estudos:ldmh:physis
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| + | ====== Physis ====== | ||
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| + | * Physis no começo grego da filosofia | ||
| + | * O nome physis ocupa uma posição singular no início grego da filosofia, como atesta o fato de que as obras de Heráclito, Parmênides e Empédocles foram transmitidas sob o título Peri physeôs, “sobre a physis”, o que não é mero dado textual, mas expressão de uma necessidade historial mais profunda. | ||
| + | * A situação contemporânea — a disponibilização das “forças naturais” como reserva energética, | ||
| + | * Reconhecer que outras civilizações não conheceram uma noção de “natureza” em sentido próprio é distinto de compreender a proveniência que vincula o destino do Ocidente a uma metafísica, | ||
| + | * Nesse sentido, a afirmação galileana segundo a qual a natureza se lê em linguagem matemática é tão metafísica quanto a Física de Aristóteles, | ||
| + | * Tradução de physis por “natureza” e empobrecimento do sentido | ||
| + | * A tradução de physis por “natureza” possui sua legitimidade e sua história, mas já não deixa transparecer a força do que os gregos pensaram nesse termo, força que, segundo Heidegger, ainda hoje apenas mal conseguimos medir. | ||
| + | * Physis, phuô e a experiência da eclosão | ||
| + | * O termo physis remete ao verbo grego phuô, que significa “impelir”, | ||
| + | * Na Introdução à metafísica, | ||
| + | * A eclosão (Aufgehen) não deve ser entendida apenas a partir de imagens simples, como a flor que se abre, mas como o dom da dimensão na qual toda coisa pode desabrochar em seu ser. | ||
| + | * Por isso, os gregos não extraíram da observação de “processos naturais” um conceito abstrato de physis; ao contrário, foi a experiência do ser como eclosão no aberto que tornou possível um olhar para os fenômenos naturais enquanto tais. | ||
| + | * Do espanto à théoria | ||
| + | * Não é evidente que a alternância do dia e da noite, das estações e da vida dos viventes se deixe ver unitariamente como physis; a tradição filosófica, | ||
| + | * No espanto, o ente enquanto ente e em sua totalidade é tomado livremente em vista, mas esse olhar rapidamente se fixa no que vem à presença, passando a considerar teoricamente princípios e causas que determinam forma e constância. | ||
| + | * Assim se instaura a tarefa da théoria, historialmente decisiva para o Ocidente, na qual o ente é apreendido em seus aspectos e gêneros. | ||
| + | * Retração do aberto e esquecimento do ser | ||
| + | * Heidegger não vê nessa consideração teórica o simples progresso necessário da razão humana, pois ela repousa secretamente sobre a retração da experiência fundamental do aberto em sua eclosão, que conferia ao espanto sua tonalidade originária. | ||
| + | * O apagamento desse retraimento, | ||
| + | * Retorno ao sentido originário de physis | ||
| + | * O esforço de pensar contra a corrente da representação metafísica da natureza orienta a meditação heideggeriana do termo physis, buscando uma via capaz de dizer a aparição das coisas a partir do próprio foco de sua aparição. | ||
| + | * Isso se manifesta na leitura do segundo livro da Física de Aristóteles, | ||
| + | * No seio da mobilidade assim compreendida, | ||
| + | * Energeia, technè e obra | ||
| + | * Aristóteles nomeia essa plenitude como energeia, termo em que ressoa a experiência da obra (ergon), o que não indica uma projeção antropomórfica, | ||
| + | * A technè, entendida não como técnica moderna, mas como saber essencial, designa a disposição fundamental em que os seres humanos fazem a experiência das coisas, sustentados pela possibilidade de nelas se entender. | ||
| + | * Na forma da poièsis, a technè faz advir algo cujo princípio se encontra em outro; contudo, esse outro — o olhar e a mão do artesão — é soberano precisamente porque se coloca a serviço do que se produz de si mesmo. | ||
| + | * Assim, technè e physis pertencem uma à outra: a technè é orientada para a physis, e a physis só se deixa ver a partir da technè, como mostram tanto a Introdução à metafísica quanto A origem da obra de arte. | ||
| + | * Produção, retração e domínio | ||
| + | * Toda obra humana é secretamente sustentada pelo que se produz de si mesmo, entendido como aquilo que, no ritmo de sua eclosão, conduz do “lá” para o “aqui” da presença. | ||
| + | * Contudo, o que é assim produzido tende a eclipsar a própria eclosão, que se retrai diante do olhar teórico e se perde à medida que a technè se orienta para o domínio e a apropriação do que produz. | ||
| + | * O retraimento como essência da physis | ||
| + | * É a experiência da obra, mais originária que o olhar desinteressado da théoria, que abre o caminho para o foco da aparição, embora esse foco seja em si mesmo o mais inaparante. | ||
| + | * Nesse inaparante se deixa pensar a fonte de toda eclosão, razão pela qual Heidegger atribui importância decisiva ao fragmento 16 de Heráclito: physis kryptesthai philei. | ||
| + | * Longe de significar que “a natureza ama esconder-se”, | ||
| + | * Physis e alétheia | ||
| + | * Na meditação da clareira como desvelamento que se vela, o que os gregos disseram tanto por alétheia quanto por physis, Heidegger não busca restaurar um sentido originário perdido. | ||
| + | * Ele convida antes a entrar num relacionamento aberto com o espaço dos primeiros começos, de modo a contrabalançar a forma cada vez mais unívoca com que pensamos hoje aquilo que ainda chamamos “natureza” e “verdade”. | ||
