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estudos:henry:henry-gp-59-61-o-que-e-ver

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 === Videre videor === === Videre videor ===
  
-////Excerto de HENRY, Michel. [Genealogia da psicanálise. O começo perdido.->https://www.scribd.com/document/228690233/Genealogia-Da-Psicanalised] Tr. Rodrigo Vieira Marques. Curitiba: Editora UFPR, 2009, p. 59-61.////+////Excerto de HENRY, Michel. Genealogia da psicanálise. O começo perdido. Tr. Rodrigo Vieira Marques. Curitiba: Editora UFPR, 2009, p. 59-61.////
  
 O que é ver? O olho humano, tornado cego pela redução, colocado entre parêntesis, e reconhecido incapaz de cumprir a visão, converteu essa visão em sua natureza, no puro fato de ver, o qual pressupõe um horizonte de visibilidade, uma luz transcendental que Descartes “denomina” luz natural. A coisas e, notadamente, as essências matemáticas, podem ser vistas porque estão mergulhadas nessa luz e são esclarecidas por ela. Ver é olhar “em direção a” e atingir o que se tem diante do olhar, de tal maneira que é somente pela ob-jeção do que é assim lançado e posto “diante de” que esse último, o que é lançado, encontra-se simultânea e identicamente visto e olhado. Antes de ser a da coisa ou da essência, todavia, a ob-jeção do que é visto enquanto posto e situado “diante de” é, em primeiro lugar, a ob-jeção do ser-posto-diante como tal, a ob-jeção do horizonte puro, ela é a abertura do aberto como diferença ontológica sobre a qual se funda toda presença ôntica. A ek-stasis é a condição de possibilidade do videre e de todo o ver em geral. Mas essa ek-stasis originária é bruscamente abandonada pela redução. O que lhe resta, então, o que pretende ainda reter em suas mãos? O que é ver? O olho humano, tornado cego pela redução, colocado entre parêntesis, e reconhecido incapaz de cumprir a visão, converteu essa visão em sua natureza, no puro fato de ver, o qual pressupõe um horizonte de visibilidade, uma luz transcendental que Descartes “denomina” luz natural. A coisas e, notadamente, as essências matemáticas, podem ser vistas porque estão mergulhadas nessa luz e são esclarecidas por ela. Ver é olhar “em direção a” e atingir o que se tem diante do olhar, de tal maneira que é somente pela ob-jeção do que é assim lançado e posto “diante de” que esse último, o que é lançado, encontra-se simultânea e identicamente visto e olhado. Antes de ser a da coisa ou da essência, todavia, a ob-jeção do que é visto enquanto posto e situado “diante de” é, em primeiro lugar, a ob-jeção do ser-posto-diante como tal, a ob-jeção do horizonte puro, ela é a abertura do aberto como diferença ontológica sobre a qual se funda toda presença ôntica. A ek-stasis é a condição de possibilidade do videre e de todo o ver em geral. Mas essa ek-stasis originária é bruscamente abandonada pela redução. O que lhe resta, então, o que pretende ainda reter em suas mãos?
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