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| + | ====== a genealogia das classes (Marx) ====== | ||
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| + | Henry, Michel. Marx. vol. I. Una filosofía de la realidad. - 1a ed. - Buenos Aires : Ediciones La Cebra, 2011. | ||
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| + | A crítica de Karl Marx à totalidade social hipostasiada, | ||
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| + | A explicação da história pela luta de classes, que se tornou um dogma do marxismo, sugere que as classes não apenas determinam a estrutura e o destino da sociedade, mas também os próprios indivíduos que a compõem; segundo essa perspectiva, | ||
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| + | A concepção de que a classe preexiste aos indivíduos e os determina como exemplares é, contudo, rejeitada por Marx em //A Ideologia Alemã// como uma sobrevivência do idealismo hegeliano e da ideologia alemã, análoga à determinação do cidadão pelo Estado; Marx inverte essa relação ao afirmar que as condições de classe não são essências anteriores, mas condições pessoais que se tornaram comuns e gerais, estabelecendo uma genealogia onde a realidade da classe se dissolve na realidade das determinações subjetivas dos indivíduos vivos. | ||
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| + | A realidade ontológica de uma classe social não é uma realidade genérica ou autônoma, mas constitui-se por um conjunto de determinações (como acordar a tal hora, realizar tal gesto de trabalho, sentir de tal maneira) que só existem na vida fenomenológica individual; não há determinação social sem um indivíduo que a viva como sua determinação singular, de modo que a classe não é uma substância, | ||
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| + | A generalidade das condições de classe não implica uma transformação ontológica dessas condições, | ||
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| + | A crítica à objetividade das relações sociais é idêntica à crítica da alienação e da reificação: | ||
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| + | A gênese histórica da burguesia ilustra a genealogia da classe a partir da dispersão individual: a classe burguesa formou-se lentamente a partir de burgueses isolados que, para defenderem os seus interesses contra o feudalismo, uniram-se localmente e depois interlocalmente, | ||
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| + | A análise dos camponeses parcelares franceses em //O 18 de Brumário de Luís Bonaparte// confirma a tese de que a realidade original da classe pode ser uma pura multiplicidade sem união: os camponeses formam uma classe na medida em que vivem sob condições econômicas similares que os distinguem das outras classes, mas não formam uma classe na medida em que a identidade de seus interesses não cria entre eles nenhuma comunidade, união nacional ou organização política, assemelhando-se a um saco de batatas onde a unidade é apenas externa e agregativa. | ||
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| + | É necessário distinguir rigorosamente entre o conceito original de classe (como conjunto de determinações subjetivas similares e dispersas) e o conceito completo de classe (que inclui a consciência de classe e a organização política); apenas com a tomada de consciência da similitude de interesses e com a constituição de uma vontade comum (partido, lei) é que a classe adquire uma unidade ideal e se torna um ator político, capaz de lutar pelo poder e de impor o seu interesse particular como interesse geral. | ||
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| + | A distinção entre o indivíduo pessoal e o indivíduo de classe surge historicamente com a burguesia e a concorrência, | ||
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| + | As determinações sociais, mesmo quando sentidas como impostas e acidentais pelo indivíduo (como o trabalho assalariado para o proletário), | ||
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| + | A produção das relações sociais é idêntica à produção da vida pelos indivíduos: | ||
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| + | A história humana é, em última análise, a história do desenvolvimento individual dos homens, e a transmissão das forças produtivas e das relações sociais de uma geração para outra não é a transferência de uma estrutura objetiva morta, mas a retomada viva de uma atividade por outra atividade; a ilusão da autonomia das estruturas sociais e econômicas dissipa-se quando se reconduz a história à sua única base real: o comportamento pessoal e recíproco dos indivíduos vivos que criam e recriam diariamente as suas condições de existência. | ||
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| + | A afirmação de Marx no Prefácio de //O Capital// de que os indivíduos são personificações de categorias econômicas não deve ser lida como uma negação da subjetividade fundadora, mas como a descrição do efeito da alienação onde as relações sociais, embora produzidas pelos indivíduos, | ||
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