | * Talvez o termo português “possível” não baste para dizer o que está em jogo, pois possibilis, criado por Quintiliano (De Inst., 3, 8, 25) para traduzir dynaton, aparenta-se a posse (potis esse), “estar em posição de poder sobre”, “ter a potência de”, o que parece opor-se ao sentido heideggeriano. | ||
| + | * Ernout e Meillet observam, porém, que o sentido primeiro de potis foi eliminado no sentido de “poder sobre, poderoso” em favor de potens e se especializou em “que pode, capaz” e, no neutro, “possível”, | ||
| + | * Mögen, Vermögen e a via de uma potência não brutal | ||
| + | * Para pensar como fala o alemão, é decisivo notar que Heidegger torna novamente audível o verbo mögen (amar), situado no coração de Möglichkeit (possibilidade) e de Vermögen (poder, faculdade, capacidade), | ||
| + | * É verdade que mögen remonta à raiz indo-europeia *magh-, ligada ao poder, visível no grego méchané, no latim machina, no inglês may e might e no alemão Macht (potência); | ||
| + | * Nos Aportes à filosofia, Heidegger afirma que é precisamente a Machenschaft, | ||
| + | * A calma força do possível e o poder de amar como deixar-ser | ||
| + | * A verdadeira potência, medida pelo critério da eficiência total do fazer, aparece paradoxalmente como impotência (Ohnmacht; GA 65, 47), e Heidegger a nomeia como “Die stille Kraft des Möglichen”, | ||
| + | * Ela é calma e silenciosa porque não precisa agitar-se incessantemente para assegurar sua potência por um acréscimo perpétuo de potência; e sua força (Kraft) é buscada em das Mögliche no próprio mögen (amar), pensado por Heidegger como “fazer dom do ser” (GA 9, 316). | ||
| + | * É por esse dom que o amado pode advir a si; e é desse amar (mögen) que todo poder (Vermögen) verdadeiro recebe seu conteúdo, pois “o poder de amar” (das Vermögen des Mögens) é aquilo pela “graça” (“kraft”) de que algo pode propriamente ser capaz (vermag) de ser. | ||
| + | * No grande Entrevista vespertina de 1946-1948 lê-se: “Sem o amar próprio do amor (das Mögen der Liebe) não podemos (vermögen) nada” (GA 75, 89); e no início de O que chama a pensar?: “Nós só somos capazes (vermögen) daquilo que amamos (mögen), isto é, daquilo a que, com afeto, nos confiamos e assim admitimos ao deixá-lo ser” (GA 7, 129; Ensaios e conferências, | ||
| + | * O poder de amar é o que torna capaz porque deixa-ser; essa é sua graça, que é também sua força: conceder favor ao ser, de modo que o ser se desdobre sem esgotar-se na eficácia do ente. | ||
| + | * Dispensa-se, | ||
