estudos:henry:michel-henry-marx-materialismo-dialetico
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| + | ====== materialismo dialético (Marx) ====== | ||
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| + | Henry, Michel. Marx. vol. I. Una filosofía de la realidad. - 1a ed. - Buenos Aires : Ediciones La Cebra, 2011. | ||
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| + | A pressuposição última e geralmente não percebida da concepção dialética da história é de natureza metafísica, | ||
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| + | A unidade e a universalidade da história fundam-se na infinitude do gênero humano postulada por Ludwig Feuerbach, em oposição à finitude do indivíduo cujos saber e vontade são limitados; a história da humanidade é concebida ontologicamente como a vitória contínua sobre os limites que, numa época determinada, | ||
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| + | Nos textos de 1844, a sociedade é interpretada como a realização objetiva e efetiva do gênero, o lugar onde o universal deixa de ser uma abstração celeste para se tornar concreto na terra da realidade, constituindo uma unidade anterior aos seus membros que se expressa através deles; essa concepção pressupõe a existência em si e para si do gênero, cuja manifestação subjetiva é o amor (o sentimento da perfeição do gênero na diferença dos sexos) e cuja manifestação objetiva é o trabalho e a organização social, de tal forma que cada atividade individual é reduzida a uma função de representação da essência universal. | ||
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| + | A mutação decisiva que ocorre no pensamento de Marx em 1845, e que se cristaliza em //A Ideologia Alemã//, consiste na rejeição radical da ontologia hegeliana e na denúncia dos conceitos de Sociedade e História como hipóstases especulativas que não possuem realidade própria fora dos indivíduos que as compõem; ao recusar a autonomia do ser coletivo, Marx rompe com a ideia de uma substância social que determinaria os indivíduos, | ||
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| + | A crítica a Max Stirner e aos socialistas verdadeiros explicita que a atribuição de uma inteligência própria ou de leis específicas à sociedade, distintas das leis da vida individual, é uma ficção metafísica que transforma uma palavra numa coisa; a tese de que a sociedade é depravada e por isso corrompe os indivíduos é uma inversão teológica da causalidade real, pois são as determinações efetivas da vida, do trabalho e das relações dos indivíduos que constituem a realidade social, sendo o ponto de vista que considera a sociedade como um sujeito único um ponto de vista estritamente especulativo. | ||
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| + | A desconstrução do conceito de História como sujeito metafísico implica que a história nada faz, não possui riquezas imensas nem libra combates, sendo nada mais do que a atividade do homem perseguindo os seus próprios objetivos; contra a teleologia especulativa que vê na história a realização da verdade ou da autoconsciência, | ||
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| + | A produção da vida material — o ato de beber, comer, alojar-se e vestir-se — é identificada como o primeiro fato histórico e a condição fundamental de toda a história, uma condição que deve ser preenchida diariamente para que os homens possam sequer fazer história; essa produção da vida, juntamente com a criação de novas necessidades e a reprodução da vida na família, constitui a estrutura transcendental da história, uma condição que é metahistórica não porque se situe fora do tempo, mas porque é a condição de possibilidade //a priori// de qualquer evento histórico, permanecendo como o fundamento inalterável sob todas as variações das formas sociais. | ||
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| + | A distinção entre a história como realidade fática e a filosofia da história como teoria das condições de possibilidade dessa realidade é crucial para compreender o materialismo histórico; enquanto a ciência histórica descreve os eventos e as condições históricas determinadas (como a acumulação de capital ou o êxodo rural), o materialismo histórico elucida a fundação ontológica da história na vida e na produção, definindo //a priori// o objeto da ciência histórica e constituindo-a como ciência ao retirá-la da indeterminação, | ||
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| + | A teoria da luta de classes, ao constatar que a história de todas as sociedades até o presente é a história da luta de classes, é uma proposição assertiva que pertence à ciência empírica da história construída e não ao conteúdo apodítico do materialismo histórico, pois não deriva da essência transcendental da sociedade como tal (visto que uma sociedade sem classes é possível); a confusão entre a constatação empírica do conflito e a necessidade ontológica da contradição deriva da persistência da dialética hegeliana, que inscrevia a negatividade e a oposição na própria essência do devir histórico. | ||
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| + | A oposição radical entre as concepções de história em Hegel e Marx reside na heterogeneidade de suas pressuposições: | ||
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| + | A crítica implícita à analítica existencial de Martin Heidegger reside na afirmação de que a história não é o tempo, nem a temporalização extática de um projeto, nem a compreensão de si; compreender uma sociedade passada não é reativar os seus projetos ou a compreensão que ela tinha de si mesma, pois a vida real que produziu essa história — a fome, o frio, o trabalho — possui uma positividade afetiva e material que não se deixa reduzir à estrutura formal da projeção de um mundo ou do horizonte de futuro, o que estabelece uma ruptura ontológica entre a realidade histórica (a vida) e a história como ciência hermenêutica. | ||
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| + | A transformação da história em história universal (// | ||
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| + | A rejeição da autonomia da História e da Sociedade acarreta o abandono da dialética como estrutura da realidade, pois a dialética pressupõe a unidade de uma substância que se autodesenvolve através da contradição; | ||
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| + | A reinterpretação da " | ||
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| + | A divisão do trabalho é identificada como a raiz de todas as contradições sociais (como a oposição entre forças produtivas e relações de produção), | ||
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| + | A tentativa do marxismo posterior, incluindo Louis Althusser e Mao Tsé-Tung, de sofisticar a dialética através de conceitos como contradição principal, secundária, | ||
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| + | A luta de classes e as oposições históricas não são manifestações de uma dialética da matéria ou da natureza (como queria Friedrich Engels numa extensão indevida ou // | ||
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