| Depois de ter relembrado esquematicamente o que a interpretação do homem como Filho de Deus põe fora de jogo, convém aprofundar a significação positiva. A esta se junta a princípio uma questão inevitável: se o homem porta nele a essência divina da [Vida->MHvida], não é ele Deus ele mesmo ou Cristo ? Em que difere ele deles? O que se trata, é de prosseguir na análise do nascimento transcendental do Filho da Vida bem longe para que os caracteres transcendentais que definem a essência verdadeira do homem sejam fundados e ao mesmo tempo apreensíveis em sua inteligibilidade. Viu-se como, na [autogeração da Vida absoluta->autogera], se encontra engendrada uma [[Ipseidade]] essencial cuja efetividade fenomenológica é um Si singular — aquele do [[Arquifilho]] co-engendrado na vida logo como sua autorrealização e assim como idêntico a esta. É de maneira análoga, a bem dizer, que o homem verdadeiro pensado pelo cristianismo sob o título de “Filho de Deus”, aquele que denominaremos doravante o Si transcendental vivente, se acha engendrado na Vida. Na medida que, no automovimento pelo qual a Vida não cessa de vir em si e de se experienciar a si mesma, se edifica uma Ipseidade e assim um Si, na medida que este se experiencia a si mesmo é dele um efetivo, é necessariamente este então o Si engendrado neste automovimento da Vida é dele um efetivo ele também, é necessariamente este ou aquele, um Si singular e por essência diferente de todo outro. Eu mesmo sou este Si singular engendrado no auto-engendramento da Vida Absoluta, e não sou senão isto. A Vida se auto-engendra como mim mesmo. Se com Mestre Eckhart — e com o cristianismo — chama-se a Vida Deus, dir-se-ia: «Deus se engendra como mim mesmo» (Eckhart Sermões). A geração deste Si singular que sou eu mesmo, Eu transcendental vivente, na autogeração da Vida Absoluta, é isto meu nascimento transcendental, aquele que faz de mim o homem verdadeiro, o homem transcendental cristão. | Depois de ter relembrado esquematicamente o que a interpretação do homem como Filho de Deus põe fora de jogo, convém aprofundar a significação positiva. A esta se junta a princípio uma questão inevitável: se o homem porta nele a essência divina da Vida, não é ele Deus ele mesmo ou Cristo ? Em que difere ele deles? O que se trata, é de prosseguir na análise do nascimento transcendental do Filho da Vida bem longe para que os caracteres transcendentais que definem a essência verdadeira do homem sejam fundados e ao mesmo tempo apreensíveis em sua inteligibilidade. Viu-se como, na autogeração da Vida absoluta, se encontra engendrada uma [[Ipseidade]] essencial cuja efetividade fenomenológica é um Si singular — aquele do [[Arquifilho]] co-engendrado na vida logo como sua autorrealização e assim como idêntico a esta. É de maneira análoga, a bem dizer, que o homem verdadeiro pensado pelo cristianismo sob o título de “Filho de Deus”, aquele que denominaremos doravante o Si transcendental vivente, se acha engendrado na Vida. Na medida que, no automovimento pelo qual a Vida não cessa de vir em si e de se experienciar a si mesma, se edifica uma Ipseidade e assim um Si, na medida que este se experiencia a si mesmo é dele um efetivo, é necessariamente este então o Si engendrado neste automovimento da Vida é dele um efetivo ele também, é necessariamente este ou aquele, um Si singular e por essência diferente de todo outro. Eu mesmo sou este Si singular engendrado no auto-engendramento da Vida Absoluta, e não sou senão isto. A Vida se auto-engendra como mim mesmo. Se com Mestre Eckhart — e com o cristianismo — chama-se a Vida Deus, dir-se-ia: «Deus se engendra como mim mesmo» (Eckhart Sermões). A geração deste Si singular que sou eu mesmo, Eu transcendental vivente, na autogeração da Vida Absoluta, é isto meu nascimento transcendental, aquele que faz de mim o homem verdadeiro, o homem transcendental cristão. |
| No entanto, na medida que este nascimento transcendental se cumpre a partir da Vida, no processo de vinda em si desta Vida, então o Si singular que sou não advém a si senão na vinda em si da Vida absoluta e a porta nele como sua pressuposição jamais abolida, como sua condição. Assim a Vida atravessa cada um daqueles que ela engendra de tal maneira que nada há nele que não seja vivente, nada menos que não contenha em si esta essência eterna da Vida. A Vida me engendra como ela mesma. Se com Eckhart — e com o cristianismo — chama-se a Vida Deus, dir-se-ia: «Deus me engendrou como ele mesmo» (Eckhart Sermões). Mas seria precisamente aí a condição do Arquifilho co-engendrado no auto-engendramento de Deus, de tal maneira que sua geração seria a auto-geração de Deus ele mesmo, que seria Deus. Aqui se repete nossa questão: Eu, este Si transcendental vivente que sou, sou eu o Cristo? | No entanto, na medida que este nascimento transcendental se cumpre a partir da Vida, no processo de vinda em si desta Vida, então o Si singular que sou não advém a si senão na vinda em si da Vida absoluta e a porta nele como sua pressuposição jamais abolida, como sua condição. Assim a Vida atravessa cada um daqueles que ela engendra de tal maneira que nada há nele que não seja vivente, nada menos que não contenha em si esta essência eterna da Vida. A Vida me engendra como ela mesma. Se com Eckhart — e com o cristianismo — chama-se a Vida Deus, dir-se-ia: «Deus me engendrou como ele mesmo» (Eckhart Sermões). Mas seria precisamente aí a condição do Arquifilho co-engendrado no auto-engendramento de Deus, de tal maneira que sua geração seria a auto-geração de Deus ele mesmo, que seria Deus. Aqui se repete nossa questão: Eu, este Si transcendental vivente que sou, sou eu o Cristo? |