estudos:ldmh:ldmh-gott
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| + | ====== Deus(es) ====== | ||
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| + | LDMH | ||
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| + | * Questão sobre como nomear o divino na obra de Heidegger – Deus, o deus, os deuses, a deidade ou ainda o divino, no contexto do teológico ou do // | ||
| + | * Observação de Heidegger em carta a Elisabeth Blochmann – //Deus – ou como queira dizer – chama a cada um com uma voz diferente// – contém em filigrana quase todas as dificuldades, | ||
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| + | * Para maior clareza, é desejável distinguir, ainda que esses aspectos inevitavelmente se enredem: | ||
| + | * Primeiramente, | ||
| + | * Em segundo lugar, o modo como suas interpretações e seu pensamento ecoam aquilo que se chama // | ||
| + | * Finalmente, a irrupção, em meados dos anos 1930, de uma figura inédita e insólita que Heidegger chama //o último deus//, isto é, a maneira como seu próprio pensamento pôde dar lugar à questão de Deus. | ||
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| + | * Disposição atual de ampla documentação – cartas, textos autobiográficos, | ||
| + | * Contudo, a questão sobre se Heidegger // | ||
| + | * Restaria indagar se a fé é algo que se possa //ter// ou //perder//; Deus não é algo que se perca //como se perde uma pedrinha//, conforme escreve Rilke, ainda que a perda possa ser uma //segunda aquisição//, | ||
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| + | * Estabelecimento factual possível limita-se a constatar que Heidegger //saiu da Igreja//, gesto oficial na Alemanha com consequências inclusive fiscais. | ||
| + | * Testemunho do padre Engelbert Krebs sobre declaração de Elfride Heidegger em dezembro de 1918 indica que o casal pensava //como protestantes//, | ||
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| + | * Para além de elementos biográficos, | ||
| + | * Questão que magnetiza sua abordagem do divino poderia formular-se assim: viemos apenas //tarde demais para os deuses// ou subsiste ainda uma possibilidade de sermos tais, com respeito ao divino, que o divino possa ainda ter por nós algum respeito? | ||
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| + | * Em termos fenomenológicos, | ||
| + | * A própria nominação do divino em língua alemã constitui uma primeira obstrução, | ||
| + | * A história da metafísica transforma esse Invocado em Convocado, alinhado a conceitos como //ato puro de ser//, //ente infinito//, //causa de si// ou //supremo valor// – identificação esta que Heidegger qualifica de //maior blasfêmia//, | ||
| + | * O divino em sentido grego, ao contrário, não é apreendido a partir do homem, mas a partir de si mesmo, como aquilo que deve a si seu próprio surgimento, fulgurando como Zeus. | ||
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| + | * A fé – da qual seria necessário distinguir tipos nas religiões judaica e cristã, e talvez entre confissões cristãs – é uma modalidade da relação com o divino, não sendo essa a modalidade dos gregos, que //não acreditaram em seus deuses// | ||
| + | * A designação tardia de // | ||
| + | * O Deus //de// Heidegger não é o //Deus dos filósofos e dos sábios//, mas tampouco é simplesmente o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. | ||
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| + | * O desprendimento de Heidegger em relação ao cristianismo é menos uma renegação que uma tentativa de aprofundamento daquilo que, nessa proveniência, | ||
| + | * Por isso, o //último deus// que surge nos // | ||
| + | * Não é o deus que esperamos, mas, no melhor dos casos, o deus que nos espera, aquele que //aguarda a fundação da verdade do ser e com isso o salto do ser humano no Da-sein// | ||
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| + | * Por mais enigmático e difícil que seja o desenvolvimento dedicado ao //último deus//, que apenas passa e talvez despercebido, | ||
| + | * A estrela que ornamenta a tumba de Heidegger não é a da redenção. | ||
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| + | * É talvez na frase famosa pronunciada em 1966 para a revista //Der Spiegel// que se pode ver uma espécie de testamento espiritual de Heidegger sobre essa questão: //Somente um deus pode ainda nos salvar// | ||
| + | * E acrescenta: //Resta-nos como única possibilidade preparar no pensamento e na poesia uma disponibilidade para o aparecimento do deus ou para a ausência do deus em nosso declínio; que declinemos diante do deus ausente// | ||
| + | * Na era técnica que é a nossa, a //voz de Deus// ainda seria audível, ou estaria para sempre recoberta pelo //estrondo das máquinas//, | ||
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| + | * A questão da nominação do deus não relega mais em Heidegger à problemática clássica dos //nomes de Deus// ou a uma doutrina dos atributos divinos, mas, a favor de um diálogo incontornável com a poesia de Hölderlin e da meditação do Geviert, àquela da deidade tal como bebe na fonte do sagrado, o que por sua vez supõe a //verdade do ser// | ||
| + | * Como afirma a //Carta sobre o Humanismo//: | ||
| + | * A dificuldade inerente à nominação de Deus ou mais amplamente do divino em Heidegger deve-se, portanto, por um lado, a sua relação tornada não confessional com Deus e, por outro, à // | ||
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