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| + | ====== Jaspers: Filosofia da Existência - Introdução ====== | ||
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| + | //Data: 2022-03-23 14:10// | ||
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| + | ==== Pensamento Ocidental Moderno ==== | ||
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| + | === Filósofos e Pensadores === | ||
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| + | Excertos de " | ||
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| + | Excertos de " | ||
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| + | FUI CONVIDADO a falar sobre a filosofia da existência. Uma parte da filosofia de hoje define-se por este nome. O termo singularizante " | ||
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| + | O que se denomina de filosofia da existência é realmente apenas uma forma de filosofia única, primordial. Não se trata de nenhum acidente, todavia, que no momento a palavra " | ||
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| + | Já no século dezenove, movimentos com este enfoca-mento de espírito surgiam intermitentemente. As pessoas desejavam " | ||
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| + | Agora, se pelo espaço de um século a natureza da época tem-se revelado inteiramente diferente — a saber, uma época de nivelamento, | ||
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| + | Mas até mesmo este pensar frequentemente degenerou-se num frívolo encobrimento da realidade, característico do processo de agitação, pervertendo-se numa filosofia tumultuosa e patética de sentimento e de vida. O desejo de experimentar o ser para si mesmo podia ser pervertido num contentamento com o meramente vital; o desejo de encontrar a origem, numa mania de primitivismo; | ||
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| + | Não propomos considerar em sua totalidade esta perda de realidade numa época de realismo visivelmente elevado — uma época de cuja crescente consciência desenvolveu-se a aflição da alma e o ato de filosofar. Em lugar disto, tentaremos relembrar por um relato histórico a tortuosa rota tomada por esse retorno à realidade — um retorno que assumiu várias configurações — usando como exemplo a nossa relação com as ciências, um exemplo que se mostra inerentemente essencial ao nosso tema. | ||
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| + | NA PASSAGEM DO SÉCULO, a filosofia era na sua maior parte concebida como uma ciência em meio às outras ciências. Era um campo para os estudos acadêmicos, | ||
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| + | Esta filosofia, no entanto, parecia revelar falta de confiança em si mesma. O respeito sem limites da época peias ciências empíricas exatas fazia com que se tornassem o magno exemplar. A filosofia queria recapturar sua reputação perdida perante o julgamento passado para as ciências, por meio de uma exatidão idêntica. Na verdade, todos os objetos de pesquisas haviam sido parcelados e encaminhados às ciências especiais. Mas a filosofia desejava legitimar-se a si mesma paralelamente a elas, fazendo com que o todo se constituísse num objeto científico; | ||
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| + | Os jovens nesse tempo estavam fadados a experimentarem uma profunda desilusão. Não era isto que julgavam fosse a filosofia. A paixão por uma filosofia com raízes na vida fez com que rejeitassem esta filosofia científica, | ||
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| + | Que entusiasmo tomou conta desses estudantes que, por essa época, abandonaram a filosofia depois de uns poucos semestres e se dirigiram para as ciências naturais, para a história e para as outras ciências da investigação! Aqui havia realidades. Aqui a vontade de conhecer poderia encontrar satisfação: | ||
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| + | Mias quando as ciências foram eleitas como se já contivessem a verdadeira filosofia, isto é, quando se supunha que dariam o que se procurara em vão na filosofia, erros típicos tornaram-se possíveis. Os homens desejavam aros ciência que fosse capaz de indicar-lhes que objetivos perseguir na vida — uma ciência de avaliações. Deduziam da ciência os vários tipos de conduta, e pretendiam saber por meio da ciência o que na verdade eram artigos de fé — ainda que acerca das coisas imanentes neste mundo. Ou em contraposição, | ||
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| + | Visto que, quando nas ciências eram asseveradas muitas coisas para as quais não havia prova alguma, quando as teorias globalizantes eram formuladas de maneira demasiadamente confiante como conhecimento absoluto da realidade, quando muitas coisas eram aceitas como evidentes por si mesmas sem exame (por exemplo, a ideia básica da natureza como um mecanismo ou então muitas teorias que envolviam petições de princípio como a doutrina de que a necessidade dos eventos históricos pode ser conhecida, e coisas do gênero), a má filosofia reaparecia no campo das ciências sob uma forma ainda pior. Mas — e isto era algo soberbo e nobilitante — a crítica ainda existia e se achava atuante dentro da própria ciência: não o eterno desfile da polêmica filosófica que nunca leva a qualquer concordância, | ||
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| + | Havia, também, grandes eventos científicos que irrompiam através de todos os dogmatismos. Na passagem do século, com a descoberta da radioatividade e com os começos da teoria quântica, iniciava-se a relativização intelectual da rígida carapaça da visão mecanística da natureza. Iniciava-se o desenvolvimento, | ||
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| + | Fenômenos análogos, embora menos soberbos, ocorriam por toda parte no campo das ciências especiais. Toda pré-suposição absoluta entrou em colapso. Por exemplo, o dogma do século dezenove relativamente à psiquiatria, | ||
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| + | Grandes investigadores, | ||
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| + | Max Weber denunciou o erro, na pressuposição de que a ciência — isto é, a ciência econômica e a sociologia — podiam descobrir e provar o que devia ser feito. O método científico descerra fatos e possibilidades. Para conhecê-los objetiva e verdadeiramente, | ||
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| + | Tais experiências científicas demonstravam a possibilidade de possuir-se um conhecimento totalmente determinado e concreto num dado período, assim como a-impossibilidade de encontrar-se na ciência o que em vão se havia esperado da filosofia dessa época. Os que haviam procurado na ciência a base para as suas próprias vidas, um guia para as suas ações, ou o próprio ser, achavam-se fadados a serem desapontados. | ||
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| + | O caminho que leva à filosofia tinha de ser mais uma vez descoberto. | ||
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| + | NOSSO PROCESSO DE FILOSOFAR CONTEMPORÂNEO está condicionado por esta experiência havida com a ciência. O roteiro que segue da desilusão em relação à filosofia deteriorada até às ciências reais, e destas novamente até à filosofia autêntica, é tal que deve ter um papel decisivo em modelar a espécie de filosofar possível nos dias de hoje. Por conseguinte, | ||
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| + | Primeiramente, | ||
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| + | a) A cognição científica das coisas não é a cognição do ser. A cognição científica é uma cognição particular, que diz respeito a determinados objetos, não ao ser em si mesmo. A relevância filosófica da ciência, todavia, é a de que, precisamente por meio do conhecimento, | ||
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| + | b) A cognição científica não pode oferecer objetivos, quaisquer que eles sejam, à vida. Não estabelece valores válidos. Portanto, não pode dirigir, liderar. Por meio de sua clareza e decisividade, | ||
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| + | c) A ciência não é capaz de formular qualquer resposta ao seu próprio significado. A existência da ciência descansa em impulsos para os quais não existe qualquer comprovação científica de que sejam verdadeiros e legítimos. | ||
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| + | Ao mesmo tempo, à medida que os limites da ciência vão-se tornando claros, a significação positiva e a indispensabilidade da ciência à filosofia também se tornam claras. | ||
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| + | Primeiramente, | ||
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| + | O caminho da ciência é indispensável à filosofia, dado que somente um conhecimento a respeito desse caminho faz com que o filosofar se abstenha de formular, mais uma vez, exigências desarrazoadas e subjetivas ao conhecimento factual que pertença realmente à pesquisa metodologicamente exata. | ||
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| + | Contrariamente, | ||
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| + | Se, por um lado, a filosofia e a ciência são impossíveis uma sem a outra, e, por outro lado, a turva confusão não pode mais perdurar —, a tarefa atual é estabelecer sua verdadeira unidade, seguida à sua separação. O ato de filosofar não pode ser nem idêntico nem oposto ao pensamento científico. | ||
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| + | Em segundo lugar, somente as ciências, que se atiram às pesquisas e assim produzem o conhecimento obrigatório dos objetos, nos colocam frente a frente com o conteúdo factual das aparências. Somente as ciências me ensinam claramente o modo como as coisas são. Se o filósofo não tivesse qualquer conhecimento atualizado das ciências, permaneceria sem uma clara visão de conhecimento do mundo, como se fosse um homem cego. | ||
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| + | Ern terceiro lugar, o ato de filosofar que seja uma busca da verdade antes que a expressão de um entusiasmo, deve incorporar a atitude ou o enfocamento cientifico. A atitude científica é caracterizada por uma discriminação continuada de seu conhecimento obrigatório — entre o conhecimento acompanhado, | ||
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| + | Tudo conspira para vincular a filosofia à ciência. A filosofia lida com as ciências de uma tal maneira que o seu próprio significado é posto em evidência e revelado. Ao permanecer em contacto vivo com as ciências, a filosofia dissolve o dogmatismo (esta obscura pseudo-filosofia) que tem a tendência de irromper no seio delas. Sobretudo, no entanto, a filosofia se transforma no testemunho consciente do esforço científico dirigido contra os inimigos da ciência. Viver filosoficamente é inseparável da atitude da mente que sustenta sem reservas a ciência. | ||
| + | |||
| + | JUNTAMENTE COM ESTA elucidação dos limites e do significado da ciência, emergia a independência da origem da filosofia. Somente quando cada uma das asserções prematuras se expunha à aguda penetração esclarecedora da crítica é que os homens tornavam-se conscientes dessa independência, | ||
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| + | Desta origem podemos conhecer alguma coisa que nenhuma ciência é capaz de nos ensinar. Porquanto a filosofia não pode originar-se apenas de maneiras científicas de pensar e do conhecimento científico. A filosofia exige um pensar diferente, um pensar que, ao conhecer, faz com que eu me recorde, com que eu me desperte, faz com que eu me entregue a mim mesmo, transforma-me. | ||
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| + | Mas a nova descoberta da origem da filosofia na velha tradição imediatamente demonstrava a impossibilidade de encontrar-se a verdadeira filosofia no passado, pronta de antemão. A antiga filosofia nas suas formas passadas não pode ser a nossa filosofia. | ||
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| + | Embora vejamos o ponto de partida histórico do nosso modo de filosofar no âmbito da velha filosofia, e desenvolvamos o nosso próprio pensar estudando-a, | ||
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| + | A mais impressionante dentre as novas condições é c desenvolvimento das ciências puras que acabamos de examinar. A filosofia não pode mais ser ingênua e verdadeira, a um só tempo. A ingênua união da filosofia com a ciência era uma cifra eficaz e, dentro da sua situação cultural, autêntica. Mas, nos nossos dias, uma tal unià-o somente é possível como uma turva confusão que deve ser radicalmente superada. À medida que a ciência e ?. filosofia passaram a se entender, a compreensão incrementou-se. A filosofia, juntamente com a ciência, deve criar o pensamento filosófico que emerge de uma origem diversa da origem da ciência. | ||
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| + | A filosofia atual deve, por conseguinte, | ||
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| + | Embora a origem nos fale através dos textos antigos não podemos simplesmente adotar as suas doutrinas. A compreensão histórica das doutrinas do passado deve ser distinguida da posse do que é presente em toda a filosofia, em todas as épocas. Porquanto somente essa apropriação torna-se, à sua vez, a plataforma da possibilidade de uma compreensão histórica do distante e do alheio. | ||
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| + | O ATO DE FILOSOFAR ATUAL advém, conscientemente, | ||
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| + | Leva a cabo a busca da realidade por meio do pensar como ação interna. Este pensar envolve-se em todas as coisas, a fim de transcender estas coisas até ao seu autêntico cumprimento e realização. | ||
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| + | Esta realidade não pode ser descoberta uma vez mais, como no campo das ciências, como um conteúdo deter-mimante do conhecimento. A filosofia não pode mais apresentar uma doutrina do todo do ser em unidade objetiva. | ||
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| + | Nem pode o mero sentimento vivido merecer confiança a fim de tornar presente essa realidade. A realidade pode ser atingida com e através o sentimento apenas no pensar. | ||
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| + | O ato de filosofar insiste urgente e reflexivamente em direção ao ponto em que o pensar se transforma na experiência da própria realidade. Para atingir tal ponto, no entanto, devo pensar constantemente, | ||
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| + | A filosofia é a objetificação metódica deste pensar. | ||
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| + | Mão dá um conceito desta objetificação fornecendo uma sinopse das realizações que estão-se passando no momento pelo nome de filosofia da existência ou da minha própria filosofia. Posso apenas apontar, por meio de exemplos, para umas poucas ideias básicas com as quais ela se preocupa. Levanto as seguintes questões: | ||
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| + | Na primeira conferência: | ||
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| + | Na segunda conferência: | ||
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| + | Na terceira conferência: | ||
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