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estudos:henry:e:linguagem

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 +====== 5 Linguagem ======
 +//HENRY, Michel. Incarnation: une philosophie de la chair. Paris: Seuil, 2000.//
  
 +**5. O critério da linguagem. Avanço decisivo e limites da interpretação fenomenológica da linguagem.**
 +
 +  * Um dos limites decisivos é o da linguagem, tema recorrente do pensamento do século XX e presente em toda a investigação, sendo o Verbo da Encarnação, no cristianismo, uma Palavra
 +  * A grande descoberta da fenomenologia sobre a linguagem foi subordinar sua análise a um fundamento sem o qual não funciona, subordinação conforme à pressuposição fenomenológica: a subordinação dos fenômenos da linguagem à fenomenalidade pura, chamada Logos
 +  * Retoma-se a identidade, já estabelecida no parágrafo [[obra:etem:et7|7]], entre objeto e método da fenomenologia, sendo a fenomenalidade do fenômeno o que conduz até ele, concernindo essa redução do método ao objeto também à linguagem, pois nada se pode dizer sem que previamente se mostre a nós
 +  * Enuncia-se a intuição decisiva: o Logos é a possibilidade última de toda linguagem, a Palavra originária que fala em toda palavra, identificando-se com a fenomenalidade pura, sendo fenomenalidade e Logos afinal a mesma coisa
 +  * Não se pode esquecer que fenomenalidade e Logos são compreendidos no sentido grego, sendo o aparecer que ambos designam o do mundo, aparecer cuja impotência ontológica já se constatou, incapaz de pôr no ser o que dá a aparecer, descobrindo o ente sem criá-lo
 +  * Pergunta-se de onde viria então a realidade daquilo que aparece, se o aparecer do mundo é incapaz de trazer à existência qualquer realidade, sendo essa indigência o que a linguagem, fundada nesse mesmo Logos grego, põe em evidência
 +  * A linguagem repete a estrutura desse aparecer ao referir-se a um referente exterior cuja realidade não pode fundar, permanecendo esse defeito oculto na linguagem cotidiana, que acompanha a percepção de objetos sob os olhos, exemplificando-se com a frase "Faça sair esse cão que não para de latir!"
 +  * É a linguagem poética que desvela esse abismo, pois aquilo de que fala nunca está presente, citando-se o poema de Trakl comentado por Heidegger — "Quando neva na janela / Como soa longamente o sino da noite / Para muitos a mesa está posta..." —, "vendo-se" a neve e a mesa sem que nada disso esteja de fato no cômodo onde se lê o poema
 +  * Chamadas por seu nome pelo poeta, essas coisas vêm à presença numa espécie de ausência, semelhantes a visões de sonho, presentes no nascer da palavra mas ausentes de realidade, reformulando-se o princípio da fenomenologia: "A tanto aparecer, tanta irrealidade"
 +  * Não é a linguagem poética, nem a linguagem enquanto tal, a responsável por essa indigência, mas o próprio aparecer de que ela toma sua capacidade de fazer ver, que desrealiza toda realidade ao lançá-la fora de si, esvaziando-a de substância e reduzindo-a a película sem profundidade, sendo a linguagem apenas reveladora de uma carência já enraizada na estrutura fenomenológica do próprio mundo
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 +{{tag>Henry}}