estudos:ldmh:dike
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| + | ====== Dike (Fug) ====== | ||
| + | * Dike constitui um termo originário do pensamento grego mais antigo, pertencente tanto à reflexão pré-socrática de Anaximandro e Parmênides quanto à tradição poética representada por Píndaro, sendo por Heidegger reconhecida como um daqueles nomes fundamentais através dos quais a língua grega expressou, com uma densidade que mal conseguimos pressentir, a experiência originária do ser como presença, anterior à sua degradação em conceito vazio e indeterminado. | ||
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| + | * A tradução convencional por justiça revela-se inadequada, pois como observa Benveniste, a noção ética moderna de justiça não se encontra incluída no significado originário de dike, cuja proximidade etimológica com o verbo deiknumi aponta antes para um mostrar que deixa ver como cada coisa deve ser para se manter na relação apropriada com o todo onde encontra seu lugar próprio. | ||
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| + | * Em Píndaro, a tranquilidade que fundamenta a magnificência das cidades é dita filha de Dike, indicando que essa justa ordenação não corresponde a uma mera disposição humana, mas ao desdobramento íntegro de um mundo onde se abre a morada humana da pólis, embora nesse mesmo movimento se revele também a possibilidade humana do erro e do desacordo, conforme Parmênides já indicara. | ||
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| + | * Heidegger traduz dike por Fug, termo que na expressão corrente Mit Fug und Recht significa a bom direito, mas que em sua literalidade remete ao verbo fügen, juntar ou ajustar, designando assim o acordo que permite a diversas coisas articularem-se num conjunto harmonioso, sendo antes de tudo a própria presença do ente em sua totalidade que se deixa entender como esse ajoanhamento fundamental. | ||
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| + | * A interpretação do fragmento de Anaximandro constitui momento decisivo dessa compreensão, | ||
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| + | * A região aberta onde tudo vem à sua hora não corresponde a um vazio indeterminado, | ||
