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estudos:henry:rosa-henry-o-ethos-da-etica

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estudos:henry:rosa-henry-o-ethos-da-etica [16/01/2026 14:40] – created - external edit 127.0.0.1estudos:henry:rosa-henry-o-ethos-da-etica [17/01/2026 13:27] (current) mccastro
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 Encontramos neste exemplo de M. Henry, três tipos de saberes: os científicos e objectivos; os da consciência e os saberes imediatos da Vida. Estes últimos, de costume, permanecem saberes e poderes esquecidos, despercebidos, no anonimato - é sobretudo quando nos faltam que nos apercebemos de como são primordiais. Se perguntarmos a alguém qual dos três saberes considera mais importante, é provável que, eivado de ideologia positivista, responda que é o da Biologia, sem referir sequer o da consciência que o possibilita e muito menos o da Vida. Até certo ponto, é compreensível este esquecimento, visto a “vida não ter nenhum objecto, pois a sua essência não é de relação com um objecto.” A vida é auto-revelação e auto-afectividade: junta, junge, unifica; não separa, não objectiva, não põe à distância para ver num horizonte de luz. “Se o saber presente no movimento de mexer as mãos, e que o toma possível, tivesse [que ter] um objecto (...) tal movimento jamais se produziría,”((Michel HENRY, “Question de la vie et de la culture...”, p. 18.)) Porque o je peux presente em todos os poderes humanos((Cf. as várias dimensões deste je peux em Paul Ricoeur, Soi-même comme un autre, Paris, Éditions du Seuil, 1990.)) a começar pelos mais humildes e imediatos, ligados à sensibilidade e à carne sensível e senciente, só é possível na imanência absoluta da subjectividade, quer dizer, na Fenomenalidade pura da Vida, que a si mesma se experiência, se frui e se padece, qual ontológica e primordial paciência de ser. É neste sentido que a Vida é um pathos originário: “Cet accroissement de la vie (...) est bien un pathos, un s’éprouver soi-même”, e isto é “quelque chose qu’elle subit constament dans un subir plus fort que sa liberté”((Michel HENRY, “Question de la vie et de la culture...”, p. 21; Cf. igualmente Michel Henry, ’épreuve de la vie (Actes du Colloque de Cerisy 1996, sous la dir. d’Alain David et de Jean Greisch), Paris, Cerf, 2001.)). Encontramos neste exemplo de M. Henry, três tipos de saberes: os científicos e objectivos; os da consciência e os saberes imediatos da Vida. Estes últimos, de costume, permanecem saberes e poderes esquecidos, despercebidos, no anonimato - é sobretudo quando nos faltam que nos apercebemos de como são primordiais. Se perguntarmos a alguém qual dos três saberes considera mais importante, é provável que, eivado de ideologia positivista, responda que é o da Biologia, sem referir sequer o da consciência que o possibilita e muito menos o da Vida. Até certo ponto, é compreensível este esquecimento, visto a “vida não ter nenhum objecto, pois a sua essência não é de relação com um objecto.” A vida é auto-revelação e auto-afectividade: junta, junge, unifica; não separa, não objectiva, não põe à distância para ver num horizonte de luz. “Se o saber presente no movimento de mexer as mãos, e que o toma possível, tivesse [que ter] um objecto (...) tal movimento jamais se produziría,”((Michel HENRY, “Question de la vie et de la culture...”, p. 18.)) Porque o je peux presente em todos os poderes humanos((Cf. as várias dimensões deste je peux em Paul Ricoeur, Soi-même comme un autre, Paris, Éditions du Seuil, 1990.)) a começar pelos mais humildes e imediatos, ligados à sensibilidade e à carne sensível e senciente, só é possível na imanência absoluta da subjectividade, quer dizer, na Fenomenalidade pura da Vida, que a si mesma se experiência, se frui e se padece, qual ontológica e primordial paciência de ser. É neste sentido que a Vida é um pathos originário: “Cet accroissement de la vie (...) est bien un pathos, un s’éprouver soi-même”, e isto é “quelque chose qu’elle subit constament dans un subir plus fort que sa liberté”((Michel HENRY, “Question de la vie et de la culture...”, p. 21; Cf. igualmente Michel Henry, ’épreuve de la vie (Actes du Colloque de Cerisy 1996, sous la dir. d’Alain David et de Jean Greisch), Paris, Cerf, 2001.)).
  
-É, pois, na auto-revelação da Vida absoluta, como doação passiva para si mesma, que também cada Soi-même é dado e vem a ser, não apenas como eu transcendental, mas como vivente, singular, concreto, nas suas moções mais secretas e humildes e em todos os seus poderes. Não é, portanto, a vida ideal, noemática, essência abstracta, mas a vida concreta dos viventes (o Pedro, a Ivete) a começar pelos poderes mais experienciais e basilares do homem, ligados aos poderes do corpo vivido, i.e., da carne. Poderes mínimos, que são nossos num poder que nos é anterior. As modalidades subjectivas mais imediatas para nós desta passividade são o sentir-se a sentir, o ver-se a ver (videre videor) o padecer-se (de pathos), ser para si mesmo uma doação originária que, depois, todas as outras modalidades da nossa subjectividade assumem: a alegria, o prazer, o medo, a dor, a satisfação, a tristeza e assim por diante. ([O ‘ethos’ da Ética->http://www.lusosofia.net/textos/jose//rosa//o//ethos//da//etica//fenomenologia//michel//henry.pdf], p. 10-13)+É, pois, na auto-revelação da Vida absoluta, como doação passiva para si mesma, que também cada Soi-même é dado e vem a ser, não apenas como eu transcendental, mas como vivente, singular, concreto, nas suas moções mais secretas e humildes e em todos os seus poderes. Não é, portanto, a vida ideal, noemática, essência abstracta, mas a vida concreta dos viventes (o Pedro, a Ivete) a começar pelos poderes mais experienciais e basilares do homem, ligados aos poderes do corpo vivido, i.e., da carne. Poderes mínimos, que são nossos num poder que nos é anterior. As modalidades subjectivas mais imediatas para nós desta passividade são o sentir-se a sentir, o ver-se a ver (videre videor) o padecer-se (de pathos), ser para si mesmo uma doação originária que, depois, todas as outras modalidades da nossa subjectividade assumem: a alegria, o prazer, o medo, a dor, a satisfação, a tristeza e assim por diante. (O ‘ethos’ da Ética, p. 10-13)
  
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