estudos:jaspers:jaspers-a-razao
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| A razão aponta, por conseguinte, | A razão aponta, por conseguinte, | ||
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| Desejaria agora completar esta breve caracterização da razão, pela discussão de algumas possibilidades que ela proporciona. | Desejaria agora completar esta breve caracterização da razão, pela discussão de algumas possibilidades que ela proporciona. | ||
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| Quando, na tentativa de distinguir radicalmente o Oriente do Ocidente, contrapomos o movimento do ocidental à tranquilidade do asiático, o que encontramos é apenas uma polaridade da razão mesma, que é própria de ambos (Oriente e Ocidente). É a tensão que se manifesta por sua vez historicamente aqui e lá, mas que não é suficientemente distinguível na sua manifestação por meio de categorias universais. A historicidade como tal nunca se torna objeto de conhecimento. Não sabemos nada de essencial uns dos outros, senão quando entramos em comunicação uns com os outros. | Quando, na tentativa de distinguir radicalmente o Oriente do Ocidente, contrapomos o movimento do ocidental à tranquilidade do asiático, o que encontramos é apenas uma polaridade da razão mesma, que é própria de ambos (Oriente e Ocidente). É a tensão que se manifesta por sua vez historicamente aqui e lá, mas que não é suficientemente distinguível na sua manifestação por meio de categorias universais. A historicidade como tal nunca se torna objeto de conhecimento. Não sabemos nada de essencial uns dos outros, senão quando entramos em comunicação uns com os outros. | ||
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| As manifestações que ocorrem na ausência da razão podem ser caracterizadas como em número infinito. Um princípio da não-razão é a vontade de existência concreta (Da-sein), que atribui a si mesma a proeminência. Para frisar o contraste com a razão, pode-se formular o seguinte: | As manifestações que ocorrem na ausência da razão podem ser caracterizadas como em número infinito. Um princípio da não-razão é a vontade de existência concreta (Da-sein), que atribui a si mesma a proeminência. Para frisar o contraste com a razão, pode-se formular o seguinte: | ||
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| Enquanto o pensamento a serviço da razão é crítico, deseja a verdade, a existência concreta pensante procura sua auto-justificação na sofistica e sua certeza do Ser na superstição da gnose metafísica. | Enquanto o pensamento a serviço da razão é crítico, deseja a verdade, a existência concreta pensante procura sua auto-justificação na sofistica e sua certeza do Ser na superstição da gnose metafísica. | ||
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| E agora a coisa decisiva: a razão não existe por natureza, mas realmente apenas por decisão. Não acontece por si mesma, como um fato natural e como a totalidade da existência humana concreta, na medida em que esta tem caráter de natureza, mas nasce da liberdade. | E agora a coisa decisiva: a razão não existe por natureza, mas realmente apenas por decisão. Não acontece por si mesma, como um fato natural e como a totalidade da existência humana concreta, na medida em que esta tem caráter de natureza, mas nasce da liberdade. | ||
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| "O homem que é consciente de um caráter, no seu modo de pensar, não o tem por natureza, mas deve tê-lo adquirido constantemente. Pode-se também admitir que a fundação desse caráter, qual uma espécie de renascimento, | "O homem que é consciente de um caráter, no seu modo de pensar, não o tem por natureza, mas deve tê-lo adquirido constantemente. Pode-se também admitir que a fundação desse caráter, qual uma espécie de renascimento, | ||
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| Em nossa época, Koestler encontrou notáveis e emocionantes palavras para referir-se à conversão que o libertou do comunismo e o fez um ardente defensor da liberdade e da humanidade. Fala da " | Em nossa época, Koestler encontrou notáveis e emocionantes palavras para referir-se à conversão que o libertou do comunismo e o fez um ardente defensor da liberdade e da humanidade. Fala da " | ||
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| Os simples princípios da razão filosófica podem parecer sem conteúdo, puramente formais, porque na sua generalização nada dizem. Mas precisamente por isso têm uma significação oni-envolvente. Agem como fórmulas mágicas, que, entretanto, são transparentes à razão. Lembram-nos o que é decisivo, sem nos constranger. Fazem ver e dão impulso. Graças ao seu caráter formal, podem, por assim dizer, curar-nos da nossa cegueira, porém a visão concreta, essa eles a deixam à nossa liberdade. Não são proclamações, | Os simples princípios da razão filosófica podem parecer sem conteúdo, puramente formais, porque na sua generalização nada dizem. Mas precisamente por isso têm uma significação oni-envolvente. Agem como fórmulas mágicas, que, entretanto, são transparentes à razão. Lembram-nos o que é decisivo, sem nos constranger. Fazem ver e dão impulso. Graças ao seu caráter formal, podem, por assim dizer, curar-nos da nossa cegueira, porém a visão concreta, essa eles a deixam à nossa liberdade. Não são proclamações, | ||
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| A razão cria o âmbito de pensamento no qual aquilo que existe pode ser apreendido, adquire expressão, e, portanto, valor, enquanto ser próprio. Este âmbito da razão é como a água, o ar e a luz, em que toda vida pode medrar, e por isso é ávido de preenchimento por essa vida, mas com a condição de ser penetrado pela razão. | A razão cria o âmbito de pensamento no qual aquilo que existe pode ser apreendido, adquire expressão, e, portanto, valor, enquanto ser próprio. Este âmbito da razão é como a água, o ar e a luz, em que toda vida pode medrar, e por isso é ávido de preenchimento por essa vida, mas com a condição de ser penetrado pela razão. | ||
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| Pareceria como se, no meio da ruína, mas desde que a existência concreta não esteja aniquilada, a razão pudesse levar o ser autêntico da Existência a uma transformação em novas possibilidades de construção do ser humano - com o que o ser autêntico de um indivíduo e o ser autêntico de outro se encontram num chamado recíproco por sobre o mundo. | Pareceria como se, no meio da ruína, mas desde que a existência concreta não esteja aniquilada, a razão pudesse levar o ser autêntico da Existência a uma transformação em novas possibilidades de construção do ser humano - com o que o ser autêntico de um indivíduo e o ser autêntico de outro se encontram num chamado recíproco por sobre o mundo. | ||
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| Para terminar, digamos, ainda uma vez, o que pode ser a razão. | Para terminar, digamos, ainda uma vez, o que pode ser a razão. | ||
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